segunda-feira, 1 de março de 2010
Uma perspectiva pessoal sobre a Madeira
Tive a feliz oportunidade de conhecer a Madeira, pela primeira vez em 1974. Foi na viagem de finalistas do 7º ano do liceu em 1974, pouco antes do 25 de Abril. Não era fácil ir lá nessa altura, num país extremamente pobre como o nosso. A Madeira era contraditória. Pela primeira vez fui a uma discoteca, coisa que não havia em Évora, nem na maior parte do país, fui levado a sítios numa perspectiva de turista. Mas vi também uma pobreza muito grande, sobretudo em Câmara de Lobos. Há poucos anos, numa viagem organizada por amigos da Madeira, apercebi-me melhor, no terreno, das dificuldades imensas dos camponeses que iam até às vilas e ao Funchal, a pé, carregando às costas, descendo e depois subindo por caminhos íngremes, a pé, porque em muitos nem um burro passava, ou nem sequer tinham um animal de carga para levar as coisas que vendiam no mercado, em troca de pouco para o dia a dia. As comunicações eram feitas por essas encostas e depois pelo mar, as estradas que havia eram estreitas e perigosas. Ainda por cima esses camponeses tinham que pagar colonia, uma prestação feudal, semelhante ou pior que os foros que se pagavam no continente, abolidos depois do 25 de Abril. A vida destas famílias tinha muitas semelhanças com a exploração colonial.
Os madeirenses não eram (ainda não são) muito politizados, mas são activos. Emigraram (e ainda emigram, como grande parte do país) para a África do Sul, Venezuela, ilhas inglesas…, como antes foram para os colonatos de Angola. A sua persistência e habilidade são conhecidas, desde a antiga especialidade em fazerem levadas, que levou até a que Afonso de Albuquerque pensasse neles para desviar o curso do Nilo a fim de secar o Egipto, até aos empresários e especuladores conhecidos ou aos inúmeros pequenos comerciantes e industriais em países de emigração.
Alberto João Jardim percebeu esta gente e usou de todas as tácticas que aprendeu durante a guerra colonial, fazendo guerrilha e contra-guerrilha palavrosas, em nome de um desenvolvimento, com um discurso contra o Estado, contra elites, promovendo um estado clientelar em aliança com a Igreja, paternalista, pragmaticamente repressivo. Tornou-se um líder carismático, populista e creio que até é sincero nas suas convicções, embora o seu discurso seja contraditório e tenha forjado novos clientes do Estado. Mas não se preocupa com incoerências, porque a guerrilha permanente é o essencial para obter mais. Muitos acreditam nele, até porque o vêem no terreno, bebem uns copos, nas festas, no Carnaval. Ele está e outros não, por motivos vários, e os outros são outros em quem não se confia, tal como os camponeses não confiam em quem está distante e não é da terra. Alguém que andou descalço, emigrou para a Venezuela, chegou e viu uma festa com um líder a beber uns copos, com charutos e abraços e umas alarvidades, acredita no discurso da Joana Amaral Dias, que continua com ar de "menina fina", de Lisboa? É mais fácil acreditar naquele que fez umas estradas, promoveu umas festas à chegada daqueles que lutaram uma vida inteira. Quer tenha ou não razão. Certas elites portuguesas não compreendem isto, à direita ou à esquerda. Ou cedem cobardemente ou dão lições a quem não os ouve e na hora imprópria como hoje. As pessoas que estão desesperadas não estão para ouvir discursos de culpas. Elas ouvem quem está no terreno e faz alguma coisa, mesmo mal feita.
Felizmente há um sentimento nacional de solidariedade. E é isso que interessa neste momento. Esperemos, e tenho dúvidas, que a reconstrução não privilegie os lugares de turismo imediato e que seja feita uma avaliação dos erros para que não se cometam os mesmos depois, até porque a Madeira não é apenas um problema dos madeirenses. Mas tem que começar pelos madeirenses, e eles têm capacidade de reconstruir.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Escutas em restaurantes
Confesso que não me informei devidamente sobre a matéria e que pouco me interessa o que classifico à partida, salvo melhor informação, como baixa política.
Não gosto da política deste primeiro-ministro, nem simpatizo pessoalmente com ele, nem sequer gosto das técnicas do discurso usadas, mais parecidas com as de um vendedor em que falta autenticidade. Socorro-me, a propósito, de um exemplo de homem da política para explicar melhor:
Churchill era conservador, arrogante, colonialista, coisas de que não gosto, mas soube fazer frente ao nazismo não hesitando em fazer alianças com regimes que até tinha combatido. Tinha convicções e soube escolher. Mas não era nada inocente. Hoje nem na Inglaterra nem na maior parte do mundo ocidental seria escolhido, porque tinha defeitos que actualmente não são tolerados: fumava insistentemente charutos caros, comia e bebia demais e certamente diria algumas asneiras durante os almoços. Aí apraz-me ver que se apresentava como humano.
