sábado, 19 de setembro de 2009

Alter Pedroso






Alter Pedroso. Daqui vê-se grande parte do Alto Alentejo e até mais longe, a Serra de S. Mamede ou a Serra de Ossa, Alter do Chão, Cabeço de Vide, Portalegre, Marvão, Évoramonte...
Um bom lugar para reflectir, porque a questão já não é só a mudança mas a melhor forma de nós a fazermos.
Há que ver novos horizontes, mesmo a partir de ruínas.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A entrada em Portugal, os caminhos e os transportes em 1846



Andei muitos anos há procura deste livro. Tinha visto uma referência num texto de Cunha Rivara, a propósito da estrada em Arraiolos. Finalmente consegui o livro em pdf através do Google. É de um viajante inglês que atravessa a Espanha e Portugal, tendo sido publicado em 1847. A perspectiva é “naturalmente” de um inglês que vem de um país em plena maturidade da revolução industrial, onde já existem comboios de “alta velocidade”, estradas de macadame, indústrias, uma agricultura virada para o mercado e para o lucro, com adubos e tecnologia variada. Encontra países que ainda vivem o confronto entre o Antigo Regime e as ideias liberais, devassados pelas invasões francesas, as guerras civis e inúmeros golpes de estado, vulgarmente chamados em Espanha de “pronunciamentos”. Tanto em Portugal como Espanha se confrontam ainda o mundo antigo com o moderno, em Portugal guerras entre liberais e absolutistas, estes últimos perdedores mas continuando em guerrilhas ou mudando um pouco “para que tudo fique na mesma”, insurreições camponesas como a da Maria da Fonte em 1846, seguida da Patuleia; em Espanha as contínuas guerras carlistas, que juntavam a reacção absolutista com as reivindicações dos “fueros” e costumes tradicionais. Ainda por cima estes exércitos e guerrilhas internavam-se pelos territórios do país vizinho. As intervenções estrangeiras eram também frequentes. Dois países dilacerados, que tinham perdido as partes mais importantes dos seus impérios coloniais e que cada vez mais se afastavam da Europa industrial. Recorde-se ainda que, sobretudo desde 1640, as guerras entre Portugal e Espanha eram quase o estado normal.
O autor refere a falta de estradas (e repare-se que era uma das principais entradas em Portugal), afinal caminhos cheios de buracos. A fronteira era aberta (o autor ironiza que isto seria o ideal da livre circulação que ele, como inglês liberal defende), apenas encontrando um moço sonolento, a paisagem era quase um deserto até alcançar os olivais de Elvas. Só nesta cidade foi interpelado por uns soldados que, em vista do passaporte inglês, e como não sabiam ler mas não queriam dar parte de fracos, concluiram que poderia ser um agente espanhol! "Salvou-se" por falar com alguns oficiais, alguns de origem inglesa ou irlandesa que lhe pergutaram se tinha havido mais algum "pronunciamento em Espanha, coisa habitual. Na sequência, refere as estalagens portuguesas que, tal como as espanholas, não tinham nada para comer, leite nem vê-lo, apenas, por vezes, alguns ovos ou uma galinha pela qual se tinha que esperar que fosse morta e depenada, ou então uns bocados de chouriço, sopa (seria açorda?) e um guisado, com sorte. Salve-se a amabilidade que o autor refere em relação a ofertas de cachos de uvas e figos e a boa disposição de alguns portugueses e de algumas, apesar de elas andarem sempre com um lenço “mourisco” na cabeça.

Há pouco mais de 150 anos, num Alentejo quase sem gente e muito mato, aqui e ali sobreiros e azinheiras, sobretudo estevas que se queimavam periodicamente, alguns rebanhos de ovelhas, varas de porcos pretos, lobos, coelhos e perdizes, trigo ainda pouco.

Hughes, T. M., An overland journey to Lisbon at the close of 1846 ..., London, 1847.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A alta velocidade e o "perigo espanhol".

in Sketches or Portuguese Life, manner, costume, and carachter, London, 1826

“Não é fácil que me intimidem a não falar deste assunto pelo facto de já haver estrangeiros que já me vêm amedrontar. Não tenho medo de defender os interesses do país nem medo de defender a nossa independência económica”, afirmou, num almoço com dezenas de militantes em Castelo Branco, um dos três distritos por onde andou a campanha social-democrata. E o tema que já serviu para Sócrates rotular Ferreira Leite de “baixa política” é para manter. “Não vou abandonar um milímetro a minha forma de fazer política”, afirmou. Dando garantias de que “o interesse nacional tem de estar acima de todas as suspeitas”.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1400654, dia 14.09.2009

