domingo, 29 de março de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Citações
Há, por um lado, aqueles que nunca citam nada e desprezam os autores, como se os que fazem coisas ainda tivessem que obter o favor de pedirem permissão para existirem e viverem de pão e água.
Mas há também a mania de citar continuamente, por vezes banalidades, como se só a autoridade de certos nomes permitisse a propriedade da palavra. Isto é muito comum em certas instituições, de tal maneira que nem se percebe o discurso de uns nem de outros, como se vivêssemos no tempo da Escolástica.
Aproveito um texto de Jorge de Sena e cito, porque vale a pena.
Certa vez, um inimigo meu que passava e ainda passa, graças à sua produção copiosa e hebdomadária, por crítico literário (o que me salva a mim, nestas matérias copiosas, é não ter sido nunca hebdomadário), e que, nesse tempo, sabia muito pouco inglês, dizia que a minha poesia e a de outros amigos meus era desse inglês traduzida... Esta a anedota n.º 1, que vamos comentar. A anedota n.º 2 refere-se a um amigo meu que não fazia versos «traduzidos» ou não, e que fora meu colega de curso. Certo dia, anos passados, visitando-me na minha casa de Lisboa e vendo-se rodeado de livros até ao tecto, perguntou-me muito honestamente: - Mas tu, quando escreves, não metes do que lês no que escreves? Como fazes para pensar por ti? - A 3.ª anedota passou-se com um erudito competentíssimo e digno, cujo carácter creio ter motivos para prezar. Dizia-me ele: - Vocês nunca citam nada, nunca fazem uma citação, nunca dão uma abonação -. E estranhava sinceramente a prática.
Em face destas três historiazinhas, que há-de um pobre homem fazer? Se a crítica analfabeta desconfia que ele está copiando do que ela não conhece... Se o público bem intencionado acha que a cultura e a informação podem prejudicar a originalidade espontânea... Se a crítica erudita acha, no fundo, que a espontaneidade corre o risco de, inocentemente, repetir o que já foi dito... E se - o que constitui por si só uma 4.ª anedota a comentarmos - a moda é que não se escreva um mísero e mesquinho artigo de jornal, sem um arraial de notas capazes de fazer corar tipógrafos... Digam-me o que há-de um pobre homem perpetrar […]
Acontece, porém que um “ensaio”, sem descer ao nível- que pode ser brilhante, mas é menor como arte literária- das “belas letras” sem mais consequências, é muito susceptível de ter sido escrito sem aparato crítico […]. Daí não se pode concluir que seja uma mastigação do muito que o autor leu. Não se pode concluir que seja uma manifestação de audácia e petulância […]
Se fosse preciso e indispensável, de cada vez que se pense em alguma coisa, fazer o levantamento de tudo o que se disse, neste mundo, acerca dessa coisa não se chegaria nunca a pensar nada. E não se julgue que a segurança do que foi dito, a exibição do que se sabe, etc. etc., constituem por si sós, ciência ou sinal distintivo dela.
SENA, Jorge- O Reino da Estupidez-1. Lisboa: Ed. 70, 1984, pp. 117 a 121
Palavras de Jorge de Sena, engenheiro de formação, doutorado em Literatura Portuguesa, especialista em Camões, romancista, dramaturgo, poeta ensaísta, que teve que se exilar no Brasil e depois nos EUA, leccionando na Universidade de Santa Bárbara, Califórnia, onde morreu, pois nenhuma universidade portuguesa o convidou nem antes nem depois do 25 de Abril
Mas há também a mania de citar continuamente, por vezes banalidades, como se só a autoridade de certos nomes permitisse a propriedade da palavra. Isto é muito comum em certas instituições, de tal maneira que nem se percebe o discurso de uns nem de outros, como se vivêssemos no tempo da Escolástica.
Aproveito um texto de Jorge de Sena e cito, porque vale a pena.