Vem isto a propósito de um escândalo que anda por aí porque o primeiro-ministro num almoço com amigos disse umas coisas e um jornalista ouviu, escreveu uma crónica que não foi publicada, mas foi publicada, e mais o diz que disse, mais a vitimização e etc. etc. Para já, acho que há alguma falta de pudor até em ir para um restaurante ouvir as conversas dos outros. Eu, por mim, quando vou a um restaurante ou a uma tasca, esqueço-me momentaneamente da conta que irei pagar e quero é gozar o que como e bebo e as conversas com os amigos e, se calhar, digo e oiço também algumas alarvidades, com algum respeito pelos que estão à volta, mas sem pensar nas virgens impolutas que não podem, pelo menos nestes lugares, ouvir palavras menos sacrossantas, com os seus ouvidos atentos. Como ao telefone com amigos, se me apetecer também falo mal dos juízes, dos polícias, dos padres, das freiras, dos parvos e até dos amigos. Certamente há coisas que digo em privado mas que não escreverei nem direi em lugares oficiais. Faz parte da liberdade pessoal e ninguém tem nada a ver com isso, nem um sistema judicial que se deve reportar às suas funções e ser eficaz, que é para isso que os cidadãos pagam impostos, e não deixar escapadelas fora do contexto.
Num país que durante 48 anos se aguentou com bufos e pides, aldrabões de vária ordem armados em puritanos, que deixaram este país na maior miséria da Europa até 74, custa-me a sobrevalorização das escutas, as fugas parciais e a conta-gotas em momentos estrategicamente determinados por poderes que não dão a cara.
As coisas têm que ser provadas com factos, com uma justiça célere, em que o objectivo seja a preservação do bem público e não a coscuvilhice que deixa marcas e suspeitas. Que o primeiro-ministro, o presidente da República, o arcebispo, o juiz ou outro qualquer arrotem, pouco me incomoda, desde que não cheire demasiado. O que me preocupa é a política que fazem, excepto a do arcebispo que deve é cuidar de outras coisas num Estado laico ou o juiz que faça Justiça.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Misticismos e mitos fundadores nas Astúrias
O reino das Astúrias foi o primeiro reino da chamada reconquista cristão face ao poder islâmico. Entraram facilmente os muçulmanos em 711 na Península (a Hispania ou as Espanhas) e até com apoios locais ou pelo menos com a aquiescência de muitos povos que preferiram o poder dos novos senhores menos opressivos que os descendentes dos visigodos em guerras civis constantes. Afinal, estes novos senhores nem sequer eram assim tão estranhos pois quando aqui chegaram eram herdeiros e continuadores das culturas e civilizações do Mediterrâneo, de vastos territórios do Império Romano, cristianizados antes, como a Síria (recordemos o grande impulsionador do cristianismo, S. Paulo que se converteu na estrada de Damasco), Palestina, Egipto e restante Norte de África, por sua vez herdeiros da cultura helenística e de outras mais antigas que se foram mesclando. Linguagens e saberes, formas de estar comuns à maioria da Península, com algumas excepções como as montanhas do Norte, onde até hoje resistiram línguas milenares como o basco. Erroneamente chamam-lhes árabes, tomando a parte pelo todo, pois que muitos eram de outras partes do novo império, sírios por exemplo ou mouros berberes do Magrebe, muitos recentemente convertidos, passando directamente do cristianismo (monofisita em particular) para o islamismo.
A civilização islâmica era essencialmente de cariz urbano e comercial, com uma agricultura e artesanato inovadores direccionados essencialmente para o mercado. Por isso, a esses novos senhores interessavam sobretudo as cidades do Sul, os terrenos agrícolas onde antes havia villae romanas ou alguns territórios produtivos do Norte como a antiga Galaecia romana, que incluía parte de Portugal. Tal como os romanos foram deixando os montanheses mais ou menos auto governados, até porque estes montanheses sóbrios eram guerrilheiros que davam trabalho a submeter.
É neste contexto que se forma o primeiro reino asturiano que ao longo de séculos vai dar origem aos reinos de Leão, Castela, Portugal… que vão reivindicar a memória visigótica e o cristianismo, erguendo a Cruz (in hoc signo vinces) e o apóstolo Santiago, que se há-de transformar em Mata Mouros.
O pai, o rei fundador, é Pelágio das Astúrias, de onde descendem os monarcas destes reinos, entre os quais o nosso, embora o primeiro rei de Portugal seja filho de um francês ou melhor dizendo de um borgonhês, que Borgonha foi uma potência até ao início do Renascimento.
Pelágio venceu os muçulmanos na batalha de Covadonga e fez de Cangas de Ónis a capital do reino rebelde. Quem foi, não se sabe bem. É possível que primeiro tenha sido vassalo do poder islâmico e que se tenha revoltado em 722. Como vassalos do Califado de Córdova foram posteriormente alguns reis e senhores cristãos, embora nem sempre obedientes. Alianças e desavenças eram constantes. Recorde-se por exemplo, séculos mais tarde, D. Afonso Henriques ao tentar conquistar Badalhouce (Badajoz) teve que fugir, mas foi preso e partiu uma perna, porque o seu primo, tão cristão como ele, Fernando de Leão, veio em auxílio dos muçulmanos de Badajoz, ou o mítico Giraldo que conquistou Évora mas se passou para o lado dos muçulmanos, tendo sido morto em Marrocos.
