quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Ruas de Tavira
A rua Borda D'Água da Asseca é bem explícita: junto ao rio que até aqui se chama Gilão e depois passa a ser Asseca ou Séqua, sendo asseca ou acéquia um curso de água.
A história dos fumeiros não a conheço; o que sei é que havia (e há)uma técnica de conservar a carne ou o peixe através do fumo. E Tavira era uma cidade portuária e exportadora.
Sobre a Corujeira é que não conheço a história nem adianto palpites.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Mausoléu em Mértola
Foi recentemente descoberto, durante obras na rua, em Mértola, o que parece ser um mausoléu do séc. VI. Disseram-me também que foram encontradas inscrições em grego, o que não admira, dado que em lápide junto à antiga basílica paleo-cristã também já tinha aparecido outra na mesma língua. Além disso o grego era uma das mais importantes línguas francas do Mediterrâneo e o Império Bizantino continuava a ser uma grande potência.
E era do Oriente que vinha a luz.
Qualidades da língua portuguesa: "língua perfeita e uma das melhores do mundo"
domingo, 28 de dezembro de 2008
Mina de S. Domingos (Achada do Gamo)
Assim ficou a Mina após o abandono nos anos 60.
A Mason and Barry explorou o subsolo. A La Sabina ainda é proprietária.
Os mineiros foram para a Margem Sul do Tejo, para França e Canadá e outras partes; alguns só ganharam o direito a ter passaporte como indemnização de tantos trabalhos e problemas pulmonares. A poluição e as ruínas por cá ficaram.
Athenae Athenarum
As ruínas do Parthenón, as Cariátides (na imagem) são sublimes; o resto é a concentração de mais de um terço da população numa Península-Cidade, poluída visualmente, poluída pelos gases e pelo ruído, poluída pela corrupção.
Não seriam necessários muitos pretextos para haver revoltas urbanas.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Santana de Cambas
"Moreanes é meu Povo
Minha Aldeia é Santana ..."
A drogaria tem o nome do dono, o mini-mercado o da proprietária, os Sapos é uma povoação, a Mina era dos ingleses, a barragem dos espanhóis e o cemitério de toda a gente.
O café já abriu.
Também uma homenagem ao presidente da Junta. Não o conheci; mas o que sei é que a actividade política das juntas de freguesia é das mais nobres, em que se participa quase anonimamente sem quase nada receber em troca, nem direito a promoções na carreira.
As casas continuam alvamente brancas e asseadas
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
FALAVAM-ME DE AMOR
FALAVAM-ME DE AMOR
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
Natália Correia, O Dilúvio e a Pomba, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
Natália Correia, O Dilúvio e a Pomba, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979
Canção tão simples
Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?
Manuel Alegre Portugal
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?
Manuel Alegre Portugal
Em manutenção
Estive alguns dias com uma gripe, ou, à falta de outra explicação, com uma virose e bronquite sucedânea. O que sei é que tinha febre e tosse, o que parece que até é bom. Embora não sendo mau não tinha disposição para mais nada.
Mal comecei a estar quase em condições levei com os testes, as avaliações, trabalhos atrasados, tudo em cima e ao mesmo tempo.
Agora espero pelo Natal.
Mal comecei a estar quase em condições levei com os testes, as avaliações, trabalhos atrasados, tudo em cima e ao mesmo tempo.
Agora espero pelo Natal.
O assalto capitalista ao solstício de Inverno
Imagem do filme "Ivan o Terrível", de Eisenstein, o mesmo realizador que fez a famosa cena do assalto ao Palácio de Inverno, em "Outubro".O Natal, antes de ser a data marcada postumamente para o nascimento de Jesus, o Deus Menino, que sucedeu a Mitra, como sua mãe a Ísis e às “Vénus” do Neolítico, era a festa pagã do Solstício de Inverno, o dia mais pequeno do ano, quando a falta de luz solar levava os homens a acender fogueiras como contraponto e homenagem à Natureza. Tal como pelo S. João das moças, que elegeram esse ascético semi-nu do deserto ou em alternativa o S. António do menino ao colo, intelectual franciscano e pregador milagroso contra os albigenses, se acendem também fogueiras no solstício de Verão, tempo de festas e outros mais prazenteiros afazeres. Os acertos do calendário, que afinal o ano não é de 365 dias, levaram até a que o Natal já não seja bem o solstício e a que os cristãos orientais por teimosia ou tradição festejem o Natal em Janeiro, tal como os espanhóis com os Reis Magos, tradição que se perdeu por cá, não fossem ainda alguns cantar as janeiras.