CITAR OU NÃO CITAR- Eis a questão
Certa vez, um inimigo meu que passava e ainda passa, graças à sua produção copiosa e hebdomadária, por crítico literário (o que me salva a mim, nestas matérias copiosas, é não ter sido nunca hebdomadário), e que, nesse tempo, sabia muito pouco inglês, dizia que a minha poesia e a de outros amigos meus era desse inglês traduzida... Esta a anedota n.º 1, que vamos comentar. A anedota n.º 2 refere-se a um amigo meu que não fazia versos «traduzidos» ou não, e que fora meu colega de curso. Certo dia, anos passados, visitando-me na minha casa de Lisboa e vendo-se rodeado de livros até ao tecto, perguntou-me muito honestamente: - Mas tu, quando escreves, não metes do que lês no que escreves? Como fazes para pensar por ti? - A 3.ª anedota passou-se com um erudito competentíssimo e digno, cujo carácter creio ter motivos para prezar. Dizia-me ele: - Vocês nunca citam nada, nunca fazem uma citação, nunca dão uma abonação -. E estranhava sinceramente a prática.
Em face destas três historiazinhas, que há-de um pobre homem fazer? Se a crítica analfabeta desconfia que ele está copiando do que ela não conhece... Se o público bem intencionado acha que a cultura e a informação podem prejudicar a originalidade espontânea... Se a crítica erudita acha, no fundo, que a espontaneidade corre o risco de, inocentemente, repetir o que já foi dito... E se - o que constitui por si só uma 4.ª anedota a comentarmos - a moda é que não se escreva um mísero e mesquinho artigo de jornal, sem um arraial de notas capazes de fazer corar tipógrafos... Digam-me o que há-de um pobre homem perpetrar […]
Acontece, porém que um “ensaio”, sem descer ao nível- que pode ser brilhante, mas é menor como arte literária- das “belas letras” sem mais consequências, é muito susceptível de ter sido escrito sem aparato crítico […]. Daí não se pode concluir que seja uma mastigação do muito que o autor leu. Não se pode concluir que seja uma manifestação de audácia e petulância […]
Se fosse preciso e indispensável, de cada vez que se pense em alguma coisa, fazer o levantamento de tudo o que se disse, neste mundo, acerca dessa coisa não se chegaria nunca a pensar nada. E não se julgue que a segurança do que foi dito, a exibição do que se sabe, etc. etc., constituem por si sós, ciência ou sinal distintivo dela.
SENA, Jorge- O Reino da Estupidez-1. Lisboa: Ed. 70, 1984, pp. 117 a 121
Palavras de Jorge de Sena, engenheiro de formação, doutorado em Literatura Portuguesa, especialista em Camões, romancista, dramaturgo, poeta ensaísta, que teve que se exilar no Brasil e depois nos EUA, leccionando na Universidade de Santa Bárbara, Califórnia, onde morreu, pois nenhuma universidade portuguesa o convidou nem antes nem depois do 25 de Abril
De Jorge de Sena
NO PAÍS DOS SACANAS
Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharia
sem que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, ajustiça,
a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
Jorge de Sena
Nota: a palavra sacana é de origem japonesa e significava peixe ou comedor de peixe. Evidentemente não foram os samurais que fizeram esta alteração semântica.
Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharia
sem que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, ajustiça,
a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
Jorge de Sena
Nota: a palavra sacana é de origem japonesa e significava peixe ou comedor de peixe. Evidentemente não foram os samurais que fizeram esta alteração semântica.
Palavras gastas
Há quem tenha passado estes últimos anos irritado com a Ministra da Educação. A irritação deu lugar a bombardeamentos de mensagens, com autor e sem autor, como se os outros tivessem que aturar tudo de pessoas que só acordam tarde de mais. Alguns acordaram demasiado tarde e agora mergulham outra vez no sono. Depois de continuamente falarem da “sinistra” que tinha todos os defeitos, agora fazem tudo o que ela quer. E vão passar à frente dos outros, agora desta forma curvilínea, depois de tanta excitação a excitar os outros contra os demónios.
Arrependeram-se e deixam muitos para trás.
Liberdade de opinião é uma coisa, tolerância outra, incoerência é coisa que não me interessa. Como não me interessam os arrependidos de uma hora para outra, aqueles que pedem desculpa continuamente e mais uma vez atropelam os companheiros do dia anterior.
Arrependeram-se e deixam muitos para trás.
Liberdade de opinião é uma coisa, tolerância outra, incoerência é coisa que não me interessa. Como não me interessam os arrependidos de uma hora para outra, aqueles que pedem desculpa continuamente e mais uma vez atropelam os companheiros do dia anterior.
Eu, por mim, não preciso de sorrisos amarelos e não tenho paciência para máscaras que não sejam de Entrudo.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Alexandre Herculano e pensamentos




Sinto algum tédio em relação à política do Ministério da Educação e sua incompetência e às reacções de alguns. E à falta de visão, agora que já pouco falta para acabar o ano lectivo, sendo que um processo de avaliação deve começar logo no início do ano e não depois de meio.