E é a partir do Reino das Astúrias que se inicia a "Reconquista"cristã. Curiosamente uma das regiões menos cristianizadas na época, onde conviviam práticas cristãs (e Roma ou Constantinopla ficavam muito longe) e Toledo era domínio muçulmano), com práticas pagãs de religiões ancestrais.
Covadonga é um lugar místico. Inserida numa área de altas montanhas que descem abruptamente até ao mar é nela que aparece uma Nossa Senhora, como antes já tinha aparecido uma deusa, numa gruta de onde jorra água. Grutas e fontes são sempre símbolos femininos e estão sempre associadas a divindades femininas, desde a Deusa Mãe, que tantas vezes mudou de religião. Acrescentem-se outros elementos misterioso e telúricos como as montanhas, a neve e o nevoeiro que levam os homens a sentir a sua pequenez, o fraco, transitório e fugaz poder e temos todo um ambiente mágico e perturbador, que nos leva ao confronto connosco e com a Natureza e ao prazer dionisíaco da nossa matriz selvagem (de silvis, oposto à civilização) e pagã.
O mito popular tornou-se mito fundador e legitimador dos novos reinos. É constantemente reinterpretado e usado, novamente a partir do século XIX pelo nacionalismo espanhol (contra a fragmentação perturbadora de outros nacionalismos primeiro românticos e depois eficazes, como o catalão ou o basco) e pelo catolicismo ultramontano, contra as correntes ateístas e agnósticas ou reformadoras da nova sociedade industrial, exacerbadas pelo franquismo que venceu a luta entre a “Espanha Vermelha” contra a “Espanha Negra”.
Hoje o turismo e a modernidade reabsorvem todas estas contradições que são aliás inerentes aos mitos. E as montanhas restituem-nos esse ideal de pureza ainda não conspurcada.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Crónica biscainha, ou impressões do País Basco
(esta já é na Cantábria)
Estive há dias em Bilbau. Ideias anteriores havia muitas. Queria ver o Museu Guggenheim e pouco mais. Imaginava uma cidade rica, mas um pouco escura, fruto da Revolução Industrial, coisa rara na Península Ibérica. Do País Basco já tinha algumas imagens visuais, uma antiga, em que ao passar por lá em Setembro, nos anos setenta ainda, por estradas entre montanhas, verdes sempre, porque sempre chovia, depois de atravessar uma Espanha semidesértica, S. Sebastian foi em tempos uma revelação: montanhas, mar e rio, numa cidade viva. Hei-de lá voltar um dia, embora tenha passado ao lado várias vezes. Outras vezes também atravessei na auto-estrada e vi cidades mal construídas à beira da estrada, com chaminés fumegantes. Há dois anos até, entrei num bar, perto de Donostia (S. Sebastian) e, sinceramente, fiquei mal impressionado: cheiro a fritos, um barulho impressionante para quem chega de França, papéis e beatas no chão, dois polícias bascos com ar ostensivo, com pistolas bem à vista.
As impressões são míticas e ideológicas e contraditórias. Há muito que simpatizo com os ideais de resistência de muitos bascos, a sua persistência na manutenção da identidade, embora muito dessa identidade tenha sido reconstruída a partir do século XIX, mais ainda que a catalã. Impressiona-me ainda a resistência basca durante a Guerra Civil, a luta contra um dos piores fascismos da Europa (o franquismo massacrou muito mais gente que o fascismo italiano e durou muito mais tempo; décadas, uma vergonha para a democracia). Até os padres bascos foram fuzilados em massa, crime perpetrado por um regime que se proclamava católico, mas que não hesitava em usar tropas mouras para chacinar espanhóis, apesar de usar uma ideologia de cruzada contra os mouros em nome da fé católica.
Hoje continua a ETA que força a identificação do País Basco com a sua actividade. Esta organização mudou ao longo dos tempos e hoje está longe do que em tempos foi, assumindo práticas bombistas até contra incautos e inocentes e práticas até xenófobas.
Mas deixemos isso. Gostei de Bilbau! Gostei do atrevimento arquitectónico do museu Guggenheim e de outros edifícios e espaços modernos, também uma mostra de um nacionalismo e cosmopolitismo basco que não precisa do poder central.