A Igreja Católica, uma religião ainda rural, apropriou-se da festa do solstício e este continuou com a sua festa e os homens com o seu culto agrário, durante quase dois milénios.
A revolução industrial foi destruindo toda esta ligação telúrica e o capitalismo achou por bem aproveitar a oportunidade, reconstruindo o mito, reaproveitando e reconstruindo a história em favor do consumo que enriquece as empresas.
E vá de transformar o Natal e o Solstício, fim e princípio de outro ciclo de vida e esperança. Ainda há uns anos eram as crianças, algumas, quem recebia a prenda em nome da renovação da vida. À noite, e as noites eram longas, deixava-se um sapatinho à chaminé, ao calor desse outro sol que era a fogueira da família, o lar. De manhã, bem cedo, levantavam-se as crianças, estremunhadas e sempre surpreendidas com a prenda do Menino Jesus, criança também em crescimento, como o sol que todos os dias se transfigurava num dia maior que o outro.
O Pai Natal era um mito mais nórdico, até associado aos protestantes tal como a árvore com a neve que raramente caía no Sul da Europa. A Coca-Cola deu-lhe ainda outra cor, mais apelativa, ao velho santo, ao santo do ano velho que acabava. Quem tinha imagens juntava musgo, sementes de trigo já germinadas e fazia um presépio. Pinheiros nem sequer se usavam em terras de carrascos, azinheiras, sobreiros e oliveiras. A vaca era o sinal da vida, do leite materno, o burro manso o trabalho em que quase todos se consumiam, os pastores, o retrato do homens, os reis magos do Oriente, a esperança em melhores dias que se iniciavam com o crescer do Sol.
O Natal era para as crianças e com prendas simples. Contaram-me até a alegria de uma criança na Beira, na Terra Fria onde as poucas frutas são ácidas, que recebeu do Menino Jesus a maravilha de uma laranja doce da Baía.
A família juntava-se, era certo, mas os rapazes faziam as suas festas. Em alguns locais do Alentejo chamavam-lhe a Missadura, o que dava azo a pequenos escândalos quando estes já apareciam cantando, levados pelo deus Baco, que há-de haver sempre um culpado qualquer, e dizendo algumas asneiras e piropos às raparigas que estavam na Missa do Galo, meio oficial, meio pagã também.
Mas inventou-se o consumo, que não é mau de todo e dá jeito temporário a quem consome e sobretudo a quem lucra e deixa os outros dependentes. Inventou-se o subsídio de Natal que, em vez de se pagar durante o ano um salário mais justo, acumula-se nas empresas e no sistema financeiro com juros devidos e acumulados por quem o detém, para entregar apenas no final do ano, para que o consumo seja mais rápido e se faça um “potlach” ao agrado de todos em particular e da economia de alguns em geral.
E vá de dar prendas a todos e de encher as ruas de luzes, em vez de fogueiras, das mesmas músicas, de encher as salas de prendas para dar às crianças que desembrulham tudo, se enfastiam depressa com a excitação de exigir mais ainda. E vá de dar prendas às mulheres e homens adultos, à malfadada sogra, aos irmãos com quem alguns se zangam por causa das partilhas das recordações dos pais defuntos e ainda à prima e ao primo, ao amigo, ao conhecido de há tempos, ao outro e à outra que fica mal não dar prenda, até porque já se recebeu uma prendinha da loja do chinês.