Lembro-me de frases de Alexandre Herculano:
Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais.
Lembro-me de frases de Alexandre Herculano:
Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais.
Querer é quase sempre poder: o que é excessivamente raro é o querer.
Mas já a natureza rebenta por todo o lado. Na Primavera recomeça o ciclo da alegria. Já a figueira tem figos e a roseira e a laranjeira flores e a vinha parras, indiferentes a crises, governos e incoerências.
domingo, 22 de março de 2009
Os meus funcionários no quintal
Os meus funcionários.
Chamo-lhes funcionários porque funcionam. Sem ordens, numa anarquia como deve ser. Aparecem quando querem, não têm horário definido, trabalham quando querem, descansam quando lhes apetece, mas cumprem as metas e os objectivos. Misturam ócio com trabalho e prazer e não obedecem à voz do dono. Diga-se de passagem que o presumível dono também não está interessado na obediência; nem pode.
Um dos funcionários é o cágado. Não aparece na fotografia porque não lhe apeteceu mostrar-se hoje. Mas, desde que ele começou na sua actividade, o número de caracóis e outros bichinhos tem diminuído. É lento aparentemente, mas eficaz.
O outro é o ouriço. Ainda está em observações. O que significa que só o verei quando lhe apetecer, provavelmente à noite. Espera-se que coma alguma fruta caída e que afaste indesejáveis: os ratos.
Outros são os gatos. Não têm dono, andam por aí. Alguns aparecem, às vezes, com um lacinho ou uma campainha ao pescoço. Mas a natureza deles leva-os ao mesmo. Como dizia um amigo meu, que agora é advogado na Amareleja (uma bela terra), os gatos não são animais domésticos, são comensais. Além disso são uns alarves, não respeitam regra nenhuma que eles não queiram. Quando muito fazem contratos, com contrapartidas, em negociação permanente. E depois até parece que gozam connosco, enquanto andamos a arrancar ervas, eles refastelam-se ao sol, esperam com paciência até atacar no momento certo, em que levam um bocado de chouriço, um queijo ou uma cabeça de peixe, ou mais ainda, além de marcarem a presença com umas urinadelas fedorentas, (eles, elas são mais maviosas, sobretudo quando têm responsabilidades acrescidas, após o mês de Janeiro), apesar de preservarem muito o seu asseio. Mas com eles, desaparecem os ratos, as cobras e, sabe-se lá mais o quê.
É assim. Estes bichos já há muito que descobriram a Ecologia. Nós vamos também aprendendo com eles.
Diana Andringa na Biblioteca Pública de Évora
Recebi da Biblioteca Pública:
No próximo dia 26 de Março, Quinta-feira, pelas 21.30 horas, a Biblioteca Pública de Évora promove mais umas Leituras das Ciências, Artes e Sociedade. A área em foco é o Jornalismo, pela voz da reputada jornalista Diana Andringa.
Diana Andringa nasceu em 1947 em Angola e conta com um vasto currículo que lhe granjeou já diversos prémios pelo seu trabalho jornalístico e condecorações pela sua intervenção cívica. São exemplos os prémios "Nova Gente" de Jornalismo (1985), pelo trabalho sobre a guerra Irão/Iraque; o prémio de Jornalismo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (1993), pelo documentário "Aristides de Sousa Mendes, o Cônsul injustiçado" e ganhou uma Menção Honrosa no Prémio de Jornalismo “Direitos Humanos, Tolerância e Luta contra a Discriminação na Comunicação Social” do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (2006), por “Era uma vez um Arrastão”, documentário que analisa o comportamento da comunicação social e desmistifica o célebre acontecimento. Foi condecorada com Ordens nacionais por duas vezes, sendo Comendadora da Ordem do Infante e Grande Oficial da Ordem da Liberdade.
Foi jornalista em vários jornais e revistas como Vida Mundial ou Diário de Lisboa e exerceu cargos de importância na RTP, onde foi responsável por programas, realizou documentários e conduziu entrevistas, focando situações e personalidades de interesse.
Entre os muitos exemplos, abordou nos seus documentários o tema do 25 de Abril, a integração de Goa na República da Índia ou o regresso de Macau à administração chinesa; abordou personagens literárias como José Rodrigues Miguéis ou David Mourão Ferreira, e personagens políticas como Humberto Delgado ou Bento de Jesus Caraça, entre muitos outros.
