Sábado, 11 de Julho de 2009

Reformas

Li o seguinte:

A Assembleia da República aprovou ontem, dia 25 de Junho, o Projecto de Lei n.º 663/X ("Institui um regime especial de aposentação para educadores de infância e professores do 1.º ciclo do ensino básico do ensino público em regime de monodocência que concluíram o curso de magistério primário e educação de infância em 1975 e 1976") e o Projecto de Lei .º 764/X, sobre "Regime especial de aposentação para os educadores de infância e professores do 1.º ciclo do ensino básico do ensino público, em regime de monodocência possuindo, em 31 de Dezembro de 1989, 13 ou mais anos de serviço docente".

In http://www.fenprof.pt/

Em 1974 acabei o Liceu. Nesse ano poderia ter entrado para a universidade, se fosse um ano normal. Ainda bem que não foi normal porque foi o ano do 25 de Abril. Em 1974/75 não houve acesso ao ensino superior, sendo esse acesso substituído por um ano no Serviço Cívico, o que fiz como muitos. Como o curso do Magistério Primário era considerado um curso médio não foi abrangido por essa medida e houve colegas meus de Liceu que entraram e acabaram o curso de dois anos em 1976. Hoje podem reformar-se e já conheço quem esteja reformado.
O curso do Magistério Primário era de dois anos, após o 5º ou 7º ano do Liceu. Para se ser professor do ensino secundário, por exemplo de História (noutros não era bem assim), tinha que se tirar um curso superior de 5 anos e dois anos de estágio (e esperar que houvesse vaga para estágio).

Eu, e outros da mesma idade, vamos ter que esperar mais 13 ou 15 anos com a lei actual.
Não tenho inveja, nem a culpa é dos próprios. Gozem a reforma! Mas também não me venham dizer que é dos sindicatos, dado que o Ministério da Educação e o governo pouco ligam às greves e manifestações, únicas em todo o mundo, pela sua dimensão quer quantitativa quer qualitativa.

O recado está dado:
Se tivesses estudado menos tempo serias beneficiado em tempo.

Uma rua de uma cidade Património Mundial

Esta rua que foi de Alconxel ou Alconchel é há mais de um século Rua Serpa Pinto, em memória do explorador das Áfricas que irritou os ingleses a ponto de estes fazerem um Ultimatum, desfazendo o sonho do Mapa Cor-de-Rosa, a grande colónia que seria de Angola à Contra-Costa, um balde de água fria que transformou os republicanos em nacionalistas ofendidos, acusando a monarquia de decrépita, corrupta e incapaz de preservar os “egrégios avós”, “os heróis do mar, nobre povo”. Daí o refrão contra os canhões (noutra versão “contra os bretões”) marchar, marchar.

Ora hoje, nesta rua, a marcha do progresso é lenta e, como não é regresso, é simples decadência!
Ontem contei alguns estabelecimentos que fecharam nestes últimos anos aqui. Sem ser exaustivo, contei doze. E fui-me lembrando, até porque isto é recente, de três barbeiros, um banco que agora serve de urinol, uma livraria, duas discotecas que depois passaram a bares mas que continuam encerradas, pastelarias, uma casa que vendia antiguidades, tubos de canalizações e coisas inúteis, casas da China que já foram outra coisa … Referi aquelas que estão mesmo encerradas, mas poderia ainda falar de lojas de móveis que se transformaram em tribunal, antigas fábricas de mobílias alentejanas, talhos, padarias, lojas de peças de automóveis, oficinas, um clube desportivo, igreja … e o negócio da palha.

A decadência é nítida em toda a cidade intra-muros (evito o termo Centro Histórico, pois a noção que alguma classe média suburbana local tem deste espaço é que isto é uma espécie de grande sala de visitas, boa para tirar umas fotografias, mostrar aos turistas e passear rapidamente de carro pela Praça do Giraldo e ruas transitáveis ao fim da tarde). Mas aqui ainda é maior o marasmo desde que se acabou com o estacionamento ao pé das muralhas. Não estou contra o ajardinamento desses espaços, até penso que foi uma boa ideia, vinda já de outros tempos. O problema é que não se criaram alternativas, nem de estacionamento próximo, nem de circulação de transportes públicos suficientes e atempados, nem se favoreceu a opção normal das cidades do Norte da Europa, que é a de andar de bicicleta.

E assim, a rua que em tempos foi a grande entrada ou saída em direcção a Lisboa, aquela por onde os reis entravam em pompa e circunstância quando vinham à “muy nobre e sempre leal cidade de Évora” está a transformar-se lentamente num grande beco em vias de desertificação.
Talvez falte àqueles que mandam conhecer melhor o que é a cidade, saber o que é uma cidade viva. Falta certamente uma política de promoção da vivência na cidade (e não apenas na parte antiga), com em grande parte deste país cada vez mais suburbano e motorizado.
E, pensando um pouco, por que é que as pessoas vão aos fóruns modernos? Porque querem passear em ruas e praças, lugares de encontro, com comércio, cafés divertimentos ...
Ora isso já cá temos. Era só adaptar um pouco aos tempos actuais, incentivar um pouco...
Qual é a necessidade de ir construir um "fórum", artificial, com preços subsidiados ou minimizados nos custos, à nossa custa, quando já o temos aqui e muito mais genuíno e humanizado. Para mais tarde se verificar que os prédios aqui vão caindo ou ficando entaipados antes de ruirem?

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Pax Iulia






Pax Julia no tempo dos romanos, em memória de César que pacificou os revoltosos autóctones, Baja dos tempos islâmicos, Beja ainda.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Património Mundial


Há sítios que são classificados Património Mundial. Évora é um caso especial, porque toda a cidade antiga intra-muralhas foi considerada como um conjunto. Cidades como esta são assim consideradas, porque preservaram ao longo de séculos o seu património edificado. Évora é assim mas poderia não o ser. Muitas cidades portuguesas foram vendo o seu património destruído, até recentemente, em nome de uma certa concepção de progresso. Mas pior que esse pretenso progresso é a falta de conhecimento que leva a que o património seja destruído. Quem não conhece não ama.

Évora teve felizmente, e foi até pioneira e persistente, grupos que defenderam o património. O templo romano poderia ter tido o mesmo fim que os conventos de S. Domingos, S. Catarina, Paraíso, parte do Salvador, parte de S. Francisco, parte do aqueduto etc. etc. As muralhas só não foram vendidas em hasta pública, porque houve um grupo, o Pró-Évora que encabeçou uma campanha contra a sua destruição (como noutras cidades). E houve o bom senso de não destruir mais porque se vivia na cidade e havia gente que a conhecia.


Hoje há outros perigos. Já muita gente não frequente a antiga cidade, agora chamada de Centro Histórico. E muitos jovens já não a conhecem nem sequer da escola, porque quase não têm aulas de História. O ministério reduziu o número de aulas de História e deixou ainda opções para as escolas. E, por incrível que pareça, há escolas numa cidade Património Mundial que ainda reduzem mais. Em muitas passou-se de três aulas semanais de 50 minutos no terceiro ciclo para uma única aula de 90 m no 7º ano, outra de 90 m no 8º ano e uma de 90 m mais 45 m no 9º ano. Quase menos um terço de aulas num ciclo, embora com o mesmo programa.

Depois querem que os jovens saibam História de Portugal, que tenham conhecimentos sobre o século XX e o mundo contemporâneo, que conheçam o património da cidade. Por favor não gozem com alguns quando dizem asneiras, porque não lhes foi dado o direito a conhecer.


As responsabilidades têm que ser assumidas por cada um onde está e onde trabalha. A culpa não é sempre só dos outros. Se não ensinarmos as crianças e os jovens, sobretudo aqueles que mais precisam do sistema de ensino, porque os pais não lhes podem ou não sabem fornecer alguns conhecimentos ou experimentar vivências, então deixaremos estas questões para as elites que sempre tiveram acesso ao conhecimento e que os utilizam conforme os seus interesses.


