O ensino secundário em Portugal já é um pouco diversificado. Actualmente existem os cursos científico-humanísticos, os cursos tecnológicos e os cursos profissionais. Os cursos tecnológicos estão em fase de extinção e os profissionais em expansão, sobretudo nas escolas secundárias, onde há uns anos não existiam.
Falemos dos cursos científico-humanísticos, aqueles que mais directamente visam o prosseguimento de estudos. Antes de analisar o curriculum, o problema deveria ser visto a jusante e a montante.
Um dos factos é que os alunos, em média, vêm com muitas lacunas do 3º ciclo. Não cabe aqui atribuir culpas, até porque isso não leva a nada, mas se compararmos o que os programas do ensino secundário exigem, à partida, com os conhecimentos e competências que a média dos alunos apresentam, existe um grande desfasamento, visível nos dados estatísticos relativos às reprovações e desistências no 10º ano, embora tenham diminuído, mercê também de grande pressão sobre os professores e as escolas. Haveria que avaliar a sério se os alunos têm ou não os pré-requisitos essenciais para entrarem no décimo ano destes cursos. Há soluções, desde exames a entrevistas estruturadas com profissionais dos serviços de Psicologia e Educação. E dar oportunidades: entra neste sistema se está em condições, se não está deve ter apoios suficientes da escola para poder entrar em condições para estes cursos. Entrar só porque se quer ter um diploma é que não tem sentido nenhum.
A jusante o problema é com as universidades que se têm demitido sistematicamente. As universidades não deveriam sequer poder queixar-se que os alunos não têm conhecimentos e competências quando entram. Deveriam escolhê-los e, aí, teriam obrigação de fazer o máximo possível. Seria estranho (parece que em Portugal não é) reprovarem a maioria logo no 1º ano, se os escolhessem. Não é para isso que pagam os contribuintes. Não se trata de elitismo (e em certo sentido é): as pessoas têm que aprender e ser bons profissionais, os diplomas têm que ter credibilidade ou então não servem para nada. Se o ensino superior não confiasse/desconfiasse nos exames do ensino secundário, talvez o ensino secundário fosse melhor e os alunos, pais e as escolas teriam outras estratégias. Por exemplo, se num curso de Português uma faculdade exigisse que os alunos tivessem conhecimentos de Latim e Literatura Portuguesa (que quase não se estudam), haveria alunos candidatos que escolheriam essas disciplinas. Como não me parece razoável que faculdades de engenharia aceitem alunos sem bases de Física ou Química, para além da Matemática ou que a futuros professores de 1º ciclo não seja exigida a Matemática.



















































