terça-feira, 20 de outubro de 2009

O sexo e as religiões



Museu em Rodes


Nem sempre o sexo não abençoado foi uma proibição.

É nas religiões do Livro, isto é, no Judaísmo, Cristianismo e Islamismo que elas são mais rigorosas.
Mesmo assim há diferenças dentro delas. Há, apesar de tudo, uma diferença enorme entre o wahabismo da Arábia Saudita ou as práticas de países como Marrocos ou a Síria. Nas "Mil e uma Noites", do tempo do califa Harun Al Rashid, em Bagdad o ambiente é relativamente liberal. O cristianismo ortodoxo grego parece-me mais conservador que o católico. E quanto a judaísmo há também de tudo.

É também preciso ter em conta que os textos podem ser levados mais a sério numas épocas do que noutras. Por exemplo, na Idade Média, mesmo em Portugal, as proibições eram vistas mais como um ideal. Basta ver que raro era o rei, nobre, bispo que não tinha filhos fora do casamento. D. João I não era filho ilegítimo e o seu principal apoiante, Nuno Álvares Pereira era um dos muitos filhos do Prior do Crato. Basta ler as cantigas de escárnio, cantadas na corte, que ainda fazem corar muita gente hoje, ou as histórias do Decameron, extremamente explícitas.
Mesmo na Idade Média islâmica andaluza (também nossa) os poetas continuavam a celebrizar o corpo (e os prazeres do vinho também).
Roma no século XVI era a cidade da Europa que tinha mais prostitutas que pagavam imposto ao Papa e se Alexandre VI (Bórgia) e seus filhos ficaram conhecidos pelos escândalos, não eram os únicos.
Mais intransigentes era os calvinistas nas suas diversas formas. Os puritanos de Cromwell proibiram até o teatro na Inglaterra e quase tudo o que não fosse trabalho e oração. E não foi só a Inquisição que matou bruxas (esta especializava-se mais em judeus), uma atitude que revela um fundo misógino. Por quase toda a Europa protestante e América se fizeram fogueiras com elas.
Diferentes eram as religiões da Antiguidade Clássica. Afrodite (Vénus) "traía" Vulcano com Ares (Marte) e não tinha medo de esconder a sua beleza; alguns como Zeus gostavam de mulheres terrenas.
Os gregos clássicos celebrizavam o corpo humano, sobretudo o masculino e não tinham medo do nu.
Mas no final do Império Romano, quando o cristianismo se torna religião oficial tentou destruir-se tudo o que simbolizava paganismo e o corpo passou a ser pecado.
A seguir veio Maomé que aprendeu com judeus e cristãos.

Um comentário:

Alexandre disse...

Por dar o fogo dos deuses aos homens, distinguindo-os de todos os outros animais, Prometeu foi mandado acorrentar por Zeus no alto do monte Cáucaso para que o seu fígado fosse gulosamente debicado por um corvo (águia? abutre?). Repare-se que Prometeu era neto de Oceanus, filho de Urano que, por sua vez era filho da Terra (no fundo, vigoram relações endogâmicas uma vez que todos são parentes uns dos outros). Veja-se a promiscuidade da coisa que, do ponto de vista sexual, está sempre presente pelas aparições de Zeus na cama de toda a sorte de deusas e mulheres para conceber filhos ilegítimos (na literatura, são relatadas autênticas violações). E Afrodite, enfim, nasce da fecundação dos testículos de Urano com o mar, depois de castrado pelo seu próprio filho, Cronos. Regressando a Prometeu, podemos aqui identificar uma representação da racionalidade humana (o uso do fogo) por comparação com a irracionalidade dos outros animais. E o castigo de Zeus a Prometeu? Parece mais indiciar um «toma lá disto, para não te armares em espertinho...»