sábado, 7 de fevereiro de 2009

No tempo em que se malhava mais, ou se davam alguns safanões.

E o dr. Salazar, como quem não dá importancia ao pormenor:
- Quero informá-lo, no entanto, de que se chegou à conclusão de que os presos maltratados eram sempre, ou quasi sempre, temíveis bombistas que se recusavam a confessar, apesar de todas as habilidades da Policia, onde tinham escondidas as suas armas criminosas e mortais. […] E eu pergunto a mim proprio, continuando a reprimir tais abusos, se a vida de algumas crianças indefesas não vale bem, não justifica largamente, meia dúzia de safanões a tempo nessas criaturas sinistras …

FERRO, Antonio, 1896-1956 Salazar: o homem e a sua obra / António Ferro, pref. de Oliveira Salazar. - Lisboa : Emp. Nac. de Publicidade, imp. 1933, pág 82
Nota: manteve-se a grafia da época, com menos acentos do que hoje. Sublinhados nossos.

O Malhão

in http://www.casaruibarbosa.gov.br/omalho/revistas/1919/875/c1.jpg


«Eu cá gosto é de malhar na direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam, de facto, à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheci na minha vida, e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique. Refiro-me, obviamente, ao PCP e ao Bloco de Esquerda».

Santos Silva, 5 de Fevereiro de 2009

Nota: Não é o primeiro a utilizar a mesma linguagem que usava quando era da extrema-esquerda

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

As mulheres de Salazar


Agora parece que está numa certa moda falar das habilidades de sedução de Salazar em relação às mulheres.

Ora Salazar toda a vida tentou provar que era casto. Foi seminarista, obedeceu o mais que pôde à madrinha que queria que ele fosse padre, quis devotar-se à Nação dele como se fosse sua mãe e Nossa Senhora de Fátima ao mesmo tempo, nunca quis casar, arranjou uma governanta da província pouco dada à beleza para servir num palácio, antigo convento, onde o único aquecimento era a sua manta e as suas botas. O seu grande amigo, desde o seminário e Coimbra, foi sempre o Cardeal Cerejeira, amigo, como ele, de todas as ditaduras que mantivessem Deus, Pátria e a Família e, claro, a sua Ordem como antes da Revolução Francesa. Tentou a todo o custo que as mulheres não votassem, a não ser as que tivessem frequentado o liceu, às quais diligentemente se tentava interpor todas os possíveis impedimentos. As professoras primárias só podiam casar com autorização do Estado, as enfermeiras eram impedidas de casar, as mulheres casadas não podiam sair sem autorização do marido…

É certo que sempre houve mulheres para tudo, tal como há homens para tudo, para todos os gostos.

Mas Salazar!?
Ele dizia que não queria casar, só com a Pátria dele. Está bem que o homem dizia que era sempre honesto, mas também pregou algumas mentirinhas. Mandou matar o Humberto Delgado e disse que tinha sido a oposição. Mandou prender umas dezenas de milhares de pessoas, mandou torturar ainda mais umas dezenas de milhares e dizia que eram só umas chamadas de atenção, deixou o país numa miséria, mas numa pobreza honrada e com o pessoal analfabeto a fugir para França.

Agora mulheres? Tanto me faz que o homem tenha sido casto ou não. Ter relações sexuais é o que fazem biliões de homens e mulheres, não é nenhuma proeza especial nem uma qualidade excepcional. Mas ele tentou sempre demonstrar que era tão casto como qualquer santo após o Concílio de Trento. Perdoem-lhe outras mentirinhas, mas não desmintam um homem que toda a vida lutou pela misoginia e que nunca se envergonhou de defender os ideais dos tempos da Inquisição e do Ultramontanismo.

Haja respeito! (como no tempo de Salazar!?!?...)
Nota: As mulheres de Salazar são sobretudo as mulheres do Couço, as enfermeiras presas, as militantes, as que ficaram viúvas, e tantas outras, com retrata Irene Pimentel no livro cuja imagem aparece acima. E também aquelas que não podiam estudar, que não saíam de casa, as que trabalhavam todo o dia e de noite também ...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"British jobs for British workers"

in http://leatherhead.files.wordpress.com/2008/02/illegal-immigrants.jpg
"British jobs for British workers", disse Gordon Brown.
Agora há sindicatos ingleses que o repetem. Trabalhadores portugueses e italianos tiveram que se vir embora.
Mas afinal não estamos na União Europeia da livre circulação de pessoas? Gordon Brown não é herdeiro do internacionalismo do Partido Trabalhista (com tradição sindicalista) e da Internacional Socialista?
Se isto não é xenofobia, então o que é?