Continuaremos com cidadãos informados e outros que o não são, porque não se lhes permite esse direito, e então veremos as consequências na preservação do património, na identidade cultural, para não referir o simples direito de cidadania.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Gárgulas em Alcobaça




Acho muito interessantes as imagens medievais, santos ou monstros, histórias exemplares ou outras. Algumas interpretam-se sem grande dificuldade. Outras seria necessário conhecer melhor não apenas os textos canónicos, como textos apócrifos, de milagres não oficiais, histórias de santos, da Virgem, não reconhecidos, lendas orais que se perderam, em sociedades onde a comunicação se fazia mais pela fala.
Uma destas gárgulas parece um rinoceronte. Seria? Acho difícil, apesar de todos os acrescentos que foram feitos desde o século XII. Uma das primeiras imagens de um rinoceronte foi feita por Durer, com base numa descrição da célebre embaixada de D. Manuel ao Papa.

Entrada no ensino superior, Magalhães e afins.

Algumas ideias para reflectir, sobretudo quando alguns pensam que só merecem elogios. Extracto de uma entrevista a Stephen P. Heyneman:


Os exames portugueses servem para concluir o ensino secundário e de admissão ao superior. Concorda?
É um erro, usar o mesmo exame, porque isso confunde as diferentes funções que essas provas devem ter e torna-se aterrorizador para os alunos. As instituições deviam ter o direito de escolher os seus alunos, aqueles que pagam e aqueles a quem querem oferecer bolsas.
“Começaria por dar computadores aos professores”
Recentemente, num artigo de opinião, Don Tapscott, um especialista canadiano em tecnologia, recomendava ao presidente norte-americano que pusesse os olhos em Portugal e no seu investimento em computadores individuais para os alunos do ensino básico. O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman que esteve em Lisboa para falar sobre a política educativa da administração Obama, na Universidade Católica Portuguesa, há uma semana.
“É um computador colorido. Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta.
“Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições.
Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação”, responde. O que viu, no Porto ou em Lisboa, foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar”, sublinha.
Heyneman lembra um estudo comparativo feito na Áustria e nos EUA sobre a utilização dos computadores. Enquanto na Áustria o programa foi um sucesso porque os professores foram envolvidos e tiveram formação para aprender a trabalhar e foram eles que ensinaram as crianças; nos EUA não houve formação, nem integração no currículo e os resultados do programa não foram positivos. É em estudos como este que Portugal deveria reflectir, aconselha.
“Testar é produzir igualdade”
Se muitos estudos dizem que os alunos com melhores resultados são os filhos das classes médias. Há muito que Stephen P. Heyneman diz que “as crianças das famílias pobres têm bons resultados”. A sua teoria foi testada em 29 países, entre eles o Chile, Índia, Tailândia ou Irão. “Quanto mais pobre, maior o impacto da educação. Quanto mais rico, maior o impacto da família”, explica, lembrando que a maior parte das crianças do mundo não estão representadas nas estatísticas da OCDE ou nos estudos feitos nos países desenvolvidos. “O que é verdade é o que se passa nos EUA, onde estão apenas dois por cento das crianças do mundo?”, questiona. Heyneman considera importante fazer exames. “Testar é produzir igualdade. Os testes são a oportunidade para cortar com as desigualdades. Nos países pobres, as provas revelam que as crianças pobres têm os mesmos resultados do que as ricas”.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390370

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Claustro de Santa Bárbara. Convento de Cristo.

O Baphomet





No claustro de Santa Bárbara, do Convento de Cristo em Tomar, antigamente reservado aos freires da Ordem de Cristo, herdeiros dos templários.

Obra de João de Castilho.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Alentejo, CDU e Bloco de Esquerda

Ultimamente tenho visto comentários, não só a propósito das últimas eleições, sobre o Alentejo que é muito bonito, tem um grande património construído, paisagens ainda não desfiguradas, ambiente onde ainda se vê bicharada, sobreiros, azinheiras, oliveiras, searas com abetardas, javalis e raposas e lebres, o Guadiana, pátios e paredes caiadas lembrando o tempo dos mouros e as lendas das mouras encantadas.

Só é pena o povo votar à esquerda! E aí os alentejanos são considerados atrasados e precisariam de umas instruções iluminadas para não votarem em ideologias fora de prazo, como se as recomendadas não cheirassem ao bafio do liberalismo do sec. XIX.

Esquecem estes que paisagem, património, ambiente … não foi feito sem este povo que cá está e que também abalou, com as suas contradições e lutas, desgraças e alegrias, que esta cultura é como a açorda alentejana, com origens romanas e árabes mas onde se distinguem as fatias de pão da simbiose do caldo com poejos ou coentros, azeite e alhos, pimentos também, e com ovo ou bacalhau conforme o gosto e as posses.

Este Alentejo não é apenas o da fotografia de passagem, do Sol apreciado por momentos, porque se passarem as horas queima, como queimam as geadas, como à seca se seguem inundações. Este Alentejo tem histórias que se podem contar com tempo! E recorde-se Manuel da Fonseca ou outros que fizeram do Alentejo parte do seu ser como Miguel Torga, José Régio e tantos.

Admiramos os vestígios árabes. Mas os “árabes”, que afinal a maior parte eram de cá, começaram a ser expulsos e os judeus daqui e de outros lugares foram também assados pela Inquisição. Como os escravos chins, jaus, mouros, negros que aqui se fundiram com outros de desvairadas partes.

O povo é, a democracia, sempre em conquista, permitiu-lhe o Ser tantas vezes e tanto tempo freado. Tirem fotografias, apreciem o que é bom, mas não se esqueçam do movimento das ondas e das correntes, mesmo que sejam apenas das searas e das estevas ou dessas ribeiras que ressuscitam sem aviso.

Café Guadiana





Esplanada do Café Guadiana, em Mértola: com duas gerações da mesma família, um empregado que é quase de família e um parente pintor anarquista.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

O Douro internacional






O Douro lá para os lados do Planalto de Miranda, a fazer fronteira com Espanha, com o antigo reino de Leão. Com abutres, daqueles que fazem falta, pelo meio.

Revista Kathársis




Fez este ano dez anos a revista Kathársis, obra colectiva, com prosa e poesia dos alunos da Escola Secundária Severim de Faria. Desta vez o lançamento da revista foi no salão nobre da Câmara Municipal de Évora

É tempo de cerejas. Ou apenas um retrato do interior do país.


Eleições para o Parlamento Europeu

Agora que toda a gente disse quase tudo vou talvez repetir alguma coisa.

Surpresa estas eleições? Parcialmente sim. Supunha que o PS desceria, mas não tão estrondosamente. O resto não é de grande admiração.

Comecemos pelo Parlamento Europeu. Não é propriamente um parlamento, visto que o poder legislativo é controlado pelos governos. E as pessoas nem percebem muito bem para que serve. Para mais, tudo o que é importante, desde a adesão dos países, à PAC, as directivas, tudo tem sido decidido por negociações e por uma burocracia distante dos cidadãos. Nos tratados, na pretensa ou pretendida constituição europeia importam mais o liberalismo económico do que os direitos cívicos, políticos, sociais ou culturais. Países e culturas com histórias diferentes, até com tradições coloniais diferentes, com opções estratégicas diferenciadas e opostas. Veja-se a atitude seguidista do Reino Unido e da Polónia face à invasão do Iraque, diferente da França, ou o reconhecimento da independência da República (mafiosa) do Kosovo, em contradição com as leis internacionais, da ONU que tanto dizem prezar, excepto nestes casos ou em relação a Israel.

O PS há muito que meteu o socialismo na gaveta. O que é que distingue a prática do PS da do PSD, a não ser o estilo? O governo mandou apertar o cinto para cobrir o deficit. Vieram os escândalos do BPN, do BPP e outros e agora esbanja-se o dinheiro dos contribuintes para pagar a especuladores. Desde há muito que saem ministros do governo e vão para a Portucel, para a Mota Engil, para o BPN, para grandes empresas ibéricas da comunicação e da energia. Saem do PSD, saem do PS, despudoradamente voltam a regressar a cargos de estado.

Os deputados são escolhidos por estes partidos e, em última análise, nestes partidos do centro, deputados e ministros são escolhidos por este centrismo de conluio entre empresas que dependem do estado e de um estado dominado por estas. Bem podem os eleitores querer votar em determinado deputado que logo estes partidos baralham tudo, metendo uns aqui outros ali, ficando no fim alguns que ninguém conhece, nem reconhece. E, se refiro estes dois partidos, devo acrescentar também o CDS que também ora faz alianças e negócios com um ora com outro.