Esta polémica dos transportes de alta velocidade já tem muito mais que um século. No século XIX, quando em Portugal se estavam a fazer estradas, já que as que havia eram apenas as romanas e pouco mais, com o tempo convertidas em veredas por onde passavam almocreves, a pé e de burro, tendo sorte se não fossem assaltados por bandidos esfomeados, malteses do Alentejo, desertores, ex-guerrilheiros de todo o lado. Na Espanha o mesmo ou pior. Por essas e por outras vinham viajantes, ingleses sobretudo, visitar estes países exóticos, já que ir a África, implicava mais dissabores, e estes ainda ficavam na Europa, tal como a Grécia ou a Sicília. Faziam-se gravuras com as profissões e os vestuários dos portugueses e dos espanhóis, das variadas regiões, dos homens e das mulheres e das crianças eternamente descalços quase todos, eram proverbiais as anedotas sobre as incríveis estalagens espanholas, faziam-se óperas como o Barbeiro de Sevilha ou a Cármen em que se retratavam estes costumes “mouriscos”, fora do tempo da civilização industrial. Quem viajasse de Além-Pirinéus para cá tinha que largar o carro puxado a cavalos e simplesmente andar de burro ou de mula ou até a pé, que as “estradas” não davam para mais.


Em meados do século XIX discutia-se a alta velocidade e as estradas. A alta velocidade era a dos comboios a vapor. O governo de Fontes Pereira de Melo avançou finalmente e começaram a fazer-se linhas a ligar o litoral, entre Lisboa e o Porto, a ligar Portugal e Espanha em direcção ao resto da Europa, e finalmente o interior. Foram muitos os que achavam um desperdício e é certo que o país se endividou e houve corrupção, que Portugal teve que construir linha conforme a bitola espanhola, medida proteccionista inventada em Madrid, mas que permitiu a ligação a França e ao resto da Europa.

Tenho alguma dificuldade em perceber o PSD sobre a alta velocidade. A coerência não está à vista, visto que em vários governos onde este partido esteve foram aprovados projectos, inclusivamente quando Manuela Ferreira Leite foi sucessivamente ministra (chegou a ser da Educação!).

Depois há compromissos de Estado, do estado português, com o estado espanhol, com a União Europeia, que envolve dezenas de estados que estão a criar uma rede europeia. E grande parte do investimento é feito com fundos europeus, para projectos transfronteiriços, entre outros. Vamos entregar esse dinheiro aos outros?

Não me venham com argumentos do género que países como a Irlanda (afinal com esta crise já não é modelo) não têm auto-estradas nem TGV. Se o TGV arrancasse na Irlanda, ao fim de alguns minutos caía no mar. Megalomania seria também ter pontes das maiores da Europa, no Tejo, visto que a maior parte dos outros países têm muito mais pequenas. Só que nós temos alguns problemas que não têm outros, como o de ficar na ponta mais ocidental da Europa. E já agora expliquem-me também por que é que a Bélgica, a Holanda, a Alemanha, a França, a Espanha etc., etc., têm alta velocidade. Serão todos perdulários? Tudo o que investiram era deles? Não ganharam nada com a alta velocidade? A rede espanhola e outras não vão ser utilizadas por portugueses para irem a outros países, ou são os portugueses que vão pagar as infra-estruturas para chegar a Paris?

As coisas têm que ser estudadas e ponderadas, há que calcular os investimentos, verificar as fontes de financiamento, tudo isso. Mas há também que calcular as perdas por ficarmos isolados.
E já agora deixem-se do “perigo espanhol”. Eles já têm demasiados problemas com os bascos, catalães, galegos, andaluzes … a última coisa que um governo espanhol quereria era ter outra vez problemas com portugueses que já estão separados da Espanha há séculos.

Hip Hop em Évora

Um ex-aluno enviou-me este cartaz. Saúdam-se iniciativas.

Espaços Verdes em Évora




Por vezes temos as coisas à nossa frente e parece que não as vemos.

Há projectos para um "fórum" em Évora, como se não tivéssemos aqui um amplo espaço comercial no centro, que mereceria ser revitalizado, em vez de se fazer um novo suburbano e abandonar este. Poderíamos ter uma ampla praça no Rossio, com uma centralidade que viria na continuidade e complementaridade com a Praça do Giraldo, em vez de dispersar os serviços para outras zonas, como a zona industrial.

E há quem proponha projectos para novos parques urbanos, o que é de pensar e discutir.
Mas temos nós aqui um parque, um jardim com uma mata, um Passeio Público (um dos melhores dos criado no século XIX, com uma intervenção grande de um cenógrafo, Cinatti, com coreto, galeria do antigo Palácio de D. Manuel, que já foi também teatro, ruínas fingidas (o fingimento é da composição, que as janelas manuelino-mudéjares são originais do Palácio Vimioso), árvores diversas, recantos.