As Leituras da Ciências, Artes e Sociedade integram-se num programa de longa duração que contou já com a participação de alguns dos nossos mais ilustres cientistas e divulgadores de ciência, como Paquete de Oliveira (Sociologia), Carlos Fiolhais (Física), Máximo Ferreira (Astronomia), Viriato Soromenho Marques (Ecologia), Daniel Sampaio (Psiquiatria) e Cláudio Torres (Arqueologia).
A sessão tem lugar às 21.30 horas na BPE e é de entrada livre, embora esteja sujeita a marcação. Para reservar o lugar basta proceder à inscrição on-line através do sítio da BPE em http://www.evora.net/BPE/ ou através do número de telefone 266 769 330.
No próximo dia 26 de Março, Quinta-feira, pelas 21.30 horas, a Biblioteca Pública de Évora promove mais umas Leituras das Ciências, Artes e Sociedade. A área em foco é o Jornalismo, pela voz da reputada jornalista Diana Andringa.
Diana Andringa nasceu em 1947 em Angola e conta com um vasto currículo que lhe granjeou já diversos prémios pelo seu trabalho jornalístico e condecorações pela sua intervenção cívica. São exemplos os prémios "Nova Gente" de Jornalismo (1985), pelo trabalho sobre a guerra Irão/Iraque; o prémio de Jornalismo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (1993), pelo documentário "Aristides de Sousa Mendes, o Cônsul injustiçado" e ganhou uma Menção Honrosa no Prémio de Jornalismo “Direitos Humanos, Tolerância e Luta contra a Discriminação na Comunicação Social” do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (2006), por “Era uma vez um Arrastão”, documentário que analisa o comportamento da comunicação social e desmistifica o célebre acontecimento. Foi condecorada com Ordens nacionais por duas vezes, sendo Comendadora da Ordem do Infante e Grande Oficial da Ordem da Liberdade.
Foi jornalista em vários jornais e revistas como Vida Mundial ou Diário de Lisboa e exerceu cargos de importância na RTP, onde foi responsável por programas, realizou documentários e conduziu entrevistas, focando situações e personalidades de interesse.
Entre os muitos exemplos, abordou nos seus documentários o tema do 25 de Abril, a integração de Goa na República da Índia ou o regresso de Macau à administração chinesa; abordou personagens literárias como José Rodrigues Miguéis ou David Mourão Ferreira, e personagens políticas como Humberto Delgado ou Bento de Jesus Caraça, entre muitos outros.
As Leituras da Ciências, Artes e Sociedade integram-se num programa de longa duração que contou já com a participação de alguns dos nossos mais ilustres cientistas e divulgadores de ciência, como Paquete de Oliveira (Sociologia), Carlos Fiolhais (Física), Máximo Ferreira (Astronomia), Viriato Soromenho Marques (Ecologia), Daniel Sampaio (Psiquiatria) e Cláudio Torres (Arqueologia).
A sessão tem lugar às 21.30 horas na BPE e é de entrada livre, embora esteja sujeita a marcação. Para reservar o lugar basta proceder à inscrição on-line através do sítio da BPE em http://www.evora.net/BPE/ ou através do número de telefone 266 769 330.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Não e sim. Eis a decisão.
Entrevista à Ministra da Educação.
Haverá mesmo penalização para quem não entregar os OI?
Pode haver ou não. Não é o ME que tem esse poder disciplinar sobre os professores.
[...]
Até mesmo Mário Nogueira reconhece que o professor não pode deixar os problemas à porta da sala de aula e, simultaneamente, lembra que as burocracias da avaliação dos docentes vão coincidir com o final do terceiro período.
O trabalho que se exige aos professores avaliados é, num momento inicial, a entrega dos Objectivos Individuais (OI) e, mais tarde, o preenchimento de uma ficha de auto-avaliação sobre o cumprimento desses OI. Depois, pode acontecer, ou não, uma reunião entre avaliadores e avaliados.
....
Jornal de Notícias, 18 de Maio
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1170558
Haverá mesmo penalização para quem não entregar os OI?
Pode haver ou não. Não é o ME que tem esse poder disciplinar sobre os professores.
[...]
Até mesmo Mário Nogueira reconhece que o professor não pode deixar os problemas à porta da sala de aula e, simultaneamente, lembra que as burocracias da avaliação dos docentes vão coincidir com o final do terceiro período.