Não admira o PSD ter subido. Afinal as pessoas pouco distinguem PS e PSD e este está agora fora do governo, mesmo que tenha estado calado tanto tempo em matérias importantes, até porque gostava de ter feito o mesmo. A memória também é curta!
O caso do Bloco de Esquerda pode ser um fenómeno conjuntural. Digo pode, porque houve muitos eleitores do PS que votaram nele, mas pode consolidar algum eleitorado. A CDU, contra as previsões (e o que há mais é gente arrogante a dar palpites) também subiu.

O governo, ao longo destes anos resolveu teimar num estilo arrogante e com tiques autoritários, mas sem competência para resolver os problemas do país. Veja-se o que se tem passado com a Educação: congelaram-se carreiras, contra as expectativas, com má-fé até, mudou-se a gestão das escolas para um modelo mais autoritário, burocratizou-se a avaliação, tentou-se controlar as consciências e as práticas até à intimidade, facilitou-se demagogicamente a passagem dos alunos, fez-se cair numa campanha de maledicência as culpas dos problemas do ensino sobre os professores. E não se resolveram os problemas; agravaram-se com a teimosia e falta de competência do ministério.

Pode ter-se a certeza que a questão dos professores teve peso nestas eleições. Não são só os 150000 professores, são as famílias, os amigos. E é bom não esquecer que os professores, que têm formação superior, ainda têm algum prestígio que a sociedade lhes reconhece, tendo a população mais confiança neles do que em muitas profissões.

Ainda as Galveias





A freguesia das Galveias é considerada uma das mais ricas do país. Recebeu uma herança da família Marques Ratão com propriedades, herdades e prédios urbanos, nos concelhos da Ponte de Sor, Avis, Estremoz, Borba, Crato, Monforte, Lisboa ...

Quando era pequeno ouvia falar da lenda do Marques Ratão. Ia à feira de Sousel quase como um pobretana, trazia a merenda de casa para não gastar mais. A feira de S. Miguel era famosa e ainda me lembro da enorme feira do gado, com centenas e centenas de mulas e machos, cavalos, ovelhas ... Era um dos sítios onde se faziam negócios nos tempos em que a agricultura no Alentejo dava para fazer grandes fortunas e misérias para a maioria. Dizia-se que Marques Ratão emprestava dinheiro a juros a grandes proprietários que gastavam o dinheiro a seu belo prazer em Lisboa e em Espanha. Não sei se seria só lenda.

A Junta de Freguesia administra essa herança. A CDU ganha aí as eleições.
Galveias tem um conjunto de equipamentos sociais dignos de inveja neste pobre interior de Portugal.
Perguntas: O que é urbano e o que é rural? O que é participação cívica?

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Uma justa homenagem


Passei pelas Galveias há dias. E eis que vejo uma placa com o nome de uma rua: Joaquim Barradas de Carvalho. Foi meu professor na Faculdade de Letras.

Ele e outros colegas da Faculdade de Letras (Mário Soares ...), enquanto estudantes, foram perseguidos pelo regime e continuaram a militar. Esteve exilado em França, onde fez doutoramento de Estado, foi professor na Universidade de S. Paulo, tendo entrado no Brasil com passaporte francês, sendo um dos professores mais reconhecidos. Barradas de Carvalho era de uma família de grandes proprietários alentejanos mas ofereceu as propriedades herdadas a uma cooperativa no tempo da Reforma Agrária, coerente até ao fim com as suas ideias.


Encontrei este artigo de um professor da Universidade de S. Paulo (talvez a melhor da América do Sul em Ciências Sociais). Um extracto do texto "Grandes Mestres", de Carlos Guilherme Mota:


Foi um intelectual que nos ensinou a pesquisa à lupa, o rigor da escrita, os clássicos. Foi no Brasil, em compensação, que se revelou excelente professor: antes, jamais lecionara. Por seu intermédio, conhecemos, enquanto História viva, as idéias de Jaime Cortesão, de Magalhães Godinho, de Antônio Sérgio, de tantos outros geniais escritores e pensadores portugueses. E entramos em contato com a crítica — gentil e informada — aos estudos de Ameal e de outros menos apreciáveis, que faziam parte de nosso ingênuo currículo universitário.
Espírito anti-acadêmico, anti-ortodoxo, filho de família tradicional alentejana, descendente do Conde das Galvêas e de Camões, Barradas soube cultivar como ninguém a crítica, temperada sempre pela amizade e empenhada cordialidade, que estendia até mesmo a eventuais oponenetes políticos. Só uma coisa o aborrecia efetivamente: o reacionarismo de alguns de seus compatriotas, cujo comportamento retrógrado empurrou Portugal para o atraso e a melancolia. Daí ter encontrado na vida agitada de São Paulo um clima intelectual e político em que pôde desenvolver suas potencialidades. Tornou-se um paulistano da melhor qualidade: pensava mesmo que se um dia se articulasse um Bloco Luso-Afro-Brasileiro, a capital deveria ser São Paulo... Após a Revolução dos Cravos, o Jornal do Brasil dedicou dois ou três editoriais à utopia barradeana.
[...]Joaquim formou-se em História e Filosofia em 1946 pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, já revelando a vocação para o campo no qual desenvolveria seus trabalhos: a História das Idéias e, mais precisamente, a História das Mentalidades — que era então uma disciplina menor da História, pouco cultivada e desimportante (segundo parecia). Seu primeiro trabalho foi uma dissertação para aquela Faculdade: Idéias Políticas e Sociais de Alexandre Herculano (1949), no mesmo ano em que veio à estampa outro grande trabalho de outro notável português de sua geração, Antônio José Saraiva, sobre o mesmo Herculano.
Seus estudos e pesquisas prosseguem depois em Paris, onde se doutorou em Estudos Ibéricos pela Faculdade de Letras e Ciências Humanas da Universidade de Paris, Sorbonne, em 1961. Tema de sua tese: Esmeraldo de Situ Orbis, de Duarte Pacheco Pereira. Nesse período, convive intensamente com a escola historiográfica dos Annales, o principal grupo de Historiadores europeus capitaneados por Lucien Febvre, Marc Bloch (morto na guerra pelos nazistas) e por Fernand Braudel, sucessor de Febvre e Bloch. Braudel dedicou a Barradas grande estima e a Portugal grande atenção por causa de Magalhães Godinho, Frederic Mauro e Barradas. Joaquim Barradas foi um discípulo de Braudel (e de Febvre, fundador da História das Mentalidades na França, em memória de quem dedicou seu último livro) e soube combinar o que de melhor havia naquela escola de pensamento com o que de melhor se fazia em termos de pensamento marxista. Excelente mistura, que bateu em cheio na Universidade de São Paulo nos meados dos anos 60, quando intelectuais como Florestan Fernandes, Antônio Cândido, Fernando Henrique Cardoso, Otávio Ianni e inúmeros mais — não nos esqueçamos de Sérgio Buarque, Caio Prado Júnior, Cruz Costa e Fernando de Azevedo, da geração antecedente — marcavam o horizonte intelectual e político, desenhando um outro Brasil.

[...] Barradas de Carvalho retornou a Paris em 1970, apresentando à Escola de Altos Estudos da Universidade de Paris o ensaio La traduction espagnole du Situ Orbis, de Pomponius Mela par Maître Jean F aras et les notes marginales de Duarte Pacheco Pereira. Em 1975, recebeu a mention très honorable e les félicitations du jury com sua tese de Estado, a mais importante da carreira universitária, recebida com grande impacto, dada sua erudição e importância. Seu título (um dos mais longos da bibliografia mundial...): A la recherche de Ia spécificité de la Renaissance portu-gaise - L ´Esmeraldo de Situ Orbis, de Duarte Pacheco Pereira, et la literature portugaise de voyage à l 'époque des grandes découvertes. Contribution à l ´étude des origines de la pensée moderne. Foi muito bem recebida por uma comissão de alto nível, presidida pelo Historiador Pierre Chaunu que aliás, fez o emocionado e agudo prefácio, com Fernand Braudel — Chaunu registra no prefácio da publicação dessa obra jamais ter ocorrido, em sua longa experiência com teses, uma sessão tão emocionante no tradicional Anfiteatro Liard, na Praça da Sorbonne. Sua edição, em dois volumes, pelo escritório de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian, foi providenciada pelos vigilantes Historiadores, escritores e amigos Joel Serrão e José Blanco.