É de perguntar por que é que se desperdiça este património, por que é que não é mais usado, por que é que vai sendo entregue a grupos marginais, por que é que fecha cedo, por que é que já não é utilizado, por exemplo, durante a feira de S. João ...

domingo, 13 de setembro de 2009

PS engana-se nas previsões

Afinal não chove, mas o PS, em Évora, com medo da chuva deste Verão tão molhado (molhado pelos que metem água), decidiu fazer um comício no Pavilhão Gimnodesportivo da Escola Secundária de Severim de Faria.

Mau começo de campanha. A noite está amena e num pavilhão deve estar muito mais calor. É assim que agora se sua no PS! Mau augúrio!
Ora, andam os meus colegas de Educação Física sempre preocupados com o calçado a usar no pavilhão, porque este foi destinado a ginástica, desportos e afins, e só para isso. Espera-se pelo menos que os saltos altos, sapatos de verniz e quejandos não risquem o chão e que amanhã as aulas possam decorrer normalmente. Será que o primeiro-ministro e presidente da Câmara vão de ténis, como os outros!?

Mas porquê uma escola, e esta escola, numa noite de Verão convidativa para sair à rua? Ainda por cima numa escola em obras!

No pavilhão desta escola nunca, até agora, tinha havido qualquer actividade que não estivesse na área da Educação Física. Estreou-se agora o PS, e logo com o presidente actual da Câmara de Évora e com o primeiro-ministro que hoje, durante alguns minutos, são só do PS, não tendo mais cargos nenhuns nem usando meios do Estado, como automóveis, seguranças etc. (será?).
Começo a duvidar da bondade de entregar as escolas às autarquias, sobretudo com certos executivos. Que mais projectos terão para as escolas?
A não ser que haja alguma cena desportiva de surpresa ou uma dança, ballet, pugilato, qualquer coisa que justifique os fins para que este pavilhão foi criado e agora inaugurado ao serviço da propaganda deste governo e câmara.
Mas também tenho outras dúvidas. Por que é que este executivo camarário, não queria espectáculos na Praça do Giraldo, acabando com o “Viva a Rua” (agora já não e por isso fazem-se passagens de modelos) e acha que um pavilhão desportivo de uma escola, é que é bom para a propaganda do governo e das promessas repetidas da campanha autárquica?
Têm medo da chuva numa noite de Verão! Não sabem que a chuva faz crescer as plantas e os frutos. Tinham logo que vir, a seguir ao comício da CDU, à tarde, junto ao templo romano? Se têm medo da chuva, não metam mais água que podem ficar submersos pelos votos noutros partidos.
E para uma escola! A escola serve para tudo? Não há mais espaços? E então a Arena de Évora? Se cabem lá touros não haveriam de caber também estes cidadãos, no intervalo das suas funções públicas?
E tinha logo que ser uma escola onde a maioria dos professores assinaram documentos contra este sistema de avaliação, desconhecido no programa do PS na anterior campanha eleitoral.
É provocação, é falta de tacto, é desespero?
Suponho que é isso tudo ao mesmo tempo. E falta de respeito e arrogância também.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cabeço de Vide






São muitos os antigos concelhos que foram suprimidos após a Revolução Liberal. Cabeço de Vide é um deles, mas conserva ainda edifícios, monumentos e espaços reveladores da antiga vila.
A igreja do Espírito Santo, com características do chamado manuelino-mudéjar e um portal renascentista, bem como, bem perto, as termas da Sulfúria, exploradas desde a época romana, pelo menos, sacralizadas popularmente, como quase todas as "águas santas" deste país.

Úma praça à maneira de Espanha




Falar de Espanha no século XVII pode ser quase um anacronismo. O rei, até 1640, era rei de Castela e Leão, com as suas conquistas, de Aragão, com a Catalunha, Valência, Sicília etc., etc., Países Baixos etc., etc. e Portugal com as suas conquistas. Cada Reino tinha as suas leis e dentro destes havia foros e privilégios locais, cada um tinha a sua língua, moeda etc.

Mas há tentivas de unificação: com a Inquisição em primeiro lugar. Mais tarde os meios seriam mais drásticos, o que levou à revolta da Catalunha em 1640 e à de Portugal no mesmo ano.

Outras mais subtis mas não menos importantes, como o urbanismo, que afinal nos molda também.
As praças portuguesas são geralmente confluências de ruas. As espanholas, impostas por um poder unificador (veja-se Salamanca, Madrid ou Córdova) são praças impostas num meio urbano já preexistente, propositadamente feitas para grandes espectáculos e encontros (não é que as portuguesas não o fossem, mas são mais "naturais " ou "orgânicas".
Em Campo Maior há uma praça diferente das outras, de raiz, quadrangular, à maneira espanhola.
Tudo menos por acaso. Veja-se a data da fundação: 1618, no tempo de Filipe II de Portugal, III de Espanha. Mesmo com juiz e vereadores portugueses, conforme o estabelecido nas Cortes de Tomar.
Mas, apesar do urbanismo, a arquitectura ainda é portuguesa. Temos também que ter em conta que Campo Maior era um espaço militar, o que se provou claramente com a Restauração e outras guerras.

