domingo, 17 de fevereiro de 2008

Lembremo-nos

Antes de começar lembro-me da história da rã e da panela.
Um "experto", experimentou a lançar uma rã para dentro de uma panela com água quente. Como é óbvio a rã saltou. Ninguém, nem mesmo um ser menos racional gosta de um escaldão sem mais nem menos. O experto tentou de outra maneira: mandou a rã para a água fria, isto é para uma água mais ou menos pantanosa mas com uma temperatura próximo do razoável. Para a rã, convenhamos.
Digamos que a experiência não foi feita por um professor de Biologia de Castelo Branco, esperto, alguma coisa em Biologia e vereador em certos intervalos em Penamacor. A experiência é mais antiga, é do tempo em que os escritores traduziam fábulas de tempos antigos.
Ora a rã deixou-se ficar na tal água mais ou menos mal cheirosa. Mas o experto, que tinha aprendido e agora ensinava uns cursos sobre avaliação, acendeu um bico de Buzen por baixo da panela que continuava com a tal água mais ou menos mal cheirosa, com um pouco mais de metano, que o tempo estava a passar.
A chama meio luminosa começou a fazer o seu trabalho planificado. E a água mal cheirosa começou a aquecer, lentamente. E a rã mergulhava e nem sentia o metano, nem nada, nem queria saber do sapo que era um grande malandrão. Além disso, o sapo nem tinha andado nos laboratórios da Faculdade de Ciências de Lisboa nem sequer ensinava em cursos sobre como se devia nadar, segundo os parâmetros pseudo-europeus de segunda classe nem tinha feito doutoramentos sobre engenheiros. E a água foi aquecendo e parecia menos fétida, ou mais ou menos, a rã esbracejava antes do tempo, esbracejava mas dava-lhe sono, esbracejava e tinha calores, já não esbracejava e falava do tempo e de qualquer coisa vaga que a incomodava e depois já não esbracejava nem falava do tempo que aquecia e depois já nem falava nem se mexia. Nem teve tempo para aprender inglês técnico nem fazer projectos com marquises.
E morreu cozida!
Agora uma parte do rol.
Lembremo-nos do que custou aos professores terem um estatuto, um Estatuto da Carreira Docente. Foram muitos anos de luta que começou antes do 25 de Abril. Veio este governo e perverteu-o de alto a baixo.
Lembram-se das aulas de 50 minutos? Por que é que não havemos de repensar estes tempos? Quando numa disciplina, por exemplo História no 7º ano, só há 90 minutos por semana, será que os professores podem cumprir algum programa e conseguir que os alunos tenham todas essas competências?
Alguém se lembra de quando não havia aulas supervenientes?
E de quando não se estava em parada, a ver passar o tempo, sem aulas de substituição?
E quando se pressupunha que por cada hora lectiva deveria haver uma para preparar (só por isso é que os professores tinham 22 horas, no tempo em que o horário normal de trabalho era de 44 horas)?
E de quando faziam uma visita de estudo que tinham que preparar não sei quanto tempo antes e estar com os alunos não sei quanto tempo durante e depois, mas não tinham que andar a fazer permutas?
E de quando tinham reduções a partir de certa idade, depois de muitos anos à espera, num Estado em quem confiavam e não confundiam com um canalha qualquer?
E de quando os professores pensavam que podiam ir até ao 10º escalão?
....
E de quando havia algum bom senso?
E ... ?

2 comentários:

josé manuel chorão disse...

Na minha opinião, esta gentinha que nos (des)governa quer fazer uma Escola à imagem do seu próprio saber (ou falta dele); basta que nos lembremos do pseudo-curso de Engenharia do "senhor" Pinto de Sousa: não interessa se sabe se não, interessa é ostentar o título;do mesmo modo querem construir uma Escola que forneça um saber 'de aparências feito', em que não importa se se sabe ou não, contam apenas as estatísticas para mostrar à Europa; estão a dar cabo da boa escola e a construir uma coisa que nem os mais ingénuos ou ignorantes poderão considerar como transmissora de saber ou cultura.
Cada povo tem a escola que merece, dizem; e também tem os (des)governantes que merece, digo eu.

setora disse...

E já agora os professores que merece, que se deixam cozer no caldeirão. Ou será no tacho?