Nota: Carlos Guilherme Mota é Historiador, professor de História Contemporânea da USP, diretor-fundador do Instituto de Estudos Avançados da USP, criador da Cátedra Jaime Cortesão no mesmo Instituto e autor de vários livros, entre os quais Atitudes de Inovação no Brasil (1789-1801), Nordeste 1817 e Ideologia da Cultura Brasileira.


Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Parlamento dos Jovens. Haja esperança.




Segunda e terça estive na Assembleia da República com os alunos no Parlamento dos Jovens.
Uma experiência interessante em que os "os deputados" dos círculos eleitorais mostram e provam que sabem discutir política, sem paternalismos.

Amanhã há mais

Vital(idade) para a Mina de S. Domingos

Ontem Vital Moreira anunciou e repetiu que o governo iria proceder à reabertura da Mina de S. Domingos.
As gaffes costumam acontecer, mas uma de cada vez. Vital repetiu.
A Mina foi abandonada nos anos sessenta. Houve migrações em massa para a Margem Sul do Tejo, outros foram para França, Canadá e outras margens. Alguns, como indemnização tiveram apenas direito a passaporte, o que também não era fácil quando o país se despovoava e o decrépito Estado Novo, "orgulhosamente só" e tão fundamentalista na defesa da Pátria e da Família, deixava que as famílias se desagregassem e a Pátria se fosse esvaindo, escondendo com a censura e a perseguição política o subdesenvolvimento e a miséria.
Não é a pessoa que interessa. É o primeiro candidato de um partido, é o catedrático de direito de Coimbra que se armou em "expert" da Educação, dizendo e escrevendo dogmaticamente que os professores (todos) não queriam avaliação nem nada e que deviam ser postos na ordem.
Cidadão Vital. Peça desculpas às famílias dos mineiros!
E já agora não fique abespinhado, como de costume, com os agradecimentos que vai certamente receber pela sua campanha em favor dos outros partidos. É que as suas certezas e a sua falta de habilidade têm contribuído e não pouco para a perda de votos do partido do governo.
O sectarismo também se paga.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Em 19 de Maio de 1954

CANTAR ALENTEJANO
Vicente Campinas

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p’ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas p’ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

Domingo, 26 de Abril de 2009

Nuno Álvares

Estado liga “pouco” à canonização de S. Nuno.

Este é um título do Público de hoje, reproduzindo afirmações do Cardeal Patriarca.
Quanto a mim, o Cardeal Patriarca até nem é má pessoa, cortou com qualquer parecença com outros, como o Cerejeira que sempre militou pelo regresso à “Cidade de Deus”, a rural “cidade” do antes do iluminismo, das revoluções, quando os senhores e a Inquisição mandavam neste país que se distanciava do Norte da Europa. Este cardeal até é uma pessoa aberta, e é assim que deverá continuar, sem se meter demasiado onde não deve. Ou antes, dê as opiniões que quiser mas não exija que o Estado se submeta à Sacrossanta Igreja Católica Apostólica Romana nem vice-versa.

O Estado português está separado das religiões. O Estado não tem que se pronunciar sobre santos. Se houver problemas, dúvidas, isso pertence aos católicos que todos os anos vêem consagrados mais umas dezenas de santos, o que já não é um trabalho pequeno.

Quem não é católico não tem que criticar os critérios da Igreja Católica como se fosse um problema nacional, mas pode ter opinião. O que é que me interessa que a Igreja Católica tenha canonizado Monsenhor Balaguer, que ajudou Franco a dizimar comunistas, republicanos e afins ou suspeitos? O que é que me interessa que a Igreja Católica considere santa, Isabel a Católica, que cometeu um genocídio em relação aos muçulmanos e judeus peninsulares? São critérios de uma igreja como as outras.

Nuno Álvares Pereira foi uma figura importante da História de Portugal. Combateu contra os castelhanos e foi decisivo na independência de Portugal. Claro que houve muitos que o seguiram e ficaram nos campos dos Atoleiros e em Aljubarrota. Nuno Álvares, um dos mais de 30 filhos do Prior do Crato, soube lutar, mas também soube ganhar e ficou o maior senhor de Portugal com terras por todo o lado, do Alentejo a Trás-os-Montes, passando pelas Beiras. Foi a partir da sua fortuna ganha durante a crise ou revolução de 1383-85 que se construiu a Casa de Bragança, uma das maiores da Península Ibérica. Mandou construir, entre outros, o convento do Carmo, até para demonstrar que não era só D. João I que poderia celebrar a nova dinastia com o mosteiro da Batalha.
No final da vida dava sopa aos pobres, mas já tinha a barriga cheia. Enfim, também há quem não dê nada a minguem.
Evidentemente que isto não tem a ver (pelo menos da minha parte) com todo o aproveitamento que se fez da figura de Nuno Álvares, contra a República, com a "Cruzada Nun'Álvares" ou pelo Estado Novo com a mitificação de heróis e santos úteis à propaganda nacional.

Viva o Dão. E respeitem a santa.

Em Santa Comba Dão um presidente da câmara quis pôr-se em bicos de pés. Provavelmente o homem nem é salazarista, porque se o fosse, nunca aceitaria eleições, muito menos livres, com mulheres e opositores ateus a votar. Talvez apenas queira atrair turistas, porque para ser salazarista a sério, teria que montar um espectáculo diferente, com gente "pobrezinha mas honrada", melhor, humilhada, analfabeta de preferência, com uns pides e uns bufos disfarçados, uns pedintes agradecidos, uma ralé qualquer paga por umas sopas e uma caridadezinha, com senhoras a oferecer uns cigarritos aos soldados que morriam em defesa da pátria pluricontinental em Pangim, Nambuangongo, Madina do Boé ou então algum médico que receitava mais fome e “frigideira” aos presos do Tarrafal ou algum tenente a disparar contra ceifeiras em Baleizão ou algum agente especialista em ácido sulfúrico e cal sobre o corpo de Humberto Delgado ou ... tanto subdesenvolvimento e miséria.
Enfim, há quem aproveite o conde Drácula para fazer turismo, há quem ganhe ainda dinheiro com o Alves dos Reis e o Zézé Camarinha. Ninguém ainda se lembrou de dar o nome do Zé do Telhado a uma praça, mas esse mereceria muito mais, pois só roubava aos ricos para dar aos pobres, sem hipocrisias pelo caminho.
Assim temos um presidente eleito em democracia que quis pôr Santa Comba Dão no cano de esgoto no dia 25 de Abril. Ao menos, poderia ser católico e respeitar a Santa e o Dão.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

25 de Abril





No bar do Sebastião, Rua Serpa Pinto, antiga Rua de Alconxel, o 25 de Abril já se comemora com uma exposição de cartazes e jornais.

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

A civilização da terra.


Sevilha foi uma grande cidade na época almóhada, essa dinastia com que os nossos primeiros reis tiveram com que se defrontar e que reconquistaram o território a Sul do Tejo, deixando apenas Évora na mão de D. Sancho I.
Estes almóhadas eram berberes do Norte de África mas foi no Sul da Península que conheceram uma civilização mais refinada.
As construções são à base da terra. As muralhas são em taipa (zona da Macarena) e a torre do antigo minarete da mesquita maior transformada em catedral cristã é de tijolo. Era, apesar de tudo, uma arte mais sóbria que as anteriores ou posteriores, mas mesmo assim a preocupação com este rendilhado ressalta. Por dentro da torre, conhecida por Giralda, pois que tem um grande catavento que gira, na rampa interior podia andar-se a cavalo.