Deveríamos perguntar à embaixada do Reino Unido, o que é que o seu primeiro-ministro quis dizer com isto.
A embaixada tem o seguinte e-mail:
ppa.lisbon@fco.gov.uk

Imigração, turismo e outras coisas

Evidentemente não fico satisfeito de encontrar esta degradação no centro de uma cidade francesa, Perpignan, nem imagens como esta e outras piores, bem próximo da zona de negócios e turismo, a cidade limpa e ordenada. Aqui habitam outros franceses, de origem norte-africana, ciganos franceses e alguns estrangeiros. Não tirei muito mais fotografias por respeito aos que lá vivem, que de miséria já estão fartos, quanto mais verem estampados os seus rostos para contento de apreciadores de imagens exóticas.
A Europa também é isto.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Frases com impacto

Garibaldi, revolucionário, herói romântico da unificação italiana, internacionalista contra o Império Brasileiro, republicano, anematizado pela Igreja Católica, pela aristocracia e burguesia das Itálias, uma espécie de Che Guevara cem anos antes, dizia:

“Chi vuole continuare la guerra contro lo straniero, venga con me. Non offro ne paga, né quartiere, né provvigioni. Offro fame, sete, marce forzate, battaglie e morte. Chi ama la patria, mi segua.”

(Quem quiser continuar a guerra contra o estrangeiro, venha comigo. Não posso dar-vos pagamentos, nem quartéis, nem provisões. Ofereço-vos fome, sede, marchas forçadas, batalhas e morte . Quem ama a Pátria, siga-me.)

Em 1940, Churchil, aristocrata, monárquico, imperialista e conservador, mas parlamentarista, não hesitou em fazer um discurso semelhante perante o perigo nazi, ao contrário de outros que viam em Hitler um mal menor contra "o comunismo". Disse no Parlamento:

I say to the House as I said to ministers who have joined this government, I have nothing to offer but blood, toil, tears, and sweat. We have before us an ordeal of the most grievous kind. We have before us many, many months of struggle and suffering.

You ask, what is our policy? I say it is to wage war by land, sea, and air. War with all our might and with all the strength God has given us, and to wage war against a monstrous tyranny never surpassed in the dark and lamentable catalogue of human crime. That is our policy.


(Neste momento de crise, espero que me seja perdoado não falar hoje mais extensamente à Câmara. Confio em que os meus amigos, colegas e antigos colegas que são afectados pela reconstrução política se mostrem indulgentes para com a falta de cerimonial com que foi necessário actuar. Direi à Câmara o mesmo, que disse aos que entraram para este Governo: «Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor».
Temos perante nós uma dura provação. Temos perante nós muitos e longos meses de luta e sofrimento.
Perguntam-me qual é a nossa política? Dir-lhes-ei; fazer a guerra no mar, na terra e no ar, com todo o nosso poder e com todas as forças que Deus possa dar-nos; fazer guerra a uma monstruosa tirania, que não tem precedente no sombrio e lamentável catálogo dos crimes humanos. -; essa a nossa política
.)

vide O Portal da História, http://www.arqnet.pt/portal/discursos/maio02.html

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ainda os contratados

Em tempos chamavam-se provisórios. Agora são contratados.
Não percebo o paternalismo em relação aos contratados. Eu também estive oito anos sem ser do quadro, doze fora da residência a gastar muito tempo e dinheiro com gasolina, refeições etc. e com três filhos. E a luta também era minha. Se ficarmos à espera que os outros resolvam os nossos problemas e nos contentarmos com migalhas, então nos próximos anos nada valerá a pena.

Misericórdia de Tavira






Igreja-salão que o barroco ainda deu mais esplendor.
A arte do espectáculo é permanente.