O trabalho que se exige aos professores avaliados é, num momento inicial, a entrega dos Objectivos Individuais (OI) e, mais tarde, o preenchimento de uma ficha de auto-avaliação sobre o cumprimento desses OI. Depois, pode acontecer, ou não, uma reunião entre avaliadores e avaliados.
....
Jornal de Notícias, 18 de Maio
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1170558
Parlamento dos Jovens. Sessão distrital.




Ontem foi a sessão regional do Parlamento dos Jovens, em Évora. Havia propostas de onze escolas do distrito, cada uma representada por quatro alunos (deputados) e um suplente. Os deputados da E.S. Severim de Faria foram duplamente vencedores na sessão regional.
Foi aprovada a proposta feita pela turma de Ciência Política desta escola.
A escola ficou em primeiro lugar. Assim vão à Assembleia da República quatro representantes do distrito de Évora, os dois primeiros são da turma, João Zorrinho e José Benjamim.
Valeu a pena o esforço colectivo.
Foi aprovada a proposta feita pela turma de Ciência Política desta escola.
A escola ficou em primeiro lugar. Assim vão à Assembleia da República quatro representantes do distrito de Évora, os dois primeiros são da turma, João Zorrinho e José Benjamim.
Valeu a pena o esforço colectivo.
Das outras escolas houve também propostas muito interessantes.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
E o Carnaval não tem que ser subversão?
Escola terá de fazer o desfile pelas ruas
DREN contraria Conselho Pedagógico de Paredes de Coura na polémica sobre desfile de Carnaval
19.02.2009 - 18h52 Graça Barbosa Ribeiro
A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) contrariou hoje uma decisão do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura – que decidira fazer a festa de carnaval dentro do estabelecimento – e ordenou ao Conselho Executivo que convoque os professores para fazerem o desfile pelas ruas, amanhã à tarde.
“Tenho ordens para não falar, mas é impossível não reagir a esta desautorização da tutela em relação a uma decisão tomada em Conselho Pedagógico”, protestou a presidente do Conselho Executivo, Cecília Terleira, quando contactada pelo PÚBLICO.
Ontem à noite, os professores decidiram que, se após as explicações, a DREN mantivesse a ordem anteriormente dada através de correio electrónico, aceitariam participar no desfile, sob protesto, para não correrem o risco de ver demitida a presidente do Conselho Executivo.
“Vou fazer a convocatória, como foi acertado com os professores que, numa reunião marcada para hoje, poderão decidir manifestar, de alguma forma, o seu descontentamento”, disse Cecília Terleira.
A presidente do CE, que comentou que “os professores e os elementos dos órgãos de gestão da escola “estão em estado de choque com a falta de respeito da tutela por uma decisão tomada nos órgãos próprios”, sublinhou que o critério para o cancelamento do cortejo e de outras actividades foi suspender “apenas aquelas que não prejudicassem a aprendizagem dos alunos”.
Alegando falta de tempo – devido aos processos de eleição do Conselho Geral e do director e ao processo de avaliação – o Conselho Pedagógico decidiu terça-feira suspender algumas das 164 iniciativas que faziam parte dos planos de actividades. “Foram escolhidas apenas aquelas que não eram essenciais à aprendizagem e que, para além disso, eram promovidas fora do horário lectivo e não lectivo dos professores”, explicou Cecília Terleira.
Entre elas estava o cortejo de carnaval dos cerca de 400 alunos do pré-escolar e 1º ciclo do Ensino Básico que, decidiram os professores, festejariam o Carnaval mascarando-se e brincando nos respectivos estabelecimentos de ensino.
A decisão mereceu a imediata crítica da Câmara Municipal, de maioria socialista, e também da Associação de Pais, cujo presidente, Eduardo Bastos, disse ontem à noite à Lusa já ter “a informação, embora oficiosa”, de que iria “mesmo haver desfile”.
in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1365907&idCanal=58
Parece que está tudo invertido.
O que é o Carnaval? Ou o Entrudo como se costumava dizer?
O Carnaval para o ser, tem que ser subversão. É o direito a uma desordem tolerada por uns dias, para que o mundo se reordene novamente. O Carnaval é para pôr em causa as instituições, os vizinhos, gozar com os inimigos, inverter o mundo. É a época em que através do riso se põe a sociedade de pernas para o ar até se verem as coisas escondidas ou envergonhadas à espera de que alguém as veja.