E lá se vai o Natal, com as suas alegrias e zangas e o Janeiro que há-de vir para pagar as contas.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Assembleia da República
A ministra foi chamada à Assembleia da República. Nem uma palavra sobre a greve e a contestação nas escolas. Aliás, continua a dizer que os professores são retrógrados.
Todos. Sim todos. Certamente os do PS também. Só ela, os secretários de estado, algum ministro, um deputado e outra deputada é que não.
Diz que está aberta ao diálogo e que até pode haver outro modelo, mas este ano não.
Acusou os outros de não terem projectos. Agora que outros partidos estão a fazer propostas, o governo vai-se embora. É o respeito que tem pela Assembleia da República.
E os deputados do PS o que vão fazer?
E os deputados do PS que até são professores o que irão fazer?
Já saberemos daqui a alguns momentos. Espero que não saiam da sala antes das votações, para fingir que não viram.
E agora, Manuel?
Acabei de ouvir um jovem deputada socialista em defesa do TGV a dizer:
"é necessário que o progresso progrida para andar para a frente"
Todos. Sim todos. Certamente os do PS também. Só ela, os secretários de estado, algum ministro, um deputado e outra deputada é que não.
Diz que está aberta ao diálogo e que até pode haver outro modelo, mas este ano não.
Acusou os outros de não terem projectos. Agora que outros partidos estão a fazer propostas, o governo vai-se embora. É o respeito que tem pela Assembleia da República.
E os deputados do PS o que vão fazer?
E os deputados do PS que até são professores o que irão fazer?
Já saberemos daqui a alguns momentos. Espero que não saiam da sala antes das votações, para fingir que não viram.
E agora, Manuel?
Acabei de ouvir um jovem deputada socialista em defesa do TGV a dizer:
"é necessário que o progresso progrida para andar para a frente"
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
História e Cidadania
Discute-se muito a questão da avaliação dos professores, o estatuto do professor, do aluno etc.
Também se fala em escola pública e cidadania.
Mas estranhamente o ministério não mexe nos curricula e parece que poucos discutem o assunto, como se o único problema da Educação fosse a avaliação dos professores.
Ora, uma disciplina fundamental para o conhecimento das ideias políticas, religiosas, económicas etc., e uma introdução à noção de cidadania, é a História.
Também se fala em escola pública e cidadania.
Mas estranhamente o ministério não mexe nos curricula e parece que poucos discutem o assunto, como se o único problema da Educação fosse a avaliação dos professores.
Ora, uma disciplina fundamental para o conhecimento das ideias políticas, religiosas, económicas etc., e uma introdução à noção de cidadania, é a História.
Apenas dois exemplos:
- Na maioria das escolas, no 7º ano, os alunos têm uma aula semanal de História, tanto como Área de Projecto ou Educação Moral e Religiosa (opção). Quem poderá exigir conhecimentos a estes alunos?
- No programa de História C, do ensino secundário ( ver http://www.dgidc.min-edu.pt/programs/prog_hom/historia_c_11_(59)homol.pdf e http://www.dgidc.min-edu.pt/programs/prog_hom/historia_c_10_(58)homol.pdf) não há sequer uma palavra sobre a Inquisição em Portugal, como se a repressão física e às ideias durante mais de trezentos anos fosse uma coisa menor. No mesmo programa, no 11º ano, não se estuda a 1ª República em Portugal, apenas aparecendo (quase à boa maneira do Estado Novo) a referência (e cito): 2. Portugal do Estado Novo: O fracasso da 1ª República e a Ditadura Militar.
Mensageiro errado
Cito texto de Vital Moreira
in http://causa-nossa.blogspot.com/
in http://causa-nossa.blogspot.com/
Mensagem errada
O apoio governamental ao resgate do BPP, salvando umas dezenas ou centenas de grandes fortunas nele investidas, só serve para alimentar a campanha comunista e esquerdista de "cumplicidade do Governo com o grande capital". Quando a recessão bate à porta e muita gente vai sofrer com ela, sobretudo por via do aumento do desemprego, não era essa propriamente a mensagem política que o Governo deveria emitir.