Domingo, 19 de Abril de 2009

A história da Carochinha e outras

A entrevista com Ana Paula Guimarães, professora da Universidade Nova é interessantissima.
Conta-nos a história da Carochinha que não só acaba mal para o João Ratão como para todo o mundo que se transforma num caos: a rainha a andar em fraldas pela cozinha e o rei a passar o cu pelas brasas...
Como o galo que ia ser comido e afinal venceu o mundo. Ou a mãe que amamenta e adormece o menino e manda recados a ...
O melhor é ouvir:
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1142860

Outeiro de S. Pedro. Portel






Outeiro de S. Pedro. Uma das melhores vistas sobre o Alto e Baixo Alentejo.
As alturas eram sagradas; os afloramentos de rochas também.
Lugar de romarias milenares.

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Outra Espanha. Puerto de La Laja








Outra Espanha. Em silêncio, como no lado português.
O Puerto de la Laja, na margem esquerda do Guadian ligava as minas de Isabel ao rio. Vêem-se as portas por onde era descarregado o minério, através de mangas, para os cargueiros que em tempos de 2ª Guerra Mundial seguiam para a Alemanha. Fora da barra do Guadiana eram bombardeados por vezes por aviões ingleses. Mais a montante, da Mina de S. Domingos para o Pomarão e depois para Vila Real de S. António, seguia o minério para Inglaterra, esperado também por aviões alemães.
Conta-se que havia informadores portugueses e espanhóis que davam umas informações para um lado e outro, à custa de uns trocos.
A população antigamente era constituída em parte por portugueses; alguns fugiram para aqui para não ser mobilizados para França durante a Grande Guerra.
Há ainda quem conte histórias de contrabando, perseguições e fuzilamentos no tempo de Franco. Tudo era controlado: do lado português pela Guarda Fiscal, na margem espanhola pelos "carabineros" e mais as polícias políticas de ambos os países.
A margem direita é portuguesa, perto da foz do Vascão. As rochas têm nome, como tudo. Aqui vê-se um pouco da "Biblioteca".

Semana Santa em Sevilha

















Sevilha. La Macarena






A Macarena é o grande ícone de Sevilha, com muitas ramificações pela Andaluzia. Tem uma grande rival, a Esperanza de Triana, o bairro do outro lado do Guadalquivir, onde viviam os marinheiros. Por uma e outra se batiam sevilhanos e "trianeros". As fotografias em largos cartazes aparecem por todo o lado e não é raro serem expostas nas tabernas, lado a lado, a senhora "guapa" e um toureiro da "Maestranza", em pose dançarina a matar o touro.
Os andares que saem nas longas e demoradas procissões da Semana Santa, só não são maiores porque não caberiam na entrada das igrejas ou em apertadas ruas como a Sierpes, a grande rua comercial que serpenteia pela Sevilha histórica. Os andores são levados por dezenas de "costaleros" que depois de exaustos não perdem tempo senão para beber um copo e voltarem quando for preciso, metendo conversa com as "guapas" que se pintam e se enfeitam por todo o lado, como quase sempre, mas mais ainda na semana santa.
Em Sevilha, como em grande parte de Espanha, nada mais se faz durante esta semana, isto é pagam-se promessas, exibem-se os corpos e o esforço, canta-se, bebe-se, chora-se e ri-se quase ao mesmo tempo, no meio de uma algaraviada e alegria colectivas.

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Casa Branca


Casa Branca, actual concelho de Sousel. Igreja matriz de meados do século XVIII.
Um pormenor: a República inseriu a sua assinatura, com um relógio, um símbolo do progresso.

A banda



A banda do Vimieiro é famosa na região.
Só quem arrogantemente despreza a população, como em tantos programas de televisão, é que pensa que as pessoas não gostam de música de qualidade.
Muita gente lutou pela música nestas terras.

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Vimieiro










Vimieiro. Antiga vila e concelho, hoje integrada no concelho de Arraiolos.

Uma igreja matriz manuelino-mudéjar, antigos Paços do Concelho, com o relógio sineiro, hoje posto da GNR.

Domingo, 29 de Março de 2009

O outro funcionário

A banda


Antes da procissão dos Passos, a banda anuncia a festa.

Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Citações

Há, por um lado, aqueles que nunca citam nada e desprezam os autores, como se os que fazem coisas ainda tivessem que obter o favor de pedirem permissão para existirem e viverem de pão e água.
Mas há também a mania de citar continuamente, por vezes banalidades, como se só a autoridade de certos nomes permitisse a propriedade da palavra. Isto é muito comum em certas instituições, de tal maneira que nem se percebe o discurso de uns nem de outros, como se vivêssemos no tempo da Escolástica.

Aproveito um texto de Jorge de Sena e cito, porque vale a pena.

CITAR OU NÃO CITAR- Eis a questão

Certa vez, um inimigo meu que passava e ainda passa, graças à sua produção copiosa e hebdomadária, por crítico literário (o que me salva a mim, nestas matérias copiosas, é não ter sido nunca hebdomadário), e que, nesse tempo, sabia muito pouco inglês, dizia que a minha poesia e a de outros amigos meus era desse inglês traduzida... Esta a anedota n.º 1, que vamos comentar. A anedota n.º 2 refere-se a um amigo meu que não fazia versos «traduzidos» ou não, e que fora meu colega de curso. Certo dia, anos passados, visi­tando-me na minha casa de Lisboa e vendo-se rodeado de livros até ao tecto, perguntou-me muito honesta­mente: - Mas tu, quando escreves, não metes do que lês no que escreves? Como fazes para pensar por ti? - A 3.ª anedota passou-se com um erudito competentís­simo e digno, cujo carácter creio ter motivos para prezar. Dizia-me ele: - Vocês nunca citam nada, nunca fazem uma citação, nunca dão uma abonação -. E estra­nhava sinceramente a prática.
Em face destas três historiazinhas, que há-de um pobre homem fazer? Se a crítica analfabeta desconfia que ele está copiando do que ela não conhece... Se o público bem intencionado acha que a cultura e a infor­mação podem prejudicar a originalidade espontânea... Se a crítica erudita acha, no fundo, que a espontanei­dade corre o risco de, inocentemente, repetir o que já foi dito... E se - o que constitui por si só uma 4.ª ane­dota a comentarmos - a moda é que não se escreva um mísero e mesquinho artigo de jornal, sem um arraial de notas capazes de fazer corar tipógrafos... Digam-me o que há-de um pobre homem perpetrar […]

Acontece, porém que um “ensaio”, sem descer ao nível- que pode ser brilhante, mas é menor como arte literária- das “belas letras” sem mais consequências, é muito susceptível de ter sido escrito sem aparato crítico […]. Daí não se pode concluir que seja uma mastigação do muito que o autor leu. Não se pode concluir que seja uma manifestação de audácia e petulância […]
Se fosse preciso e indispensável, de cada vez que se pense em alguma coisa, fazer o levantamento de tudo o que se disse, neste mundo, acerca dessa coisa não se chegaria nunca a pensar nada. E não se julgue que a segurança do que foi dito, a exibição do que se sabe, etc. etc., constituem por si sós, ciência ou sinal distintivo dela.

SENA, Jorge- O Reino da Estupidez-1. Lisboa: Ed. 70, 1984, pp. 117 a 121

Palavras de Jorge de Sena, engenheiro de formação, doutorado em Literatura Portuguesa, especialista em Camões, romancista, dramaturgo, poeta ensaísta, que teve que se exilar no Brasil e depois nos EUA, leccionando na Universidade de Santa Bárbara, Califórnia, onde morreu, pois nenhuma universidade portuguesa o convidou nem antes nem depois do 25 de Abril

De Jorge de Sena

NO PAÍS DOS SACANAS

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharia
sem que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, ajustiça,
a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.


Jorge de Sena

Nota: a palavra sacana é de origem japonesa e significava peixe ou comedor de peixe. Evidentemente não foram os samurais que fizeram esta alteração semântica.