A polémica está totalmente fora de sítio.
Nem a escola se deveria preocupar com o Carnaval, nem a Direcção Regional se deveria intrometer (é mesquinhice a mais ou então falta de sentido ético e político, controleirismo ou não ter mais nada que fazer).
Nem os professores se deveriam preocupar com isso. Ensinem que é a sua função. Um Conselho Pedagógico perde tempo com o Carnaval? Há convocatórias para o Carnaval, dentro ou fora, conforme os pequenos ditadores?
Recusem-se a fazer desfiles dentro ou fora. Se quiserem façam-no sem regras. E os alunos que o façam por si próprios.
E a Câmara Municipal? Quando muito criar algumas condições, e esperar que seja ridicularizada também.
E os pais? Querem Carnaval? Façam-no! Não esperem que outros trabalhem para eles. Quando muito deixem os miúdos fazer umas máscaras e protegerem-se dos ovos, da farinha e das alarvidades.
Também há pouco ouvi que o Ministério Público, num sítio qualquer, também quer proibir a utilização do "Magalhães" no Carnaval. Mas é o Ministério Público que manda agora, quer fazer o papel de um governo de segunda? Não tem mais nada que investigar? É função do Ministério Público fazer de Ministro do Interior do antigamente?
Mas que mania é esta de querer controlar tudo?
É, no mínimo, ridículo querer burocratizar e ordenar o Carnaval.
Eu, por mim, que até sou pacífico, quero aproveitar o Carnaval, e já que o Estado aprovou tolerância de ponto, espero que também me tolere esta vontade de pensar e dizer uns impropérios e mandar alguns aprendizes de feiticeiro para, pelo menos, irem à fava, mas sem estragar as favas que haveremos de comer com chouriço, ressalvadas as reservas em relação ao colesterol.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
A preto e branco? Não
Recebi este mail:
VÊ ESTE VIDEO ANTES DE SER RETIRADO DA REDE
Atreve-se a falar verdade!!
O VIDEO É FALADO EM ÁRABE, MAS O TEXTO COM LEGENDAS EM INGLÊS. SE NÃO PERCEBERES BEM, PF PEDE QUE TE TRADUZAM, VALE MESMO A PENA! Aqui está uma poderosa e incrível declaração da televisão Al Jazeera. A mulher é WAFA Sultan, uma psicóloga árabe-americana de Los Angeles. Sugiro que vejas o mais rápido possível, porque eu não sei quanto tempo o link vai estar activo. É muito surpreendente que a estação de TV com patrocínio árabe permita transmitir esta entrevista. É muito poderoso, não tenho dúvidas de que ela tenha agora a sua cabeça a premio. http://switch3.castup.net/cunet/gm.asp?ai=214&ar=1050wmv&ak
VÊ ESTE VIDEO ANTES DE SER RETIRADO DA REDE
Atreve-se a falar verdade!!
O VIDEO É FALADO EM ÁRABE, MAS O TEXTO COM LEGENDAS EM INGLÊS. SE NÃO PERCEBERES BEM, PF PEDE QUE TE TRADUZAM, VALE MESMO A PENA! Aqui está uma poderosa e incrível declaração da televisão Al Jazeera. A mulher é WAFA Sultan, uma psicóloga árabe-americana de Los Angeles. Sugiro que vejas o mais rápido possível, porque eu não sei quanto tempo o link vai estar activo. É muito surpreendente que a estação de TV com patrocínio árabe permita transmitir esta entrevista. É muito poderoso, não tenho dúvidas de que ela tenha agora a sua cabeça a premio. http://switch3.castup.net/cunet/gm.asp?ai=214&ar=1050wmv&ak
São meias verdades que revelam também algum desconhecimento, baseado em estereótipos.
Não vejo a Al Jazeera, mas sei que é um projecto com alguns anos, que tem conseguido alguma independência em relação a algumas ditaduras. Não apenas governos árabes têm tentado silenciar esta estação de televisão, como também o governo americano fez todos os possíveis.
Por isso, não me admira ver este debate na Al Jazzeera. Nos países muçulmanos com ditaduras também há quem se mexa. E é preciso que essas pessoas sejam apoiadas, sem paternalismos, nem hostilizações a tudo o que é árabe.