O apoio governamental ao resgate do BPP, salvando umas dezenas ou centenas de grandes fortunas nele investidas, só serve para alimentar a campanha comunista e esquerdista de "cumplicidade do Governo com o grande capital". Quando a recessão bate à porta e muita gente vai sofrer com ela, sobretudo por via do aumento do desemprego, não era essa propriamente a mensagem política que o Governo deveria emitir.
Recordo-me do tempo, em 1975/76, quando ia à Assembleia Constituinte, tinha eu 17/18 anos e ouvia aqueles discursos inflamados. Já nessa altura Vital Moreira era contra os esquerdistas mas defendia acerrimamente os comunistas.
Mas ainda concordo com algumas coisas. Tem algum sentido andarmos a apertar o cinto desde há uns anos, a sacrificar-nos pelo déficit e agora ver o governo, já sem reminiscências socialistas, a financiar com os nossos impostos, primeiro o BPN, dos sócios PSD e quejandos, agora o tal Banco Privado a que só acede quem tem centenas de milhares de euros ?
E as Caraíbas meus senhores, como estão?
APPACDM de ÉVORA e outras instituições.
Abriu uma exposição com trabalhos de alunos com algumas deficiências. Nunca é demais mostrar o que é possível fazer contra os preconceitos. Trata-se de cidadania. Conheço quem tenha paralisia cerebral e inteligência superior à de muitos ditos normais.
Quero aqui prestar homenagem à minha prima Isabel de Lemos Rebocho que foi fundadora da instituição sedeada na Quinta do Escurinho e durante dezenas de anos presidente desta instituição.
Mora a metros desta exposição e não foi convidada nem informada.
Em Agosto de 1637
Descaramento, insanidade, demagogia? Ridículo.
Apareceu na televisão um secretário de estado a dizer que a esmagadora maioria das escolas estão abertas.
Se este senhor não vê nada, será que ainda é legítimo sequer receber um vencimento do Estado?
Este país merece mais que a farsa do "orgulhosamente sós" (neste caso é até só um).
Se este senhor não vê nada, será que ainda é legítimo sequer receber um vencimento do Estado?
Este país merece mais que a farsa do "orgulhosamente sós" (neste caso é até só um).
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Manifestação em Évora. Em 1637.
E, se não tivesse havido o 1º de Dezembro de 1640? Estaríamos a falar castelhano ou a contestar o poder de Madrid, como fazem tantos catalães, bascos e galegos?
Neste dia, o rei de Portugal era o mesmo de Espanha. Em 1580, Filipe II de Espanha e primeiro de Portugal, tinha prometido conservar as leis, a língua e os costumes de Portugal. Mas, no século XVII já estava em curso uma maior integração e um projecto de transformar o nosso país numa província.Em 1640, meses antes de Dezembro, tinha rebentado uma revolta em Barcelona, conhecida por ser a revolta de “els segadors” (à letra, os ceifeiros), descrita pelo português, mas em língua castelhana, D. Francisco Manuel de Mello que ainda teve problemas por defender a nacionalidade portuguesa.Com a revolta da Catalunha, os portugueses conseguiram consolidar a resistência, formar um exército, construir muralhas, visto que as forças espanholas estavam concentradas aí. Évora também sofreu com a ocupação pelo exército de D. João de Áustria.