Campo Maior e a Restauração







Por vezes esquecemo-nos que as nacionalidades e as fronteiras foram feitas à custa de muitas guerras. Algumas imagens de Campo Maior. Repare-se na lápide da imponente porta da vila: aqui se faz alusão a D. João IV e à Nossa Senhora da Conceição durante as guerras da Restauração. Por estes quarteis passaram e sofreram muitos soldados.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A TVI

Em fim de estação e princípio de campanha eleitoral temos o caso Manuela Moura Guedes, cujo nome oficial até nem é bem esse.
Não aprecio o estilo de Manuela M. G. Está entre as coisas que mais detesto na televisão: a provocação gratuita, a falta de ideias, a falta de respeito para com o interlocutor, com interrupções de frases, as formas de levar as pessoas a dizerem coisas que não tinham pensado etc.. A personagem não é certamente uma vítima, mas houve mais uma intromissão quotidiana do poder económico. Não creio sequer que o governo tenha entrado nisso. Até pode ter entrado dada a misturada. Mas sem outras provas não vale a pena entrar em teorias da conspiração à maneira do jogo da Manuela.
O que sei, é que raramente consigo ver a TVI, sobretudo porque quase nada aí me interessa. Há mais coisas que ver e fazer do que ver e ouvir banalidades a toda a hora. Mas como cidadão e também em nome da liberdade de expressão que há muito não existe na TVI, gostaria que o espaço público fosse um pouco melhor. Terei que ser obrigado eternamente a prescindir de canais que ocupam o espaço público e a pagar para ver outros? E as taxas de televisão e os impostos servem para quê?

O que me interesse neste momento são duas coisas. Uma, o facto de as ondas hertezianas serem limitadas e, portanto, ocupam o espaço público que poderia ser ocupado por outros. Ao ocuparem o espaço público há também limites e o principal é o respeito pelo contrato e a observação da lei, da liberdade de expressão e dos outros direitos da Constituição. Como noutros espaços públicos não se pode só fazer o que se quer.
Ora recordemos como foi licenciada a TVI. Depois de muita polémica, muita sermões e invectivas em altares e noutros grupos de pressão, a TVI foi licenciada, tendo em conta a Concordata, como televisão de inspiração cristã, “ipsis verbis”. Mobilizaram-se as igrejas, as Misericórdias, seminários etc. para comprar acções da TVI. Depois não aguentaram e venderam a televisão de inspiração cristã.

E agora? Há que pedir responsabilidades

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

2ª guerra. Há setenta anos

Fez 70 anos o início da guerra mais devastadora que existiu no mundo. Onde se matou e se exterminou utilizando a tecnologia mais avançada da civilização industrial.
Oficialmente começou no dia 1 de setembro de 1939 com a invasão da Polónia. Mas em 1938 já Hitler tinha anexado a Áustria. Depois seguiu-se a invasão da Checoslováquia. A Grã-Bretanha e a França assinaram com Hitler o Pacto de Munique que permitiu que a Alemanha se sentisse à vontade para aumentar o seu "espaço vital".
Hoje Putin reconheceu o erro do Pacto Germano-Soviético.
Não seria tempo de a Grã-Bretanha e a França reconhecerem que também deixaram os nazis fazerem tudo o que lhes apetecia até ao dia 1 de Setembro de 1939?

sábado, 22 de agosto de 2009

Árabes, muçulmanos e outros.

Amin Maalouf é um escritor árabe, libanês a residir em França. Fala em Origens, da sua família, da diversidade religiosa, das lutas e utopias dos seus antepassados, entre os quais o seu avô, na procura da modernidade e da democracia no Líbano e no Império Otomano.
Cito:

-- A verdade é que o teu avô não suportava as mulheres. Amava-as, claro, mas não as suportava […] Botros teria querido que as mulheres estudassem, que trabalhassem, que falassem em público, que rissem, que fumassem … E amava-as como se fossem aquilo que deveriam ser, no seu ponto de vista, mas detestava-as tal como eram: a personificação da conformidade social, as “cortadoras de asas”
[...]
No espírito dos meus avós, estas várias atribuições tinham cada uma o seu próprio lugar: o seu Estado era a “Turquia”, a sua língua era o árabe, a sua província era a Síria e, a sua pátria a Montanha libanesa.
[…] Há cem anos apenas, os cristãos do Líbano diziam-se sírios com muito gosto, os Sírios procuravam um rei do lado de Meca, na Arábia, os judeus da Terra Santa proclamavam-se palestinianos … e Botros, o meu avô proclamava-se cidadão otomano. Nem um único dos Estados do actual Médio Oriente existia ainda, e nem mesmo o nome dessa região tinha sido inventado – geralmente dizíamos A Turquia da Ásia …
Depois, muita gente morreu por pátrias supostamente eternas; muito mais gente morrerá amanhã.