Lembremo-nos, e infelizmente a memória é muito curta, que passámos por uma longa ditadura, e que também muitos estrangeiros associavam os portugueses ao integrismo católico ultramontano e totalitário e ao colonialismo do regime de Salazar. Por cá também tivémos muitos com a cabeça a prémio, com prisões, torturas e assassinatos.
Lembremo-nos que muitos se esqueceram, particularmente após a queda da fascismo e do nazismo, que havia uma ditadura em Portugal. Muita gente da oposição tinha alguma esperança que as democracias europeias e os EUA fizessem algo que contribuísse para quem em Portugal também houvesse democracia e desenvolvimento. Foram também esperanças defraudadas.
Muita gente se esquece também desses emigrantes portugueses que fugiam à miséria, e dos exilados que fugiam a toda esta opressão.
É necessário ver os muçulmanos com outros olhos. Não são, certamente não serão a maior parte, uns fanáticos guiados por forças do mal (haverá também alguns, como por cá também existiram Salazares e Francos e ...). Como noutros lados, a maior parte querem viver em paz.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Political compass
Hoje com os alunos de "Ciência Política" fizémos um teste muito interessante: "The political compass". Depois de responder a um conjunto de perguntas, temos um resultado que nos situa mais à esquerda ou mais à direita.
O teste tem um valor relativo mas leva as pessoas a reflectir.
Está em inglês ou castelhano em
http://www.politicalcompass.org/test
O teste tem um valor relativo mas leva as pessoas a reflectir.
Está em inglês ou castelhano em
http://www.politicalcompass.org/test
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Coragem
Coragem
Definição do Dicionário da Academia das Ciências: Força de espírito que leva a pessoa a vencer o medo, a enfrentar o perigo ou situação hostil …
Há quem diga por aí que a ministra da Educação tem coragem. Por acaso está em risco de perder o emprego, os professores ameaçam bater-lhe, alguém a quer torturar, está em risco de ser mobilizada para o Afeganistão …?
Não, a ministra não é corajosa (eventualmente até pode ser). É teimosa! E, teimosia, só por si, pode não ser uma qualidade. E teimosia, só por teimosia, não é admissível num ministro, que à letra, é um servidor do povo.
Como não é preciso ter muita coragem para resistir a este simplex e este estatuto dos professores. O que faz falta a alguns é persistência. Se desistem e se sentem mal, podem voltar atrás. Não é preciso ter coragem, só um pouco de coerência.
Coragem é o que relatam Irene Pimental e Diana Andringa no blogue Caminhos da Memória, http://caminhosdamemoria.wordpress.com/ .
Vale a pena ler:
"Tortura" :http://caminhosdamemoria.files.wordpress.com/2009/02/tortura_irenepimentel.pdf
e "Falar" na Polícia :
http://caminhosdamemoria.files.wordpress.com/2009/01/falar_dandringa1.pdf
Definição do Dicionário da Academia das Ciências: Força de espírito que leva a pessoa a vencer o medo, a enfrentar o perigo ou situação hostil …
Há quem diga por aí que a ministra da Educação tem coragem. Por acaso está em risco de perder o emprego, os professores ameaçam bater-lhe, alguém a quer torturar, está em risco de ser mobilizada para o Afeganistão …?
Não, a ministra não é corajosa (eventualmente até pode ser). É teimosa! E, teimosia, só por si, pode não ser uma qualidade. E teimosia, só por teimosia, não é admissível num ministro, que à letra, é um servidor do povo.
Como não é preciso ter muita coragem para resistir a este simplex e este estatuto dos professores. O que faz falta a alguns é persistência. Se desistem e se sentem mal, podem voltar atrás. Não é preciso ter coragem, só um pouco de coerência.
Coragem é o que relatam Irene Pimental e Diana Andringa no blogue Caminhos da Memória, http://caminhosdamemoria.wordpress.com/ .
Vale a pena ler:
"Tortura" :http://caminhosdamemoria.files.wordpress.com/2009/02/tortura_irenepimentel.pdf
e "Falar" na Polícia :
http://caminhosdamemoria.files.wordpress.com/2009/01/falar_dandringa1.pdf
Guerra Colonial
Está já acessível o sítio Guerra Colonial, onde podem ser consultados textos, fotografias, filmes etc. sobre as guerras coloniais em Angola, Moçambique e Guiné.
E já que se está em maré de revisão das qualidades de Salazar, é de lembrar a célebre ordem que deu ao exército português na Índia:
"Só soldados vitoriosos ou mortos". E alguns meses depois:
"Para Angola e em Força"
Será que na série sobre as mulheres de Salazar também vão falar das viúvas das guerras coloniais?