Mas já em 1637 tinha havido uma revolta popular em Évora, que Severim de Faria tão bem descreve. Repare-se no que se passou, a partir da Praça Grande, hoje Praça do Giraldo:
Choveram no mesmo instante pedras nas janelas e casas do Corregedor, despedidas dos rapazes e pícaros da Praça, os quais, animados com a assistência do Povo, subiram acima e botaram na Praça, furiosa e confusamente, quanto acharam nas mesmas casas do Corregedor e, fazendo uma fogueira defronte delas, se pôs fogo a tudo.Escondeu-se o Corregedor em uns entre-solhos. E, sendo pouco depois achado pelos rapazes, passou aos telhados por uma fresta [...] se recolheu desairoso às casas do Cónego [...], que estão paredes meias com as suas. [...]Continuou a fúria do Povo amotinadamente pela Cidade e entrando em casa de Luís de Vila Lobos, logo na de Manuel de Macedo e de Agostinho de Moura, actuais vereadores, que já estavam escondidos, lançaram tudo o que havia nestas casas pelas janelas à rua, e grande parte se trouxe à fogueira que na Praça ardia. E ainda que estes vereadores não haviam entrado na nova diligência de inventariar as fazendas, tinham o ano passado dado consentimento a um novo tributo de um real por cada canada de vinho, e outro por cada arrátel de carne, que se vendessem pelo miúdo na Cidade, e porque logo então o Povo replicou, e não consentiu nestes novos reais, a que chamavam de água, executou agora nas casas dos ditos vereadores o ódio que desde aquele tempo havia concebido contra eles. E, querendo declarar mais como não consentira nunca aquele tributo do real de água, foi o mesmo Povo ao açougue e fez em rachas as balanças, porque as carnes se arrolavam para este tributo; e correndo às casas dos escrivães, trouxe a queimar na fogueira da Praça todos os livros e papéis que entendeu tocavam ao inventário das fazendas, ao tributo do real de água e também à quarta parte do Cabeção Geral, que o ano passado se havia imposto e em que o Povo do mesmo modo não consentia.Notou-se que em todos estes acontecimentos não houve ânimo nenhum de se furtar cousa alguma; tudo o que se achou nestas casas ou veio à fogueira da Praça ou saiu em pedaços pelas janelas, e tanto assim que até umas panelas de doces, que estavam em casa do Corregedor, vieram à mesma fogueira, sem haver quem lhes tocasse para outro efeito.
Foi este dia de grandíssima confusão nesta Cidade, e quase do mesmo modo os três ou quatro que se lhe seguiram, porque esta parte vil do Povo, que foi só que se moveu, amotinada em vários troços, andava furiosa de dia e de noite, corria e apedrejava as casas daqueles que nas ocasiões dos tributos se haviam mostrado menos zelosos do bem comum, e, como as justiças não apareciam e os nobres recearam que, se resistissem a este ímpeto, o poderiam acrescentar, acumulando-se de novo nos pícaros e maganos, a outra parte melhor do Povo, que não estava declarada, era tudo horror tudo confusão: o Povo se apelidava o Povo se ouvia e, sem ordem nem concerto, o Povo dispunha e executava.
Seguiu quase todo o Alentejo e o Reino do Algarve, e ainda alguns lugares da Beira, o exemplo de Évora, e sucessivamente se foram levantando com os tributos do real de água e quarta parte do cabeção; e dos lugares maiores só Elvas, Moura e Estremoz ficaram quietos, e os demais foram os movimentos da mesma qualidade que em Evora, mais ou menos segundo a ocasião do ímpeto, prudência das justiças e resistências dos nobres, que em toda a parte se opuseram a estes motins. Lugares houve em que vieram a fogueiras públicas os cartórios civis e crimes dos escrivães, em que não havia nada que pertencesse nem a tributos nem a inventários das fazendas.
Manuel Severim de Faria,«Relação do que sucedeu em Portugal, e nas mais províncias do Ocidente desde 1637 até Março de l638», in Alterações de Évora, int. e notas de Joel Serrão, Portugália, Lisboa, 1967, pp. 137-142.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Amanhã há mais
28 de Novembro - Sul:
Portalegre,18h, Praça da República
Évora, 17h30, Praça do Sertório (junto à Câmara Municipal)
Beja, 17h30, Largo de S.João (frente ao Teatro Pax Júlia)
Faro, 20h30, Coreto do Jardim Manuel Bívar (junto à Marina)
Portalegre,18h, Praça da República
Évora, 17h30, Praça do Sertório (junto à Câmara Municipal)
Beja, 17h30, Largo de S.João (frente ao Teatro Pax Júlia)
Faro, 20h30, Coreto do Jardim Manuel Bívar (junto à Marina)
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