Outra moção

Escola Secundária de Severim de Faria

MOÇÃO


A análise da legislação em vigor mostra que as condições objectivas para a aplicação do modelo de avaliação de desempenho, mesmo que simplificado, não se alteraram, tendo em conta os seguintes aspectos:

1. O modelo de avaliação da actividade docente continua a não ser um instrumento fundamental de valorização da escola pública e do desempenho dos professores;
2. Qualquer alternativa ao actual modelo de avaliação do desempenho só pode passar pelo fim da divisão artificial da carreira em professores e professores titulares, uma fractura que descredibiliza o próprio estatuto profissional e a função docente e que a grande maioria dos professores contesta;
3. A simplificação agora publicada em Diário da República (Decreto - Regulamentar 1-A/2009, de 5 de Janeiro) não alterou a filosofia e os princípios que lhe estão subjacentes. Este modelo não tem cariz formativo, nem promove a melhoria das práticas, chegando ao ponto de tornar opcional o essencial da profissão docente: a sua componente científico - pedagógica.
4. A versão simplex mantém o essencial do Modelo, nomeadamente, alguns dos aspectos mais contestados como a existência de quotas para Excelente e Muito Bom, desvirtuando assim qualquer perspectiva dos docentes verem reconhecidos os seus efectivos méritos, conhecimentos, capacidades e investimento na Carreira;
5. Outras alterações como as que têm a ver com as classificações dos alunos e abandono escolar, são meramente conjunturais, tendo sido afirmado que esses aspectos seriam posteriormente retomados para efeitos de avaliação;
Tendo em consideração o que foi referido anteriormente, os professores da Escola Secundária Severim de Faria, coerentes com todas as tomadas de posição que têm assumido ao longo deste processo:
- reiteram a sua intenção de ser avaliados, mas nunca por este modelo, mesmo numa versão que se limita a simplificar o acessório, mantendo os aspectos essenciais mais gravosos;
- manifestam ainda o seu direito a ser avaliados através de um modelo que seja justo, testado, simples, formativo e que, efectivamente, promova o mérito pela competência científico - pedagógica;
- reafirmam a sua vontade em manter a suspensão do modelo de avaliação, não entregando qualquer declaração relacionada com este processo.
Évora, 28 de Janeiro de 2009

Aprovada e assinada pela maioria dos professores.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

E se o primeiro-ministro fosse corrupto?

Fresco nos "Paços de Audiência", em Monsaraz. Século XV. O "Mau juiz" olha para os dois lados ao mesmo tempo (Picasso haveria de descobrir essa técnica cinco séculos mais tarde) e recebe dos dois lados.

E se o primeiro-ministro fosse corrupto?

Teria que se definir se corrupto é só aquele que recebe com a mão esquerda (sinistra), enquanto com a outra faz o contrário. Ou se corrupção também é corrupção de ideias.

Seria um pouco a “vingança do chinês” ( desculpem-mse os chineses, que isto é invenção desta aldeia ocidental) se o cidadão José Sousa, actual primeiro-ministro, se demitisse. Não é porque tenha algum ódio de estimação por ele ou pela ministra. Não sou muito dado a ódios e não sei se o mereceriam.

Dava até jeito que se demitisse.

Mas não me interessam as pessoas, tratando-se de política. O que contesto são as ideias e as práticas.

É fácil cair-se na suspeição. Qualquer um o pode ser com denúncias anónimas. É fácil inventar teorias da conspiração. É também fácil, dada a morosidade adicional das polícias e dos tribunais, transformarem-se as suspeições em factos que ninguém tem a certeza, mas que todos garantem que ouviram dizer que é verdade.

Apenas conheço um facto, e este interessa e deve ser explicado. O processo do Freeport foi despachado em tempo recorde e nas vésperas do fim de um governo em gestão.

Não quero que um primeiro-ministro saia só por suspeitas. Gostaria que ele se fosse embora pela sua política. E castigado politicamente pela sua arrogância.

Mas também não me agrada que se transforme em vítima de uma qualquer conspiração das indetermináveis “forças do mal”, que podem também ser úteis. Nem que ganhe com isso, que é o que já se está a fazer.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Os peixes de Vieira, que já eram de S. António, e que por aí nadam às vezes.

Enfim, que havemos de pregar hoje aos peixes? Nunca pior auditório. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam. Uma só cousa pudera desconsolar ao pregador, que é serem gente os peixes que se não há-de converter. Mas esta dor é tão ordinária , que já pelo costume quase se não sente. Por esta causa não falarei hoje em Céu nem Inferno; e assim será menos triste este sermão, do que os meus parecem aos homens, pelos encaminhar sempre à lembrança destes dois fins.

Sermão de Santo António aos Peixes d0 Padre António Vieira

Vos estis sal terrae

Vos estis sal terræ

Vós, diz Cristo Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhe dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.

Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira, pregado, a 13 de Junho de 1654, na cidade de S. Luís do Maranhão.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Não foi em vão




Em 8 de Novembro, em Lisboa



É para Urga
Que a gente vai
Para Urga caminho
Caminho para lá
Em Urga os bandidos
Não me hão-de apanhar

Eu hei-de vencer
Eu hei-de vencer
Entre mim e Urga
O Deserto que houver


Em Urga recebo
A maquia e então
Vou tirar proveito
Do meu ganha-pão

José Afonso

Pragmatismo

Pragmatismo

O movimento dos professores tem razão. Ou não tem? Ou tinha e não tinha ao mesmo tempo? Ou tem de vez em quando, e mais caras que o feijão?

Se tem razão, é de continuar.

E já que há outros que mandam, que não são ingénuos (mas incompetentes) também, por que não deixar de ser ingénuo?

Daqui a uns meses há eleições. Os debates vão aquecer. Houve deputados, mesmo do partido do governo, perdão, deputados eleitos com um programa que não é bem o do governo, que por sua vez é subsidiário da Assembleia da República; como íamos dizendo, houve deputados que votaram contra o programa intransigente da ministra. Más há outros movimentos menos visíveis. Há deputados que votaram pelo governo mas que tiveram e têm muitas dúvidas. É parvoíce hostilizá-los, mas é bom que sejam confrontados.

A vida política é dinâmica. Daqui a pouco tempo, e já começou, vai haver luta pelo voto. 120000, 140 000, podem influenciar muita gente, muitos hesitantes.

Aguentar um pouco, isto é, não submeter a este processo de avaliação (o que significa também contra o estatuto), pode custar alguns sustos agora. Todos os que resistem podem perder. Mas podem ganhar muito mais se resistirem um pouco. As coisas estão por um fio. Daqui a pouco tempo vai ser tudo discutido.

O que não vale a pena é começar com paternalismos e excepções. Dizer que a luta não é com os contratados pode comprometer. Os contratados não estão aqui só de passagem. Querem também seguir uma carreira. E se não se mexerem não vão ter nenhuma. Não esperem que sejam os outros só a lutar por eles.

Se começarmos a dividir tudo, que é o quem manda quer, dividimos os professores em contratados, em quadros de zona pedagógica, em professores que hão-de ficar também na precariedade, em titulares, em avaliadores titulares etc., e cada um com os seus problemas particulares de momento.

E vamos dividir-nos por muito tempo se acedermos a este jogo maquiavélico do poder, o que é muito mau para todos e para o país. Eu, se fosse governante não me contentaria com professores muito submissos; nem precisaria deles; até, em alternativa contrataria uns computadores eficientes que ficariam mais baratos. Quem quiser, e há sempre opções, ser um autómato não espere ser considerado mais que isso.

Há coisas muito simples com que temos que contar. Uma delas, vão ser as longas horas do dia a dia, por muitos anos. Mesmo sem retaliações, em si condenáveis. Mas não se espere que alguém que andou a incentivar os outros à luta, a assinar recusas, a participar em manifestações etc., possa virar de repente e seja considerado um grande amigo.

A coisa está por um fio, repito. As eleições e o verdadeiro debate vão começar amanhã.

Quem está no poder também tem medo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Jesus tentado no deserto

Hidra, Casas Pintadas, Évora



Então, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome.

[...]
Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, disse-lhe: «Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.» Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.» Então, o diabo deixou-o e chegaram os anjos e serviram-no.
(Mt 4,1-11)

in http://www.capuchinhos.org/porciuncula/biblia_responde/jesus_tentado.htm

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sermão da Montanha

Vós sois o sal da terra! Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens.
[...]

Não jures pela tua cabeça, porque não te é dado transformar um só dos teus cabelos em branco ou preto. Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não; tudo o que for além disto procede do espírito do mal.
[...]
Ninguém pode servira dois senhores, porque, ou há-de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro

Evangelho de S. Mateus

"O boato é a Arma da Reacção"


Lembrei-me destes cartazes e panfletos usados pelo MFA em 1974. Aparentemente havia alguma ingenuidade no “slogan”. Circulavam inúmeros boatos sobre possíveis golpes de estado, conspirações à esquerda e à direita. Spínola faz um discurso sobre “a maioria silenciosa” e houve uma tentativa de golpe à direita em 28 de Setembro em que uns estavam envolvidos intencionalmente, outros foram atrás. Pior ainda foi em 11 de Março de 1975, em que os pára-quedistas saíram da base convencidos que tinham ordens do MFA para ocupar o RALIS e afinal era mais uma tentativa de golpe de estado de extrema-direita.