Amin Maalouf, Origens, pp. 169 e 225
Esquecemos, ou antes, aqueles que têm feito estas invasões, na Palestina, Líbano, Iraque, Afeganistão, que estes povos têm uma cultura antiga, e há desejos de modernidade e democracia, sem que isso signifique que se têm que submeter a poderes externos e interesse económicos de outros.
Raramente se fala, por exemplo, de Mustafa Kemal Atatürk que levou à modernização da Turquia (que não é um país árabe, como ouço frequentemente na televisão), abolindo o sultanato e o califato, construindo um estado laico com separação total entre Estado e religiões (mais do que por cá ou noutros países de Europa), com a educação das mulheres, a quem foram atribuídos os mesmos direitos que os homens (muito antes de Portugal). Como raramente se fala da história do Irão e de Mossadegh que quis levar o país a uma democracia e que foi afastado do poder por um golpe de estado financiado pelos EUA, como também não se fala dos afegãos que ao longo do século XX tentaram acabar com as descriminações e o subdesenvolvimento.
Para além da ignorância de alguns governos ocidentais, outra atitude é o paternalismo e relativismo de alguns que acham que os orientais são todos fundamentalistas e que é impossível construir aí a democracia.
Em tempos também já houve esse discurso sobre Portugal e "les petits portugais", com fotografias de carroças de bois e mulheres de lenço a andar de burro e peregrinações a Fátima, com gente de preto a arrastar-se de joelhos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

São Brás e a devoção popular em Tavira








São Brás era médico na Arménia, tornou-se bispo e mártir.
Cura doenças da garganta, problema que sempre afectou quem tem poucos recursos.
Nesta igreja ou ermida em Tavira há uma senhora que cuida dela como se fosse a sua casa, que é, e que não se poupa em relação à sua manutenção. Provavelmente a decoração não será das mais canónicas, nem sequer é um daqueles museus fechados onde não se pode tirar sequer uma fotografia. Se não houvesse pessoas assim provavelmente já estaria em ruínas. Afinal nestas ermidas, quem sempre cuidou delas foram as populações.
Faz lembrar um pequeno teatro.

Bandeira Republicana. Bandeira Nacional


(cartaz republicano)
A República não é apenas uma palavra. A bandeira republicana não é apenas uma imagem. É um símbolo que corresponde a projectos em que muitos se sacrificaram na defesa de utopias como o sistema democrático, a independência nacional, as liberdades, uma sociedade mais igualitária com direitos universais.
Por estes símbolos e projectos muitos foram parar à prisão, muitos foram torturados, muitos perderam empregos e tiveram a sua vida destruída, muitos morreram em guerras ou ficaram estropiados.

Para além da Ética vejamos o que diz o Código Penal:

ARTIGO 332.º(Ultraje de símbolos nacionais e regionais)

1- Quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por outro meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa, ou faltar ao respeito que lhes é devido, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.

Não é inocente a deposição da bandeira nacional no edifício da Câmara Municipal de Lisboa. Foi aí que foi proclamada a República.
O que querem os pretensos brincalhões? Que se volte ao século XIX, à união entre o trono e ao miserabilismo?
Quanto aos que dizem que a República não foi referendada não lhes bastam as inúmeras eleições feitas depois do 25 de Abril?

Constância












Constância, antiga Punhete, situada entre o Tejo e o Zêzere, porto fluvial na via para Lisboa, para o Norte e para o Alentejo, terra também de pescadores e de Camões, sujeita a inundações cíclicas.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Rossio de S. Brás em Évora

O Rossio de S. Brás de Évora era um rossio. Fora das muralhas, um espaço que fazia a ponte entre o campo e a cidade, local de mercados e feiras, acampamento dos que vinham à cidade com os seus gados e produtos hortícolas.
Antes das muralhas do século XIV, também a Praça Grande, hoje Praça do Giraldo era um rossio. A cidade cresceu e desse local nasceu uma praça urbana, com múltiplas funções, ponto de encontro para negócios, procissões, festas, o dia a dia onde se marcava presença. Os porcos e as ovelhas ficavam no Rossio, os negócios faziam-se na praça.
Com o crescimento da cidade os edifícios do poder civil foram-se transferindo para lugares centrais, na Praça Grande ou próximos dela.
No século XX já não temos animais e produtos agrícolas à venda nestes lugares onde circulavam pessoas e mercadorias, contadores de histórias, pícaros, vigaristas, gente honrada, senhoras e jovens com olhares de relance, um mundo de gentes e espécies coloridas, a pé ou a cavalo ou de burro, mais cheirosos ou menos limpos.
Tudo isso mudou, já no século XX! Já não temos um Rossio, mas um grande terreiro para estacionamento de viaturas durante o dia, pouco convidativo à noite, com atravessamentos esporádicos e apressados de pessoas que o receiam a certas horas e um feira que mal lá cabe durante alguns dias, um mercado de vez em quando com os restos de plásticos a voar, após a animação. Nem sequer a memória e identidade do antigo Rossio de S. Brás é respeitada!
Entretanto vemos os serviços a deslocar-se uns para norte, outros para Sul, misturando-se funções, serviços do Centro histórico na Zona Industrial, por exemplo, obrigando as pessoas a deslocar-se constantemente em viaturas particulares para ir aqui ou ali resolver problemas da vida quotidiana. Não apenas habitantes da cidade, mas também os de freguesias de Évora, concelho dos mais extensos do país, como de uma grande parte do Alentejo e de tantos que para aqui se deslocam diariamente de outras zonas do país.
Não seria o momento, depois de tantos atrasos e indecisões, de esquecimentos e oposições, de discutir novamente o Rossio e a Praça Grande do projecto de Siza Vieira?