E gostei do movimento das ruas de Bilbau, tanto da novíssima Bilbau, como da Bilbau do século XIX em diante, como do “casco” velho que continua vivo e vivido. Em poucas horas experimentei a simpatia dos bascos, em pequenos episódios. Vinha eu de Santander (Cantábria) quando um camião soltou uma pedra para o vidro do pára-brisas. Fiquei preocupado, porque existe a possibilidade das estrias irem alargando. Por um engano qualquer, daqueles que acontecem aos viajantes, fui parar a uma zona industrial. Parei numa oficina e o empregado ou patrão imediatamente me indicou outra oficina onde reparavam vidros com uma resina própria; fui a essa e também um empregado simpático disse-me que não havia problemas e entretanto deu-me outras indicações sobre Bilbau. Mais tarde, depois do Guggenheim e cidade nova fui à cidade antiga, visitei várias coisas entre as quais a catedral e Plaza Mayor, vi uma manifestação com frases em basco que evidentemente não percebi (mas pareceu-me que era sobre presos), um início de desfile de Carnaval, uma tapas que provei e, pensei comprar uma “mítica” boina basca (que afinal não é como as boinas militares). Dirigi-me a uns senhores dos seus setenta e perguntei-lhes onde poderia encontrar. Tinham algumas dúvidas sobre o local mais indicado, discutiram entre dúvidas, explicaram-me que havia vários tipos e lá me deram indicações. Não encontrei logo a loja mas, entretanto vi outro senhor à entrada de uma loja de roupas (percebi que a mulher estava lá dentro e ele um pouco enfastiado. Acompanhou-me durante um quarteirão até mostrar onde havia e, de acordo com as informações dos outros e dele, lá comprei uma boina “Tchapela Elósegui”.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Fotografia de 1933/44
Encontrei esta fotografia no Facebook, na página dos Antigos Alunos do Liceu de Évora. É interessante ver a evolução destas fotografias. São quase sempre no claustro, onde hoje é a Universidade e onde foi a antiga Universidade dos Jesuítas, na escadaria, tendo como fundo a Sala dos Actos e as colunas. Em muitas delas aparece o Reitor, professores, um ou dois funcionários, entre os quais o senhor Francisco, chefe dos contínuos, o homem que tocava a sineta para o início e fim das aulas, sempre solícito e prestável, encarregado de educação de muitos estudantes deste Alentejo. As fotografias são formais, mas a formalidade evolui com o tempo. Em tempos mais antigos, os rapazes tinham que andar de capa e batina, as raparigas com vestuário discreto. Mais tarde as raparigas usam bata e os rapazes vão ficando com o vestuário quotidiano. Tudo evolui, do vestuário ao penteado, até à pose menos formal, com a banalização da fotografia, já nos finais do regime.
Esta fotografia é de 1933/34. Ano terrível da História da Europa, com a ascensão do nazismo, com a implantação do Estado Novo em Portugal, formalizado por uma constituição corporativista, o Estatuto do Trabalho Nacional, com a fascização dos sindicatos, o Acto Colonial, com a “missão civilizadora”, que dividia as gentes das colónias em portugueses, assimilados e indígenas …
O Liceu de Évora, ainda chamado Liceu Central André de Gouveia, era o único do distrito, mas atraía alunos de outros, de concelhos de Portalegre ou de Beja. Poucos! O ensino era ainda elitista, a maior parte não estudava ainda. Recorde-se que por essa altura havia mais de 50% de analfabetos, quanto mais alunos nos liceus. Neste edifício funcionava no claustro do rés-do-chão, o Liceu, no segundo andar a Escola Técnica, evolução a partir da Casa Pia, que se situava num segundo claustro e ainda existiam outros serviços, como o Arquivo Distrital. Assim se resumia o ensino secundário oficial no distrito! Para diferenciar, os alunos do Liceu eram obrigados a andar de capa e batina.
Esta fotografia emocionou-me porque está ali o meu pai, o primeiro do lado esquerdo, por baixo da coluna. E está ali, porque havia uma família solidária, de outro modo não teria estudado. Um tio e duas tias, irmãs da minha avó, moravam em Évora, onde tinham uma loja de fazendas na Praça do Giraldo. Protegeram os sobrinhos, sobretudo sobrinhas que foram estudando em Évora, alugaram quartos a parentes que também foram estudar. Uma das tias achou que o meu pai também merecia e foi assim que veio para esta cidade.
Na fotografia está também um antigo ministro da Justiça e professor de Direito, Antunes Varela, natural do Ervedal. Foi colega do meu pai desde a escola primária. Outra história que relembra também a solidariedade familiar. Os meus avós viviam no Cano, concelho de Sousel. Havia algumas dificuldades em os alunos da escola primária fazerem a 4ª classe. O ensino obrigatório, e não era obrigatório para todos, ia até à 3ª classe. Segundo consta, o professor primário do Cano estava zangado com o de Sousel, onde os alunos do concelho fariam exame da 4ª classe. Uma tia, desta vez, do lado paterno, casada mas sem filhos, levou o meu pai para a escola primária do Ervedal. Era a mais velha dos irmãos e já tinha ajudado alguns deles a obter uma profissão (ao que parece o meu bisavô era bem disposto, mas não demasiado preocupado).