Palavras gastas

Há quem tenha passado estes últimos anos irritado com a Ministra da Educação. A irritação deu lugar a bombardeamentos de mensagens, com autor e sem autor, como se os outros tivessem que aturar tudo de pessoas que só acordam tarde de mais. Alguns acordaram demasiado tarde e agora mergulham outra vez no sono. Depois de continuamente falarem da “sinistra” que tinha todos os defeitos, agora fazem tudo o que ela quer. E vão passar à frente dos outros, agora desta forma curvilínea, depois de tanta excitação a excitar os outros contra os demónios.
Arrependeram-se e deixam muitos para trás.
Liberdade de opinião é uma coisa, tolerância outra, incoerência é coisa que não me interessa. Como não me interessam os arrependidos de uma hora para outra, aqueles que pedem desculpa continuamente e mais uma vez atropelam os companheiros do dia anterior.
Eu, por mim, não preciso de sorrisos amarelos e não tenho paciência para máscaras que não sejam de Entrudo.

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Alexandre Herculano e pensamentos





Sinto algum tédio em relação à política do Ministério da Educação e sua incompetência e às reacções de alguns. E à falta de visão, agora que já pouco falta para acabar o ano lectivo, sendo que um processo de avaliação deve começar logo no início do ano e não depois de meio.
Lembro-me de frases de Alexandre Herculano:

Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais.


Querer é quase sempre poder: o que é excessivamente raro é o querer.


Mas já a natureza rebenta por todo o lado. Na Primavera recomeça o ciclo da alegria. Já a figueira tem figos e a roseira e a laranjeira flores e a vinha parras, indiferentes a crises, governos e incoerências.

Domingo, 22 de Março de 2009

Os meus funcionários no quintal






Os meus funcionários.


Chamo-lhes funcionários porque funcionam. Sem ordens, numa anarquia como deve ser. Aparecem quando querem, não têm horário definido, trabalham quando querem, descansam quando lhes apetece, mas cumprem as metas e os objectivos. Misturam ócio com trabalho e prazer e não obedecem à voz do dono. Diga-se de passagem que o presumível dono também não está interessado na obediência; nem pode.
Um dos funcionários é o cágado. Não aparece na fotografia porque não lhe apeteceu mostrar-se hoje. Mas, desde que ele começou na sua actividade, o número de caracóis e outros bichinhos tem diminuído. É lento aparentemente, mas eficaz.
O outro é o ouriço. Ainda está em observações. O que significa que só o verei quando lhe apetecer, provavelmente à noite. Espera-se que coma alguma fruta caída e que afaste indesejáveis: os ratos.
Outros são os gatos. Não têm dono, andam por aí. Alguns aparecem, às vezes, com um lacinho ou uma campainha ao pescoço. Mas a natureza deles leva-os ao mesmo. Como dizia um amigo meu, que agora é advogado na Amareleja (uma bela terra), os gatos não são animais domésticos, são comensais. Além disso são uns alarves, não respeitam regra nenhuma que eles não queiram. Quando muito fazem contratos, com contrapartidas, em negociação permanente. E depois até parece que gozam connosco, enquanto andamos a arrancar ervas, eles refastelam-se ao sol, esperam com paciência até atacar no momento certo, em que levam um bocado de chouriço, um queijo ou uma cabeça de peixe, ou mais ainda, além de marcarem a presença com umas urinadelas fedorentas, (eles, elas são mais maviosas, sobretudo quando têm responsabilidades acrescidas, após o mês de Janeiro), apesar de preservarem muito o seu asseio. Mas com eles, desaparecem os ratos, as cobras e, sabe-se lá mais o quê.
É assim. Estes bichos já há muito que descobriram a Ecologia. Nós vamos também aprendendo com eles.

Diana Andringa na Biblioteca Pública de Évora

Recebi da Biblioteca Pública:


No próximo dia 26 de Março, Quinta-feira, pelas 21.30 horas, a Biblioteca Pública de Évora promove mais umas Leituras das Ciências, Artes e Sociedade. A área em foco é o Jornalismo, pela voz da reputada jornalista Diana Andringa.

Diana Andringa nasceu em 1947 em Angola e conta com um vasto currículo que lhe granjeou já diversos prémios pelo seu trabalho jornalístico e condecorações pela sua intervenção cívica. São exemplos os prémios "Nova Gente" de Jornalismo (1985), pelo trabalho sobre a guerra Irão/Iraque; o prémio de Jornalismo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (1993), pelo documentário "Aristides de Sousa Mendes, o Cônsul injustiçado" e ganhou uma Menção Honrosa no Prémio de Jornalismo “Direitos Humanos, Tolerância e Luta contra a Discriminação na Comunicação Social” do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (2006), por “Era uma vez um Arrastão”, documentário que analisa o comportamento da comunicação social e desmistifica o célebre acontecimento. Foi condecorada com Ordens nacionais por duas vezes, sendo Comendadora da Ordem do Infante e Grande Oficial da Ordem da Liberdade.
Foi jornalista em vários jornais e revistas como Vida Mundial ou Diário de Lisboa e exerceu cargos de importância na RTP, onde foi responsável por programas, realizou documentários e conduziu entrevistas, focando situações e personalidades de interesse.
Entre os muitos exemplos, abordou nos seus documentários o tema do 25 de Abril, a integração de Goa na República da Índia ou o regresso de Macau à administração chinesa; abordou personagens literárias como José Rodrigues Miguéis ou David Mourão Ferreira, e personagens políticas como Humberto Delgado ou Bento de Jesus Caraça, entre muitos outros.
As Leituras da Ciências, Artes e Sociedade integram-se num programa de longa duração que contou já com a participação de alguns dos nossos mais ilustres cientistas e divulgadores de ciência, como Paquete de Oliveira (Sociologia), Carlos Fiolhais (Física), Máximo Ferreira (Astronomia), Viriato Soromenho Marques (Ecologia), Daniel Sampaio (Psiquiatria) e Cláudio Torres (Arqueologia).
A sessão tem lugar às 21.30 horas na BPE e é de entrada livre, embora esteja sujeita a marcação. Para reservar o lugar basta proceder à inscrição on-line através do sítio da BPE em http://www.evora.net/BPE/ ou através do número de telefone 266 769 330.

O despertar da Primavera. No meu quintal





Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Não e sim. Eis a decisão.

Entrevista à Ministra da Educação.

Haverá mesmo penalização para quem não entregar os OI?
Pode haver ou não. Não é o ME que tem esse poder disciplinar sobre os professores.
[...]
Até mesmo Mário Nogueira reconhece que o professor não pode deixar os problemas à porta da sala de aula e, simultaneamente, lembra que as burocracias da avaliação dos docentes vão coincidir com o final do terceiro período.
O trabalho que se exige aos professores avaliados é, num momento inicial, a entrega dos Objectivos Individuais (OI) e, mais tarde, o preenchimento de uma ficha de auto-avaliação sobre o cumprimento desses OI. Depois, pode acontecer, ou não, uma reunião entre avaliadores e avaliados.
....
Jornal de Notícias, 18 de Maio
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1170558

Parlamento dos Jovens. Sessão distrital.









Ontem foi a sessão regional do Parlamento dos Jovens, em Évora. Havia propostas de onze escolas do distrito, cada uma representada por quatro alunos (deputados) e um suplente. Os deputados da E.S. Severim de Faria foram duplamente vencedores na sessão regional.
Foi aprovada a proposta feita pela turma de Ciência Política desta escola.
A escola ficou em primeiro lugar. Assim vão à Assembleia da República quatro representantes do distrito de Évora, os dois primeiros são da turma, João Zorrinho e José Benjamim.
Valeu a pena o esforço colectivo.
Das outras escolas houve também propostas muito interessantes.

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

E o Carnaval não tem que ser subversão?

Desenho de Goya


Escola terá de fazer o desfile pelas ruas
DREN contraria Conselho Pedagógico de Paredes de Coura na polémica sobre desfile de Carnaval

19.02.2009 - 18h52 Graça Barbosa Ribeiro
A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) contrariou hoje uma decisão do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura – que decidira fazer a festa de carnaval dentro do estabelecimento – e ordenou ao Conselho Executivo que convoque os professores para fazerem o desfile pelas ruas, amanhã à tarde.