Movimento de defesa do centro histórico de Évora

Recebi deste movimento esta convocatória:

Caros Amigos,
Assunto: Convocatória para uma reunião do Movimento para o próximo dia 13, para debater os principais temas da revitalização do Centro Histórico.
Anunciadas que estão as candidaturas das principais forças políticas às eleições da Assembleia da República e dos órgãos do Município de Évora, vai o MDCH pedir reuniões aos representantes dessas listas a fim de lhes apresentar as suas preocupações em matéria da isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis no Centro Histórico de Évora, e de um modo geral, no que respeita aos principais problemas que se colocam à nossa Cidade, Património da Humanidade.
Para definir em conjunto a lista de temas e problemas que poderá vir a constituir a “Agenda” do MDCH para a revitalização do Centro Histórico de Évora, por esta via se convoca uma reunião do Movimento que terá lugar na próxima Quinta-feira, 13, às 21.00 horas, na Sede da Associação Comercial do Distrito de Évora.
Tal “Agenda” deverá incluir grandes problemas de âmbito nacional, mas com sérios impactos no nosso Centro Histórico, como por exemplo os do arrendamento urbano, cuja correcta solução é vital para um processo eficaz de recuperação urbana. Deverá incluir igualmente grandes orientações específicas do desenvolvimento dos Centros Históricos, como a definição das funções que lhe estão cometidas e que constituem um ingrediente fundamental da respectiva centralidade. Deverá finalmente preocupar-se com intervenções obrigatórias dos serviços municipais em locais emblemáticos, como as arcadas, a Praça de Giraldo, e outros.
Convidam-se portanto os participantes nas duas anteriores reuniões do Movimento, bem como os subscritores da Petição que o MDCH divulgou, a participar nestes trabalhos e a convidar outras pessoas interessadas nesta temática, para em conjunto reunirmos as melhores ideias e propostas e assim reforçarmos esta nossa iniciativa de cidadãos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O retrato de Lenine, Trotsky e Estaline e os saneamentos.

É célebre o apagamento de Trotsky num retrato onde primitivamente estava ao lado de de Lenine e Estaline. Estaline mandou suprimi-lo. Foi censura e uma pretensa limpeza da História
Esse acto tem sido objecto de crítica e argumento ao longo de dezenas de anos para provar que há uma esquerda que censura. Lembremo-nos do caso Zita Seabra.
Mas lembremo-nos também dos jovens do CDS/PP que retiraram o retrato de Freitas do Amaral da sede do Caldas, como se ele não tivesse existido.
Hoje vi a notícia que Joana Amaral Dias já não é candidata pelo Bloco de Esquerda porque não é especialista e o Bloco só quer especialistas (será que lhes deu a mania da tecnocracia?). Já antes o Zé de Lisboa foi dar uma volta, porque quis continuar independente.
Mas onde estão Manuel Alegre, Teresa Portugal, Júlia Caré, Eugénia Santana Alho e Matilde Sousa Franco que votaram contra o Código de Trabalho e apoiaram os professores?
NA RUA (do PS)!
Foi por faltarem ao parlamento, por não receberem os eleitores, por não fazerem requerimentos, por não participarem nas comissões ...? Não, outros não fizeram nada disso mas votaram a favor sempre que lhes era ordenado.
Este PS não admite qualquer dissidência nem liberdade de opinião para os deputados eleitos pelos cidadãos, mesmo que seja simplesmente para cumprir o programa do PS e mostrar aos eleitores que se respeita a sua vontade.
Nem sequer manda uma carta de despedida. Simplesmente ignora-os, mesmo quando proclama que todos podem exprimir opinião.
Já era tempo de os eleitores poderem escolher os seus deputados e não apenas os partidos.

O delírio, o estertor ou "as novas oportunidades"?