E foi assim que o meu pai veio parar a esta fotografia.
domingo, 24 de janeiro de 2010
O rio e os homens
Em 2007 foi publicado este livro pela Câmara Municipal de Mértola, fruto de um trabalho que fiz até 2000.
Como já existem poucos exemplares, resolvi colocá-lo também aqui. O pdf não é de grande qualidade e foi o último que me mandaram antes da revisão final, com algumas gralhas. Por isso também as imagens (no final) têm uma qualidade menos boa.
Quem quiser ler ou fazer um download, basta carregar em:
http://www.scribd.com/doc/25722704/O-rio-e-os-homens-a-comunidade-ribeirinha-de-Mertola
Como já existem poucos exemplares, resolvi colocá-lo também aqui. O pdf não é de grande qualidade e foi o último que me mandaram antes da revisão final, com algumas gralhas. Por isso também as imagens (no final) têm uma qualidade menos boa.
Quem quiser ler ou fazer um download, basta carregar em:
http://www.scribd.com/doc/25722704/O-rio-e-os-homens-a-comunidade-ribeirinha-de-Mertola
Eleições para a Universidade de Évora
Num jantar de antigos residentes da Monte Olivete, em Évora, alguns anos depois da juventude.
Conheço alguns dos candidatos a reitor da Universidade de Évora. Mas há um amigo especial: o Heitor. Conheço-o desde finais de 1974, estava ele na Faculdade de Ciências de Lisboa, onde estudava e onde tinha sobrevivido, sem vergar, a encerramentos da faculdade e da cantina, essenciais a estudantes que não tinham pais ricos. Eu tinha-me candidatado a uma residência universitária, a Monte Olivete, onde ele estava também, como membro da Comissão (após o 25 de Abril eram os estudantes que geriam as residências universitárias). Nesse ano não houve aulas de 1º ano e eu apareci lá, sem avisar e sem conhecer ninguém, imagine-se, para um congresso da CDE, que se transformou em partido. Depois vivi lá cinco anos. Fui recebido à chegada pelo Heitor, sempre com aquele sorriso e vontade de resolver problemas. Sempre à frente e sempre com uma grande capacidade de diálogo e de trabalho. Depois ele saiu, porque trabalhava e estudava, mas continuava a frequentar a residência ali em frente à Faculdade de Ciências.
Nesses tempos em que se queria mudar o mundo, em que participávamos naquilo que podíamos, sem dinheiro, que também não havia, geraram-se solidariedades que perduram. Alguns dos melhores amigos que tenho foram e são esses companheiros da residência. Todos os anos nos encontramos, em variadas partes do país. Nem sempre todos vão, mas nem por isso deixamos de estar presentes em momentos significativos, nem que seja apenas por algumas palavras.
O Heitor continua como sempre, activo, solidário, simples, um dia está numa universidade em qualquer país, no dia seguinte aqui em Évora, na universidade, em aulas, em projectos, como vice-reitor, no dia seguinte a organizar viagens a pé nas zonas mais variadas e bonitas do país.
É essencial discutir a Universidade de Évora (aliás como outras), neste país e nesta região, numa época em que há dificuldades.
No programa há quatro pontos que são fundamentais e que são prioridades para a região, para a qualidade e internacionalização, que tanta falta faz neste país:
Promoção da Qualidade Institucional
Inserção Regional
Internacionalização
Sustentabilidade
domingo, 17 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Citações e in(coerências).
Entre 8 e 11 de Janeiro Vital Moreira e Ana Gomes, ambos deputados europeus pelo PS,escreveram isto no mesmo blogue:
mas os sindicatos tiveram de aceitar aquilo que antes sempre recusaram, designadamente uma avaliação com consequências na carreira e quotas para as classificações mais elevadas. Nunca o teriam feito antes. Nem agora o fariam, se a alternativa não fosse a manutenção do sistema que Maria de Lurdes Rodrigues tenazmente impôs. Não se perdeu tudo...
[…]
Não acompanho a congratulação geral pelo acordo entre o Ministério da Educação e os sindicatos dos professores. Quando se cede em quase tudo, como sucedeu do lado governamental, é fácil concluir acordos. Quando se busca "a outrance" a concordância dos interessados, é sempre a parte pública que perde.
[…]
Passa pouco da uma da manhã e acabo de ouvir as notícias de que, ao fim de uma maratona de 15 horas de negociação, a Ministra da Educação e a maioria dos Sindicatos dos professores terão chegado a acordo.
Se assim é, estamos todos de parabéns: a Ministra Isabel Alçada e os Sindicatos, antes de mais. Mas também os professores, os pais e, sobretudo, os alunos.
[…]Mas sobre o que pretendia Mário Nogueira para os professores não restam dúvidas: não era carreira; era circuito de aviário.
in
http://causa-nossa.blogspot.com/
(sublinhados nossos)
Resumindo: está tudo de parabéns, ganhou a ministra, perdeu a ministra, ganharam os sindicatos, perderam os sindicatos.