“Tenho ordens para não falar, mas é impossível não reagir a esta desautorização da tutela em relação a uma decisão tomada em Conselho Pedagógico”, protestou a presidente do Conselho Executivo, Cecília Terleira, quando contactada pelo PÚBLICO.
Ontem à noite, os professores decidiram que, se após as explicações, a DREN mantivesse a ordem anteriormente dada através de correio electrónico, aceitariam participar no desfile, sob protesto, para não correrem o risco de ver demitida a presidente do Conselho Executivo.
“Vou fazer a convocatória, como foi acertado com os professores que, numa reunião marcada para hoje, poderão decidir manifestar, de alguma forma, o seu descontentamento”, disse Cecília Terleira.
A presidente do CE, que comentou que “os professores e os elementos dos órgãos de gestão da escola “estão em estado de choque com a falta de respeito da tutela por uma decisão tomada nos órgãos próprios”, sublinhou que o critério para o cancelamento do cortejo e de outras actividades foi suspender “apenas aquelas que não prejudicassem a aprendizagem dos alunos”.
Alegando falta de tempo – devido aos processos de eleição do Conselho Geral e do director e ao processo de avaliação – o Conselho Pedagógico decidiu terça-feira suspender algumas das 164 iniciativas que faziam parte dos planos de actividades. “Foram escolhidas apenas aquelas que não eram essenciais à aprendizagem e que, para além disso, eram promovidas fora do horário lectivo e não lectivo dos professores”, explicou Cecília Terleira.
Entre elas estava o cortejo de carnaval dos cerca de 400 alunos do pré-escolar e 1º ciclo do Ensino Básico que, decidiram os professores, festejariam o Carnaval mascarando-se e brincando nos respectivos estabelecimentos de ensino.
A decisão mereceu a imediata crítica da Câmara Municipal, de maioria socialista, e também da Associação de Pais, cujo presidente, Eduardo Bastos, disse ontem à noite à Lusa já ter “a informação, embora oficiosa”, de que iria “mesmo haver desfile”.

in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1365907&idCanal=58

Parece que está tudo invertido.
O que é o Carnaval? Ou o Entrudo como se costumava dizer?
O Carnaval para o ser, tem que ser subversão. É o direito a uma desordem tolerada por uns dias, para que o mundo se reordene novamente. O Carnaval é para pôr em causa as instituições, os vizinhos, gozar com os inimigos, inverter o mundo. É a época em que através do riso se põe a sociedade de pernas para o ar até se verem as coisas escondidas ou envergonhadas à espera de que alguém as veja.

A polémica está totalmente fora de sítio.

Nem a escola se deveria preocupar com o Carnaval, nem a Direcção Regional se deveria intrometer (é mesquinhice a mais ou então falta de sentido ético e político, controleirismo ou não ter mais nada que fazer).

Nem os professores se deveriam preocupar com isso. Ensinem que é a sua função. Um Conselho Pedagógico perde tempo com o Carnaval? Há convocatórias para o Carnaval, dentro ou fora, conforme os pequenos ditadores?
Recusem-se a fazer desfiles dentro ou fora. Se quiserem façam-no sem regras. E os alunos que o façam por si próprios.

E a Câmara Municipal? Quando muito criar algumas condições, e esperar que seja ridicularizada também.

E os pais? Querem Carnaval? Façam-no! Não esperem que outros trabalhem para eles. Quando muito deixem os miúdos fazer umas máscaras e protegerem-se dos ovos, da farinha e das alarvidades.

Também há pouco ouvi que o Ministério Público, num sítio qualquer, também quer proibir a utilização do "Magalhães" no Carnaval. Mas é o Ministério Público que manda agora, quer fazer o papel de um governo de segunda? Não tem mais nada que investigar? É função do Ministério Público fazer de Ministro do Interior do antigamente?

Mas que mania é esta de querer controlar tudo?

É, no mínimo, ridículo querer burocratizar e ordenar o Carnaval.

Eu, por mim, que até sou pacífico, quero aproveitar o Carnaval, e já que o Estado aprovou tolerância de ponto, espero que também me tolere esta vontade de pensar e dizer uns impropérios e mandar alguns aprendizes de feiticeiro para, pelo menos, irem à fava, mas sem estragar as favas que haveremos de comer com chouriço, ressalvadas as reservas em relação ao colesterol.

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

A preto e branco? Não

Recebi este mail:

VÊ ESTE VIDEO ANTES DE SER RETIRADO DA REDE


Atreve-se a falar verdade!!

O VIDEO É FALADO EM ÁRABE, MAS O TEXTO COM LEGENDAS EM INGLÊS. SE NÃO PERCEBERES BEM, PF PEDE QUE TE TRADUZAM, VALE MESMO A PENA! Aqui está uma poderosa e incrível declaração da televisão Al Jazeera. A mulher é WAFA Sultan, uma psicóloga árabe-americana de Los Angeles. Sugiro que vejas o mais rápido possível, porque eu não sei quanto tempo o link vai estar activo. É muito surpreendente que a estação de TV com patrocínio árabe permita transmitir esta entrevista. É muito poderoso, não tenho dúvidas de que ela tenha agora a sua cabeça a premio.
http://switch3.castup.net/cunet/gm.asp?ai=214&ar=1050wmv&ak

São meias verdades que revelam também algum desconhecimento, baseado em estereótipos.
Não vejo a Al Jazeera, mas sei que é um projecto com alguns anos, que tem conseguido alguma independência em relação a algumas ditaduras. Não apenas governos árabes têm tentado silenciar esta estação de televisão, como também o governo americano fez todos os possíveis.
Por isso, não me admira ver este debate na Al Jazzeera. Nos países muçulmanos com ditaduras também há quem se mexa. E é preciso que essas pessoas sejam apoiadas, sem paternalismos, nem hostilizações a tudo o que é árabe.
Lembremo-nos, e infelizmente a memória é muito curta, que passámos por uma longa ditadura, e que também muitos estrangeiros associavam os portugueses ao integrismo católico ultramontano e totalitário e ao colonialismo do regime de Salazar. Por cá também tivémos muitos com a cabeça a prémio, com prisões, torturas e assassinatos.
Lembremo-nos que muitos se esqueceram, particularmente após a queda da fascismo e do nazismo, que havia uma ditadura em Portugal. Muita gente da oposição tinha alguma esperança que as democracias europeias e os EUA fizessem algo que contribuísse para quem em Portugal também houvesse democracia e desenvolvimento. Foram também esperanças defraudadas.
Muita gente se esquece também desses emigrantes portugueses que fugiam à miséria, e dos exilados que fugiam a toda esta opressão.
É necessário ver os muçulmanos com outros olhos. Não são, certamente não serão a maior parte, uns fanáticos guiados por forças do mal (haverá também alguns, como por cá também existiram Salazares e Francos e ...). Como noutros lados, a maior parte querem viver em paz.

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Political compass

Hoje com os alunos de "Ciência Política" fizémos um teste muito interessante: "The political compass". Depois de responder a um conjunto de perguntas, temos um resultado que nos situa mais à esquerda ou mais à direita.
O teste tem um valor relativo mas leva as pessoas a reflectir.
Está em inglês ou castelhano em
http://www.politicalcompass.org/test

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Coragem

Coragem
Definição do Dicionário da Academia das Ciências: Força de espírito que leva a pessoa a vencer o medo, a enfrentar o perigo ou situação hostil …

Há quem diga por aí que a ministra da Educação tem coragem. Por acaso está em risco de perder o emprego, os professores ameaçam bater-lhe, alguém a quer torturar, está em risco de ser mobilizada para o Afeganistão …?

Não, a ministra não é corajosa (eventualmente até pode ser). É teimosa! E, teimosia, só por si, pode não ser uma qualidade. E teimosia, só por teimosia, não é admissível num ministro, que à letra, é um servidor do povo.

Como não é preciso ter muita coragem para resistir a este simplex e este estatuto dos professores. O que faz falta a alguns é persistência. Se desistem e se sentem mal, podem voltar atrás. Não é preciso ter coragem, só um pouco de coerência.

Coragem é o que relatam Irene Pimental e Diana Andringa no blogue Caminhos da Memória, http://caminhosdamemoria.wordpress.com/ .

Vale a pena ler:
"Tortura" :http://caminhosdamemoria.files.wordpress.com/2009/02/tortura_irenepimentel.pdf
e "Falar" na Polícia :
http://caminhosdamemoria.files.wordpress.com/2009/01/falar_dandringa1.pdf

Candidato a Malhador

http://oblog.com.br/asttro/wp-content/uploads/Eleicoes2008WilsonDoSacoTorto_A8F0/eleicoes2008wilsonsacotorto.jpg

Malhador

Guerra Colonial

Está já acessível o sítio Guerra Colonial, onde podem ser consultados textos, fotografias, filmes etc. sobre as guerras coloniais em Angola, Moçambique e Guiné.