Não é montagem! Isto foi retirado do blogue oficial do candidato do PS à câmara de Mértola. O cartaz está espalhado por todo o concelho, nas rotundas principalmente, competindo com as sábias frases de Manuela Ferreira Leite (a tal que gostava de estar calada e agora já tem projectos).
ver http://jorgerosacandidatura.blogspot.com/

E as últimas descobertas deste pessoal em Mértola, que nós passamos a conhecer, são:

- O Partido Comunista é o mais rico de todos (?!?!). Ganhou o concurso;
- Mértola é feliz (parabéns!);
- Apesar de feliz e apesar de não ser a CDU quem tem estado no poder, Mértola é atrasada, tendo como responsável por esse atraso o candidato da CDU (raciocínio interessante ?!, do ponto de vista de uma lógica pós-moderna).

Conclusões:
- O PS está no poder há oito anos, "com raízes no passado e olhos postos no futuro", mas a CDU é responsável por este atraso, espelhado na imagem.
- O povo de Mértola é atrasado mas feliz; "Pobretes mas alegretes", como se dizia antes.
- As artes gráficas e a propaganda estão a passar por um processo de modernismo e vanguarda em Mértola só comparável com os anos 30 do século XX.
...
Depois lembrei-me de uma célebre anedota do antigo presidente do Brasil, Costa e Silva que dizia:

"Antes de ser presidente, o Brasil estava a um passo do abismo.
Comigo, deu um passo em frente!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Especuladores

Algumas pérolas do “comunicado da CME" sobre a isenção de IMI no Centro Histórico

«6 - O baixo assinado (sic!) que corre na Net integra verdadeiros defensores do Centro Histórico? Não. Integra pessoas que lutam, apesar de legitimamente, pelos seus interesses pessoais, sem terem verdadeiras preocupações patrimoniais, sociais, culturais»

«7 – Os pretensos fazedores de opinião, jornalistas, articulistas, cronistas, comentadores políticos e até políticos que responsabilizam a Autarquia pela degradação física e a ausência de actividades que promovam a sociabilidade, a cultura, o turismo, as artes no Centro Histórico têm razão?Não.
Primeiro, omitem, por ignorância ou má-fé, que a responsabilidade directa pela degradação dos prédios no Centro Histórico é dos proprietários alguns deles ricos e especuladores imobiliários.

in http://maisevora.blogspot.com/

Mas afinal o texto, segundo o Diário do Sul não é da Câmara mas do assessor principal do Presidente da Câmara.
Andei a pensar quem seriam os especuladores. Olhei para mim e não me achei; pensei naquele dono da tasca ali perto e também não me pareceu; um ou outro comerciante que conheço também não o achei em condições disso. Talvez o ex-banco Pinto e Sotto Mayor; talvez a Câmara Municipal que tem negociado tanto património ... E dei por mim a pensar que não pode ser assim: isso era no tempo do Botas que queria que todos desconfiassem de todos e que todos se denunciassem uns aos outros, bastando as suspeitas como fundamento.

Como o senhor assessor é pago pelo erário público deveria fundamentar e, pelo menos, mostrar a lista dos especuladores que aponta, com provas suficientes para isso. Ou então, se não for capaz, que peça desculpas aos moradores e que desconte no ordenado a perda de tempo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O imposto municipal e o Património Mundial

«Julgamos que após a longa discussão aqui publicada à volta do IMI do Centro Histórico de Évora teria esgotado o assunto que se espera resolvido a contento. Todavia algumas solicitações recebidas pedem-nos acolhimento aos seus pontos de vista sobre o assunto IMI. Estamos a publicá-las para melhor esclarecimento público e deste modo pomos fim à discussão do assunto nestas colunas. Diário do Sul dedicou a este caso espaço alargado das suas edições»
(Nota da Redacção, publicada hoje no Diário do Sul, enquadrando posições da CME, de António Dieb do PSD, da coordenadora concelhia da CDU e um texto endereçado ao Director Regional da Cultura).
citado por http://maisevora.blogspot.com/

Ora o "Diário do Sul" encerrou a questão, precisamente quando o debate começa a existir.

Não costumo ler o Diário do Sul, até porque na vida temos que ter prioridades. Também não chego ao ponto de dizer que este jornal seja o órgão oficial do executivo camarário. Parece quase, mas não é, nem a tanto se atreveria a Câmara actual.

É estranha esta atitude de regozijo do actual presidente em relação ao possível fim da isenção do imposto municipal no Centro Histórico. Diria que são atitudes que só se coadunam com uma visão de curto prazo e que não têm em conta a identidade e a importância da cidade, o que é grave.

Veja-se o que aconteceu por essa Europa no século XX em relação ao património construído. O que não foi destruído pela revolução industrial foi arrasado pela 1ª e 2ª guerras. Londres, Moscovo, S. Petersburgo, Cracóvia, Colónia, Dresden, Berlim ... foram bombardeadas sistematicamente, algumas até ao limite. Até a Espanha que oficialmente não entrou em nenhuma dessas guerras foi em grande parte destruída pela guerra civil.