Resta esclarecer a definição do conceito de aviário.
Não foi por acaso que o PS sofreu uma grande derrota nas eleições para o Parlamento Europeu.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
O acordo entre o Ministério da Educação e os Sindicatos
O problema da Educação não diz apenas respeito aos professores. Mas dizer ou fazer, como a anterior ministra (agora presidente da fundação Luso-Americana, sabe-se lá porquê), que os professores se devem submeter a tudo, é uma falta de respeito e um desprezo pelos direitos dos profissionais, em especial pela liberdade de ensino, sem a qual não há liberdade de pensamento. Os professores são parte da solução.
Outros, que malharam, fugiram para Bruxelas e deixaram de falar no assunto. Ninguém lhes reconheceu a especialidade, mas arrogaram-se no direito de vilipendiar toda uma classe, confundindo propositadamente e em detrimento das qualidades intelectuais que deveriam ter, os conceitos de classe e corporação. Fantasmas de percursos mal digeridos!
A opinião pública que demagogicamente tinha sido manipulada, numa primeira fase ficou atordoada, depois começou alguma solidariedade e compreensão. Ultimamente os principais problemas teriam que começar a ser resolvidos, até porque todos começavam a estar cansados.
Até os próprios professores. Se em 2009 houve manifestações de mais de 120 000, houve também muitos que entregaram os objectivos, contemporizando com o sistema, por vezes pressionados directamente. Algumas dezenas de milhares resistiram, mas espero que não sejam os que acalmaram antes que venham agora criticar quem negociou.
Houve cedências de parte a parte, mas também se provou que os professores não recusavam a avaliação.
Está tudo resolvido? Não.
Recomecemos a discutir. É do interesse do país.
Água, Saúde, Economia e Responsabilidade.
Tivemos, já há longos anos, a garantia de que a água de Évora iria ser potável.
Foi assim que enfatica e agressivamente se ganharam eleições.
Eu, como outros, soube da falta de água em Évora, cerca das 8.00 horas da passada terça-feira, através de uma torneira que não deitava pinga e pela SIC Notícias. E foi através da televisão e rumores que fui acompanhando a situação.
Esperava eu que as entidades locais responsáveis a quem pago o serviço me tivessem avisado de qualquer coisa. Mas não! Desligaram a água, que demora muitas horas até se esgotar e (talvez) esperaram que a população fosse sabendo, como nas aldeias em que uma notícia se espalha depressa através dos canais da vizinhança.
Que ninguém tem confiança na água de Évora há muito é um facto. Longos anos de nova gerência "renovadora" (ou caquética, já deveriam ter feito alguma coisa e, pelo menos, ter a humildade de explicar e avisar dos problemas.
Mas não, a culpa é sempre dos outros. Assumir responsabilidades não é apanágio de quem gosta de assumir o poder de qualquer forma. Hoje até vi no Diário do Sul um comunicado do PS que, para defender a câmara até atribuí culpas à gestão de há 9 anos, mistura o problema da hemodiálise no Hospital, em franco desrespeito pelos resultados científicos e decisões dos tribunais há tanto tempo, e diz que Montemor-o-Novo está cheio de alumínio. Como se todos fossem obrigados a ser analfabetos ou pior, estúpidos! Nem sequer têm em conta as palavras do presidente que disse que o alumínio era dos sais de alumínio do tratamento!
Seria interessante, e não apenas interessante mas necessário, contabilizar os prejuízos.
Quanto custou o fecho de empresas, de escolas, de serviços vários pela falta de água. Quanto custa esta falta de confiança, os boatos pela falta de esclarecimento?
No Inverno costuma chover. Que se saiba não houve nenhuma catástrofe.
Outras empresas, por exemplo a EDP (a custo), quando não fornecem um serviço ou por causa da falta dele ou de prejuízos relacionados, são obrigadas a indemnizações.
Eu, como toda a população, que até é obrigada a ter água canalizada, não assinei um contrato que me obrigue a beber água de garrafões ou a ter surpresas indesejadas.
Um contrato envolve sempre mais que uma parte. Devemos pagar o fornecimento de água; temos direito a água potável, a esclarecimentos sérios e a indemnizações por incumprimento.
E aqui porque não? Pagamos, temos direito a ser ressarcidos.
Foi assim que enfatica e agressivamente se ganharam eleições.
Eu, como outros, soube da falta de água em Évora, cerca das 8.00 horas da passada terça-feira, através de uma torneira que não deitava pinga e pela SIC Notícias. E foi através da televisão e rumores que fui acompanhando a situação.
Esperava eu que as entidades locais responsáveis a quem pago o serviço me tivessem avisado de qualquer coisa. Mas não! Desligaram a água, que demora muitas horas até se esgotar e (talvez) esperaram que a população fosse sabendo, como nas aldeias em que uma notícia se espalha depressa através dos canais da vizinhança.
Que ninguém tem confiança na água de Évora há muito é um facto. Longos anos de nova gerência "renovadora" (ou caquética, já deveriam ter feito alguma coisa e, pelo menos, ter a humildade de explicar e avisar dos problemas.