1974/1975 já foi há uns bons tempos mas o boato funciona como antes. O boato tem a característica de ser anónimo, embora possa ter autores vários, que vão acrescentando ao sabor dos interesses e crenças. E pode ser terrível quando se descobre que não tem fundamento, ou antes, baseia-se naquelas “meias-verdades” que são as mentiras bem conseguidas. Há boatos que rotulam as pessoas por muito tempo.

E até há boatos que dão jeito. Se estou com receio de determinada situação, por que não acreditar que fulano tal vai fazer isto? Ora se ele faz, o outro também é capaz de fazer e, portanto se eles fazem eu também posso fazer e fico desculpado por isso. E fico desculpado perante mim mesmo. Daqui a uns tempos poderei descobrir que afinal fui enganado e que a culpa foi dos outros em geral.

Mas o boato pode funcionar. Quando se hesita muito e se anda à espera que outros ditem as respostas à nossa consciência e surge uma situação em que temos que decidir, a emoção pode ser facilmente contaminada pelo boato e fazer-nos actuar contra aquilo que pensávamos.
Entretanto, como há sempre muito que fazer, esquecemo-nos e esperamos que todos se esqueçam, porque a culpa é sempre dos outros.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Vemos, ouvimos e lemos

Vemos, ouvimos e lemos, é o tema de uma poesia de Sofia e cantada pelo Fanhais.

Vem isto a propósito de dúvidas e atitudes menos reflectidas de alguns professores. Como, por exemplo, numa determinada escola, em que um grupo se lembrou de entregar os objectivos individuais para “entupir” o processo. Depois recuaram.

Para já não entopem. Um grupo não é uma acção de massas concertada, sobretudo neste contexto, com manifestações, abaixo-assinados e greves colectivas. Depois sujeitam-se a esta avaliação e deveriam ter a consciência de que estão a “furar” (é esta a palavra) uma luta em que se comprometeram e a obter umas migalhas individuais face ao que poderiam conseguir e em detrimento dos outros que continuam.

O relativismo não é um valor igual a qualquer outro, o que tornaria tudo relativo como se coerência, impulsos individuais, “salve-se quem puder” fosse tudo o mesmo. Há que ver o principal e o acessório, há que distinguir objectivos de migalhas passageiras, compromissos de atitudes individuais e momentâneas.´

Eu, por mim, depois de receber tantos e-mails de algumas pessoas, tenho dificuldade em compreender como é que depois disso e de tantos apelos, ainda relativizam o que apelavam no dia anterior.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Diabo

S. Miguel Arcanjo vence o Diabo (o outro Deus). Desta vez não é um dragão, muito menos tem pés de chibo.
É uma mulher.
Pintura luso-flamenga num retábulo em S. Francisco.

Sociedade Harmonia

Extracto do programa da lista candidata, numa sociedade com 160 anos.

PROGRAMA

No próximo dia 4 de Fevereiro, a Sociedade Harmonia Eborense vai a votos. Vai a votos num contexto particularmente adverso, desde logo porque se deixaram de observar as condições necessárias para que os actuais órgãos sociais pudessem concluir o mandato. Às condições regulamentares juntaram-se as condições funcionais, facto que foi confirmado por larga maioria na Assembleia Geral ocorrida em Dezembro. Mas a adversidade do contexto resulta igualmente de factores conjunturais – o período delicado que atravessamos – e estruturais – as dificuldades relacionadas com o espaço físico da sede e que se vêm arrastando há demasiado tempo.
Perante esta grave situação que ameaça a existência da própria colectividade e, perante a necessidade urgente de intervir no sentido de lhe dar um novo e sustentável fôlego, decidimos reunir uma equipa de pessoas concentrada em garantir o futuro e unir os alicerces da Harmonia, de modo a podermos entregá-la, sólida, às gerações vindouras.
Pretendemos revitalizar a Harmonia sem esquecer o trabalho positivo que até aqui foi feito. Mas pretendemos, antes de mais, ser fiéis aos nossos estatutos e ser um motivo de orgulho para os sócios e para a comunidade em geral. É esse o nosso dever.

[...]