E foram reconstruídas!

Muito do que vimos é pastiche, mas mesmo assim fez-se.

Quanto custou, quanto custa essa reconstrução e essa manutenção no dia a dia?

Aqui, em Évora, um caso excepcional na Europa, herdámos um património mais ou menos genuíno, fruto também de muita gente que lutou pela sua preservação.
Mas estas coisas pagam-se e se não houver o mínimo de despesas e subsídios ou minimização de despesas para os proprietários e moradores as coisas caem sem necessidade de guerra nenhuma, como cairam e foram (e são) destruídas em muitos lados e até aqui.

Será que alguns pensam que o património, para existir, tem que ser preservado apenas pelos moradores? Para que se fomente o turismo, para que se tirem fotografias? E que os moradores paguem o ónus de uma reconstrução mais cara (quando se mexe numa parede ou num chão pode aparecer muita coisa inesperada), de limitações inúmeras, de trânsito e estacionamento condicionado, de transportes obsoletos, de estruturas e serviços que se deslocam para outros lados?

Há quem queira que uns paguem tudo para manter, repito, uma cidade para os turistas tirarem fotografias?
Pensem também nos custos de tornar um centro histórico ainda mais caro para os que lá vivem e depois vejam quem é que o quer preservar só à sua custa.

Afinal, talvez o que falte a alguns é uma concepção de cidade viva e Património Mundial vivido.

A catedral de Miranda do Douro






Faz impressão como se fez uma catedral neste local e com esta dimensão.
Se a província de Trás-os-Montes já era periférica, Miranda ainda mais em relação aos centros de decisão, isto é, Lisboa. Imagine-se uma viagem até lá, antes da chegada do comboio e num país sem estradas. Veja-se também as arribas do Douro e o que elas seriam antes de haver barragens.
E lá está este edifício imenso, como para mostrar aos espanhóis, e a todos em geral, que aqui também mandava o Altar e o Trono.
Uma catedral do século XVI, uma igreja-salão para todos ouvirem a mesma voz e interiorizarem o mesmo ritual, como na de Portalegre, por exemplo.


Descaramento!?!

É surpreendente o descaramento de alguns que, ao dizerem o que lhes apetece só para se promoverem, culpando sempre os outros pelos pretensos azares, parecem querer presumir que os ouvintes são uns atrasados passivos sem memória nenhuma.
Vem isto a propósito de Santana Lopes num debate com António Costa. Até teve o desplante de dizer que os outros é que deixaram dívidas e que um candidato a vereador foi responsável por prejuízos em relação ao túnel (o tal que além de caríssimo, à nossa custa, ainda mete mais automóveis em Lisboa em cima dos passeios). Como se as suas ideias "miraculosas", à custa do orçamento, não pudessem ser postas em causa.
Será que o senhor Lopes não tem consciência que deixou Lisboa quase ingovernável e que se não fossem os outros que lá ficaram, não apenas António Costa mas outros vereadores da oposição, até o seu anterior vice-presidente, Lisboa estaria na bancarrota e que a se a câmara já conseguiu recuperar algum crédito totalmente perdido no tempo em que este senhor desbaratava tudo e não pagava foi porque ele se foi embora? Como é que alguém que (como é que Durão Barroso, ao fugir, e o PSD a dar-lhe confiança …?) que foi despedido sumariamente pelo Presidente da República (demasiado paciente) por incompetência como primeiro-ministro ainda é capaz de se apresentar publicamente com estes dislates?

sábado, 25 de julho de 2009

O maior pecador


Não sei quem foi o maior pecador. Mas sinceramente aqui vai uma pequena homenagem a quem se fez representar assim post-mortem na catedral de Miranda do Douro:
"Aqui jaz Lourenzo Machado o maior pecador pede que..."

Um bom exemplo para alguns! Reconheceu que errou e pede humildemente que rezem por ele. Ou será que foi uma última homenagem a si próprio?
Quanto aos actuais que só se gabam, seria melhor que se fossem embora! Já!
Porque nem sabem reconhecer o que não fizeram ou o que fizeram e não deveriam ter feito.

Linguagem gestual

A esta hora, com a profusão de notícias de última hora do Verão, já alguns se esqueceram dos cornitos do Manuel Pinho.
Estava eu, na véspera dos cornitos, em uma noite de insónias, abri a televisão e vejo uma entrevista com o ministro da Economia. Digo até que achei alguns argumentos interessantes sobre o que ele antes tinha anunciado sobre o fim da crise antes dela começar.
Para lá do resto, o que me admirou foi a maneira de fazer cornos.
Com as duas mãos?!
Isso é coisa de betinhos. Os pobres fazem apenas com os dedos de uma mão.