Mas não, a culpa é sempre dos outros. Assumir responsabilidades não é apanágio de quem gosta de assumir o poder de qualquer forma. Hoje até vi no Diário do Sul um comunicado do PS que, para defender a câmara até atribuí culpas à gestão de há 9 anos, mistura o problema da hemodiálise no Hospital, em franco desrespeito pelos resultados científicos e decisões dos tribunais há tanto tempo, e diz que Montemor-o-Novo está cheio de alumínio. Como se todos fossem obrigados a ser analfabetos ou pior, estúpidos! Nem sequer têm em conta as palavras do presidente que disse que o alumínio era dos sais de alumínio do tratamento!
Seria interessante, e não apenas interessante mas necessário, contabilizar os prejuízos.
Quanto custou o fecho de empresas, de escolas, de serviços vários pela falta de água. Quanto custa esta falta de confiança, os boatos pela falta de esclarecimento?
No Inverno costuma chover. Que se saiba não houve nenhuma catástrofe.
Outras empresas, por exemplo a EDP (a custo), quando não fornecem um serviço ou por causa da falta dele ou de prejuízos relacionados, são obrigadas a indemnizações.
Eu, como toda a população, que até é obrigada a ter água canalizada, não assinei um contrato que me obrigue a beber água de garrafões ou a ter surpresas indesejadas.
Um contrato envolve sempre mais que uma parte. Devemos pagar o fornecimento de água; temos direito a água potável, a esclarecimentos sérios e a indemnizações por incumprimento.
E aqui porque não? Pagamos, temos direito a ser ressarcidos.
Património e este estranho clima.
Vi há pouco no Diário do Sul estas informações sobre o Património construído em que a culpa da degradação se deve ao clima e aos tremores de terra, de acordo com entidades responsáveis e responsabilizáveis.
Cheias, quedas de árvores, derrocada de uma casa que estava a ser utilizada como restaurante na vila medieval de Monsaraz e as fissuras existentes no Paço dos Henriques, na vila de Alcáçovas, foram as principais consequências da forte precipitação que ocorreu durante as últimas semanas.
[…]Fernanda Ramos avançou que a Comissão de Protecção Civil foi informada de que na freguesia das Alcáçovas, mais precisamente no Paço dos Henriques, existem algumas fissuras. "A Câmara interpreta essa situação como resultante do recente tremor de terra, agora agravado pela chuva",
A Direcção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA) anunciou que vai prestar apoio técnico ao município de Campo Maior (Portalegre) relativamente à salvaguarda das muralhas do castelo que têm registado derrocadas.
"A câmara tem um plano de salvaguarda e a nossa missão passa por dar apoio técnico, acompanhar a autarquia nas suas decisões e efectuar as respectivas avaliações", disse a directora da DRCA, Aurora Carapinha.
As muralhas do castelo de Campo Maior têm registado várias derrocadas nos últimos anos, a última das quais ocorreu na madrugada de terça-feira. A situação está a colocar em risco dezenas de famílias que vivem em condições precárias junto ao monumento.
Embora sublinhe que o plano de salvaguarda que a autarquia de Campo Maior possui deverá ser revisto, para adequar-se ao actual enquadramento legal, Aurora Carapinha explicou que já foi entregue ao município um relatório que indica as "razões" que poderão estar na origem das derrocadas.
"Nós já estivemos no local logo após a última derrocada e estamos a acompanhar o caso e a dialogar com o presidente da câmara", sublinhou.
Seria um pouco estranho um tremor de terra só afectar o Palácio das Alcáçovas e as chuvas afectarem mais o Património que outros lugares. Deus e a Natureza, conforme se escolha, não são assim tão selectivos.
O que se passa é que o Palácio dos Henriques está já abandonado há muitos anos, as muralhas de Campo Maior também e ainda por cima há uma sociedade e poderes políticos que não se resumem às câmaras (as que têm menos culpa) que consentem esta degradação.
No caso do Palácio dos Henriques, o abandono é tanto mais vergonhoso quando foi neste lugar, um palácio exemplar da arquitectura manuelino-mudéjar, que foi assinado um primeiro tratado em que se dividiu o mundo descoberto e a descobrir entre Portugal e Castela.
No caso de Campo Maior, muralhas que foram importantissimas para a defesa nacional, são agora ocupadas por pessoas que vivem num estado miserável num país da união Europeia.
sábado, 9 de janeiro de 2010
O casamento
Esta semana foi tomada uma decisão pela Assembleia da República que constitui uma ruptura histórica.
Histórica como outras ao longo da História. A instituição do casamento mudou ao longo dos tempos. Em geral assumiu a forma pública e entre dois sexos. Actualmente é um contrato entre duas partes livres.Mas há sociedades em que é ou foi poligâmico (veja-se o casamento do presidente da África do Sul), em diversas formas, em que um homem pode casar com várias mulheres ou até em que uma mulher pode ter vários homens. Numas culturas o casamento é durável, noutras não. Na sociedade portuguesa actual já não é assim: o número de divórcios já é superior ao dos casamentos e cada vez se casam menos pessoas.