E já que se está em maré de revisão das qualidades de Salazar, é de lembrar a célebre ordem que deu ao exército português na Índia:
"Só soldados vitoriosos ou mortos". E alguns meses depois:
"Para Angola e em Força"
Será que na série sobre as mulheres de Salazar também vão falar das viúvas das guerras coloniais?
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Sobre a luta dos professores
Continuo com a questão das palavras. As palavras, sobretudo quando há compromissos, não devem ser gastas pela repetição que as pode levar à banalidade.
O momento não é fácil. Há quem ceda a pequenas migalhas e chantagens. Não se pode ir atrás de alguns só porque alguns cedem. Esta luta é colectiva e é individual. Da perseverança de cada um pode resultar um triunfo para todos. A palavra de ordem é resistir, com ou sem alarido.
O momento não é fácil. Há quem ceda a pequenas migalhas e chantagens. Não se pode ir atrás de alguns só porque alguns cedem. Esta luta é colectiva e é individual. Da perseverança de cada um pode resultar um triunfo para todos. A palavra de ordem é resistir, com ou sem alarido.
Anti-parlamentarismo
Palavras de Salazar, inscritas numa das poucas entrevistas que deu, e a maior de todas, publicada em livro, revisto por ele próprio e com prefácio também do entrevistado, que ele não era para menos.
Anti-parlamentarismo
Atiro mais uma flecha:
- Ha quem atribua o seu anti-parlamentarismo ao seu feitio aparentemente concentrado, ao seu horror dos discursos... Ha até quem o desafie para S. Bento: «Eu queria vê-lo diante duma interpelação de Fulano, de Beltrano, de Sicrano ... » Ha outros, tambem, que desabafam, de quando em quando, com esta ameaça platonica: «Ah! Se não houvesse censura ... »
E Salazar, num murmurio, com orgulhosa humildade:
- Talvez tenham razão ... Venciam-me, com certeza ... ainda que a gente habitua-se a tudo, mesmo a não fazer nada, sendo trabalhador - e alteando a voz a pouco e pouco - Eu sou, de facto, profundamente anti-parlamentar porque detesto os discursos ôcos, palavrosos, as interpelações vistosas e vazias, a exploração das paixões não à volta duma grande ideia, mas de futilidades, de vaidades, de nadas sob o ponto de vista do interesse nacional. O Parlamento assusta-me tanto que chego a ter receio, se bem que reconheça a sua necessidade, daquele que ha-de sair do novo estatuto. Sempre são três meses, em cada ano, em que é preciso estar atento aos debates parlamentares, onde poderá haver, e claro, boas sugestões, mas onde haverá sempre muitas frases, muitas palavras. Para pequeno parlamento - e esse util e produtivo, como no caso actual- basta-me o Conselho de Ministros ...
Atiro mais uma flecha:
- Ha quem atribua o seu anti-parlamentarismo ao seu feitio aparentemente concentrado, ao seu horror dos discursos... Ha até quem o desafie para S. Bento: «Eu queria vê-lo diante duma interpelação de Fulano, de Beltrano, de Sicrano ... » Ha outros, tambem, que desabafam, de quando em quando, com esta ameaça platonica: «Ah! Se não houvesse censura ... »
E Salazar, num murmurio, com orgulhosa humildade:
- Talvez tenham razão ... Venciam-me, com certeza ... ainda que a gente habitua-se a tudo, mesmo a não fazer nada, sendo trabalhador - e alteando a voz a pouco e pouco - Eu sou, de facto, profundamente anti-parlamentar porque detesto os discursos ôcos, palavrosos, as interpelações vistosas e vazias, a exploração das paixões não à volta duma grande ideia, mas de futilidades, de vaidades, de nadas sob o ponto de vista do interesse nacional. O Parlamento assusta-me tanto que chego a ter receio, se bem que reconheça a sua necessidade, daquele que ha-de sair do novo estatuto. Sempre são três meses, em cada ano, em que é preciso estar atento aos debates parlamentares, onde poderá haver, e claro, boas sugestões, mas onde haverá sempre muitas frases, muitas palavras. Para pequeno parlamento - e esse util e produtivo, como no caso actual- basta-me o Conselho de Ministros ...
FERRO, António- Salazar .... pp.141 e 142 op. cit.
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