segunda-feira, 26 de maio de 2008

Grelhas ou as tendências totalitárias

Anda por aí uma grelha para avaliação dos professores, atribuída ao INA (já a vi em muitos sítios mas não consegui confirmar a origem), com 96 itens. Li os primeiros e fiquei com a impressão que estas pessoas não gostam de professores, isto é não querem mestres que provoquem o desejo de saber e fazer e o trabalho árduo de despertar consciências com rigor e conhecimentos.
Querem controle sobre funcionários colaboracionistas:
Cito algumas das primeiras:

CONDUTAS
[...]
2. Disponibiliza-se para actividades que ultrapassam obrigações horárias/profissionais.
[...]
4. Quando trabalha em equipa é um elemento participativo e não conflituoso.
[...]
6. Proporciona ambiente calmo, propício à aprendizagem.
7. Numa reunião tem uma atitude de colaboração e de entreajuda.
[...]
9. Não gera mau ambiente no local de trabalho.

Pois, por mim, e tendo em conta as lutas que se fizeram ao longo destes últimos séculos pelo horário de trabalho, não admito que me avaliem pelo que não me pode, por direito, ser exigido. O que significa: Disponibiliza-se para actividades que ultrapassam obrigações horárias/profissionais? Estar a toda a hora pronto para ser interrompido em qualquer situação, à vontade do dono?
Não é permitido o conflito? Porquê? Não podemos ter opiniões diferentes? Nega-se a dialéctica? O que é que é "mau ambiente"? É obedecer a qualquer ditador local? Tenho que colaborar com qualquer um, de qualquer maneira?
Tenho que leccionar apenas de acordo com o pensamento único, unidimensional?
E querem calma ou pasmaceira?

Passo para perto do fim, já sem comentários:
67. Orienta e planeia acções com uma visão partilhada que potencia a missão e os valores da organização.
[...]
78. Cria ferramentas de controle da sua actividade ou de outros dentro da organização que sejam simples mas resolvam os problemas de acompanhamento.
[...]

E por fim um apelo à revolução, sem esquecer a chefia nem as ferramentas, com colaboração e calma, inovação sempre, mas sempre em obediência à missão definida, não deixando de parte qualquer "pobre de espírito" que não queira ser revolucionado e inovado (cujo destino será certamente a reeducação, dentro do espírito da "Revolução Cultural" ... portuguesa):

87. Executa um projecto de liderança inovador e consegue implementar ideias revolucionárias e estratégicas, envolve as pessoas nesses projectos não deixando de fora ninguém.

2 comentários:

Hélio disse...

100% de acordo com o texto publicado! Não há melhores palavras para classificar as inenarráveis grelhas, que matam toda a criatividade e inteligência e apenas beneficiam os "carneiros"!

Hélio, Professor que se recusa a ser lacaio de uma ditadura escolar!


P.S.- Ó João tira lá o acento agudo do contribuiu, no texto da Ortografia.

Anônimo disse...

Como um dos sectores mais atingidos por este total (des)governo é o sector da Educação e os seus profissionais - os professores- decidiu-se instituir um forum de Queixas dos Professores, em que livremente os professores possam informar o que Realmente está a acontecer nas escolas e no sistema de ensino.

Aqui (agradeço divulgação, por todas as formas)

http://queixasdeprofessores.blogspot.com/
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/

anahenriques