Na nossa sociedade foi sacralizado pela Igreja Católica, sobretudo a partir do século XVI. Mas também nem sempre foi assim. Na civilização romana não era preciso nenhuma religião para oficializar o casamento e mesmo na Idade Média nem sempre a Igreja se atrevia a meter-se em assuntos de família.
O facto de a moral católica enformar durante séculos, como poder também, não tem sentido em Portugal, uma República separada das religiões, com um interregno não muito claro mas com efeitos impositivos no dia dia totalitário do regime do Estado Novo. A Igreja Católica, as igrejas cristãs, muçulmanas ou outras não têm que interferir no Estado de direito. Ponham-se no seu lugar, que já houve quem abusasse muito. Felizmente o Cardeal Patriarca, que não é chefe da Igreja Católica em Portugal, tem tido até algum sentido pragmático e algum respeito pelas leis. E não deve passar disso porque não há nenhuma religião dos portugueses.
Há um grupo, com muitas assinaturas que quer um referendo. Ora isto põe duas questões: a necessidade ou não do referendo e os direitos.
Quanto aos referendos à partida não valorizo muito a sua necessidade e geralmente são objecto de grande manipulação de grupos não representativos dos cidadãos. Repare-se, por exemplo, na questão da interrupção voluntária da gravidez. Por que é que se tem que referendar as opções dos casais ou das mulheres em relação à gravidez? Que direito têm os outros de mandar na gravidez das mulheres? Ou pensarão que alguma aborta por prazer? Por vezes, referendos, como na Suíça, chegam até ao ponto de aprovar teses racistas, como a da proibição de minaretes. Democracia não é isso. Os direitos fundamentais, desde a revolução francesa, ou mesmo na tradição americana e inglesa, são considerados como inalienáveis e imprescritíveis. Mesmo os que atribuem os direitos a Deus, nessa lógica blasfemam quando se arrogam o direito de interpretar Deus, que para eles é omnisciente.
Mas nas regras da democracia portuguesa quem tem o poder legislativo é a Assembleia da República, com deputados eleitos, por voto universal e secreto, para não haver influências de terceiros. Não é um grupo de 70000 que manda neste país! Mau seria se minorias quisessem mandar nas maiorias para depois ostracizar outras minorias.
Se a questão é de direitos, os direitos não são referendáveis.
Deixem que cada um faça a sua vida, que se case ou que fique solteiro, que viva com uma mulher ou com um homem, que faça vida em comum ou não. Isso é problema pessoal.
É motivo de regozijo, de festa? Para alguns pode ser, para mim não, mas por que é que eu ou outros temos que intervir na vida de cada um?
Tratemos de outros problemas, que não são poucos.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
A água de Évora novamente
Hoje em Évora não há água na rede. Um dos problemas é o alumínio.
Há uns bons anos, um médico, portanto com alguma formação em Química também, fez declarações e uma campanha contra a CDU, de que ele tinha feito parte como presidente da Assembleia Municipal, acusando a Câmara de tudo. Com esta campanha, com que contou com apoios de muitos lados, e dinheiro a rodos, muita demagogia e muita falta de seriedade científica, conseguiu ser poder nesta cidade, através do aparelho de estado primeiro e depois como presidente.
Esperavam os incautos, os distraídos, e outros de boa vontade que a água de Évora iria tornar-se bebível.
Passaram-se tantos e tantos anos e afinal o rei vai nu, como estava. A água não presta e hoje nem sequer existe.
Hoje não há água em Évora e está quase tudo fechado e com problemas.
Hoje, o presidente da Câmara, que é o mesmo, falou. E até me parece que falou a sério. A água que vem parar à barragem vem inquinada, os remoinhos levantam o que está no fundo, o tratamento é feito com sais de alumínio.
Se é assim, e até creio que é, pergunta-se como é que é possível vir parar tanta porcaria às albufeiras e cursos de água? O que é que se tem feito a montante e a jusante?
Sabemos e vimos que, quando chove mais, aparecem televisões (aparelhos), máquinas, entulhos vários, águas de pocilgas … de tudo, nos regatos imprevisíveis (!), nos ribeiros e ribeiras, albufeiras, rios. O Estado que tanto se preocupa com o tabaco nas garagens é ineficiente com a água!
Sabemos da ineficiência, sabemos que não é fácil resolver os problemas.
Mas passados tantos anos, quem tem estado no poder e conquistou a câmara de Évora à custa do alumínio, apresentando canos na televisão e noutros sítios, com tanto tempo para actuar, por que é que ainda não resolveu o problema da miséria da água de Évora?
Evidentemente que isto não é um problema de uma pessoa que quis conquistar o poder pelo poder, mas de uma máquina com muitos apoios que se instalou aqui e no país.
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