E já que se está em maré de revisão das qualidades de Salazar, é de lembrar a célebre ordem que deu ao exército português na Índia:
"Só soldados vitoriosos ou mortos". E alguns meses depois:
"Para Angola e em Força"

Será que na série sobre as mulheres de Salazar também vão falar das viúvas das guerras coloniais?

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Sobre a luta dos professores

Continuo com a questão das palavras. As palavras, sobretudo quando há compromissos, não devem ser gastas pela repetição que as pode levar à banalidade.
O momento não é fácil. Há quem ceda a pequenas migalhas e chantagens. Não se pode ir atrás de alguns só porque alguns cedem. Esta luta é colectiva e é individual. Da perseverança de cada um pode resultar um triunfo para todos. A palavra de ordem é resistir, com ou sem alarido.

Anti-parlamentarismo

Palavras de Salazar, inscritas numa das poucas entrevistas que deu, e a maior de todas, publicada em livro, revisto por ele próprio e com prefácio também do entrevistado, que ele não era para menos.
Anti-parlamentarismo

Atiro mais uma flecha:
- Ha quem atribua o seu anti-parlamentarismo ao seu feitio aparentemente concentrado, ao seu horror dos discursos... Ha até quem o desafie para S. Bento: «Eu queria vê-lo diante duma interpelação de Fulano, de Beltrano, de Sicrano ... » Ha outros, tambem, que desabafam, de quando em quando, com esta ameaça platonica: «Ah! Se não houvesse censura ... »
E Salazar, num murmurio, com orgulhosa humildade:
- Talvez tenham razão ... Venciam-me, com certeza ... ainda que a gente habitua-se a tudo, mesmo a não fazer nada, sendo trabalhador - e alteando a voz a pouco e pouco - Eu sou, de facto, profundamente anti-parlamentar porque detesto os discursos ôcos, palavrosos, as interpelações vistosas e vazias, a exploração das paixões não à volta duma grande ideia, mas de futilidades, de vaidades, de nadas sob o ponto de vista do interesse nacional. O Parlamento assusta-me tanto que chego a ter receio, se bem que reconheça a sua necessidade, daquele que ha-de sair do novo estatuto. Sempre são três meses, em cada ano, em que é preciso estar atento aos debates parlamentares, onde poderá haver, e claro, boas sugestões, mas onde haverá sempre muitas frases, muitas palavras. Para pequeno parlamento - e esse util e produtivo, como no caso actual- basta-me o Conselho de Ministros ...
FERRO, António- Salazar .... pp.141 e 142 op. cit.
Sublinhados nossos

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

No tempo em que se malhava mais, ou se davam alguns safanões.

E o dr. Salazar, como quem não dá importancia ao pormenor:
- Quero informá-lo, no entanto, de que se chegou à conclusão de que os presos maltratados eram sempre, ou quasi sempre, temíveis bombistas que se recusavam a confessar, apesar de todas as habilidades da Policia, onde tinham escondidas as suas armas criminosas e mortais. […] E eu pergunto a mim proprio, continuando a reprimir tais abusos, se a vida de algumas crianças indefesas não vale bem, não justifica largamente, meia dúzia de safanões a tempo nessas criaturas sinistras …

FERRO, Antonio, 1896-1956 Salazar: o homem e a sua obra / António Ferro, pref. de Oliveira Salazar. - Lisboa : Emp. Nac. de Publicidade, imp. 1933, pág 82
Nota: manteve-se a grafia da época, com menos acentos do que hoje. Sublinhados nossos.

O Malhão

in http://www.casaruibarbosa.gov.br/omalho/revistas/1919/875/c1.jpg


«Eu cá gosto é de malhar na direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam, de facto, à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheci na minha vida, e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique. Refiro-me, obviamente, ao PCP e ao Bloco de Esquerda».

Santos Silva, 5 de Fevereiro de 2009

Nota: Não é o primeiro a utilizar a mesma linguagem que usava quando era da extrema-esquerda

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

As mulheres de Salazar


Agora parece que está numa certa moda falar das habilidades de sedução de Salazar em relação às mulheres.

Ora Salazar toda a vida tentou provar que era casto. Foi seminarista, obedeceu o mais que pôde à madrinha que queria que ele fosse padre, quis devotar-se à Nação dele como se fosse sua mãe e Nossa Senhora de Fátima ao mesmo tempo, nunca quis casar, arranjou uma governanta da província pouco dada à beleza para servir num palácio, antigo convento, onde o único aquecimento era a sua manta e as suas botas. O seu grande amigo, desde o seminário e Coimbra, foi sempre o Cardeal Cerejeira, amigo, como ele, de todas as ditaduras que mantivessem Deus, Pátria e a Família e, claro, a sua Ordem como antes da Revolução Francesa. Tentou a todo o custo que as mulheres não votassem, a não ser as que tivessem frequentado o liceu, às quais diligentemente se tentava interpor todas os possíveis impedimentos. As professoras primárias só podiam casar com autorização do Estado, as enfermeiras eram impedidas de casar, as mulheres casadas não podiam sair sem autorização do marido…

É certo que sempre houve mulheres para tudo, tal como há homens para tudo, para todos os gostos.

Mas Salazar!?
Ele dizia que não queria casar, só com a Pátria dele. Está bem que o homem dizia que era sempre honesto, mas também pregou algumas mentirinhas. Mandou matar o Humberto Delgado e disse que tinha sido a oposição. Mandou prender umas dezenas de milhares de pessoas, mandou torturar ainda mais umas dezenas de milhares e dizia que eram só umas chamadas de atenção, deixou o país numa miséria, mas numa pobreza honrada e com o pessoal analfabeto a fugir para França.

Agora mulheres? Tanto me faz que o homem tenha sido casto ou não. Ter relações sexuais é o que fazem biliões de homens e mulheres, não é nenhuma proeza especial nem uma qualidade excepcional. Mas ele tentou sempre demonstrar que era tão casto como qualquer santo após o Concílio de Trento. Perdoem-lhe outras mentirinhas, mas não desmintam um homem que toda a vida lutou pela misoginia e que nunca se envergonhou de defender os ideais dos tempos da Inquisição e do Ultramontanismo.

Haja respeito! (como no tempo de Salazar!?!?...)
Nota: As mulheres de Salazar são sobretudo as mulheres do Couço, as enfermeiras presas, as militantes, as que ficaram viúvas, e tantas outras, com retrata Irene Pimentel no livro cuja imagem aparece acima. E também aquelas que não podiam estudar, que não saíam de casa, as que trabalhavam todo o dia e de noite também ...

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

"British jobs for British workers"

in http://leatherhead.files.wordpress.com/2008/02/illegal-immigrants.jpg
"British jobs for British workers", disse Gordon Brown.
Agora há sindicatos ingleses que o repetem. Trabalhadores portugueses e italianos tiveram que se vir embora.
Mas afinal não estamos na União Europeia da livre circulação de pessoas? Gordon Brown não é herdeiro do internacionalismo do Partido Trabalhista (com tradição sindicalista) e da Internacional Socialista?
Se isto não é xenofobia, então o que é?

Deveríamos perguntar à embaixada do Reino Unido, o que é que o seu primeiro-ministro quis dizer com isto.
A embaixada tem o seguinte e-mail:
ppa.lisbon@fco.gov.uk

Imigração, turismo e outras coisas

Evidentemente não fico satisfeito de encontrar esta degradação no centro de uma cidade francesa, Perpignan, nem imagens como esta e outras piores, bem próximo da zona de negócios e turismo, a cidade limpa e ordenada. Aqui habitam outros franceses, de origem norte-africana, ciganos franceses e alguns estrangeiros. Não tirei muito mais fotografias por respeito aos que lá vivem, que de miséria já estão fartos, quanto mais verem estampados os seus rostos para contento de apreciadores de imagens exóticas.
A Europa também é isto.