sábado, 15 de novembro de 2008

Manifestação de 15 de Novembro

Não fui porque não pude e porque penso que, depois de 8 de Novembro, o essencial é agir por dentro.
Mas estou solidário, isto é, estamos, porque o problema é o mesmo.

"O pesadelo burocrático e a desobediência à lei"

Li agora um texto muito interessante de um professor de Filosofia. Subscrevo quase tudo o que ele diz:

Sei que para ensinar bem os meus alunos tenho de continuar a estudar, a ler e a aprender. Como costuma dizer um amigo meu, Desidério Murcho, para se ensinar bem até à letra C é preciso dominar as matérias até pelo menos à letra M: é preciso um grande à vontade e um bom domínio do que se ensina para se antecipar dificuldades dos alunos, para se responder a dúvidas inesperadas, para se encontrar o exemplo certeiro, para indicar as leituras adequadas, etc. Isto exige uma grande preparação e uma actualização permanente do professor, além de um ambiente de trabalho tranquilo e estimulante. Até porque são as deficiências científicas que originam, na maior parte da vezes, as situações pedagogicamente mais desagradáveis.

Infelizmente, os escassos estímulos que ainda poderiam existir nesse sentido parecem pertencer ao passado. As escolas transformaram-se, de há dois anos para cá, numa balbúrdia constante e num verdadeiro pesadelo burocrático em que ninguém parece entender-se. E, com muita tristeza minha, vejo os livros de filosofia que todas as semanas encomendo na Amazon ou outras livrarias acumular-se sem quase ter tempo para os folhear. Preparar aulas decentemente é algo que também deixei de fazer, caso contrário nem sequer vida familiar poderia ter. Não fosse o caso de os alunos estudarem por um manual que conheço de cor – porque sou um dos seus autores – e as aulas seriam um completo improviso. Comparar o que se tem passado nas escolas nos últimos dois anos com a barafunda gerada com o atraso da colocação de professores no tempo do ministro David Justino é como comparar um episódio infeliz com a própria infelicidade. E o ministro David Justino caiu por causa disso.

Ver texto completo em:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1349637&idCanal=2316

Os ovos de Fafe

Li agora um artigo de opinião no Diário de Notícias:http://dn.sapo.pt/2008/11/15/opiniao/os_ovos_fafe.html

Um extracto:
As manifestações de ódio, por vezes infantil, dos professores contra a "sinistra ministra" influenciaram muito mais os alunos do que as aulas de educação cívica. A participação de menores nas lutas políticas dos adultos nada tem de inocente. Os menores são influenciáveis e voluntariosos, logo são manipuláveis. Os menores podem fazer aquilo que os adultos, por razões tácticas, não podem fazer. Por exemplo, atirar ovos ou fechar escolas a cadeado. Os mecanismos pelos quais a manipulação ocorre também são conhecidos. Os protestos dos alunos, que emergiram um pouco por todo o País esta semana, resultam da imitação do comportamento dos adultos, do incitamento implícito dado pelos professores e da manipulação intencional exercida pelas juventudes partidárias que infiltram as associações de estudantes.

Respondi-lhe de uma forma simples, assinando como sempre:

Exmo. senhor
Tem alguma prova que os professores tenham influenciado os alunos em Fafe?
Por que é que não pergunta se foram influenciados pelos pais ou por outra associações? Não seria mais natural serem influenciados por quem os educa desde pequenos?
Não poderá esta reacção ter a ver com o estatuto do aluno que obriga a avaliações sucessivas em todas as disciplinas ao fim de duas semanas de faltas?. Ou com aulas de substituição sem qualquer relação pedagógica? Ou com currículos que podem ir a mais de uma dúzia de disciplinas e mais de 30 horas semanais, fechados no mesmo espaço?
E, por acaso, tudo o que o senhor pensava quando tinha quinze ou dezassete anos era sempre por influência de alguém, nunca se responsabilizando pelo que fazia?

Sabe certamente que o que menos interessa aos professores, que querem uma avaliação justa e semelhante a outros países europeus, é que se misturem desacatos destes com outros problemas.
Com os melhores cumprimentos.



Os comentários dos jornais espelham um pouco o grau de cultura e a responsabilidade cívica de quem escreve e de quem lê. São confrangedores muitos destes comentaristas: escrevem sobre qualquer coisa, não se preocupando em informar-se primeiro. Espremendo-se, não sai sumo, só ideologia, só preconceitos.
Um jornal de expansão nacional deveria ter mais cuidado e não imitar alguns pasquins, cheios de páginas sobre qualquer coisa, porque o que dá lucro é a publicidade.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Penamacor

Penamacor merece respeito. Não por causa de algum ex-membro intermitente da Assembleia municipal, eleito pelo PP. Isso não, isso não interessa, é gente passageira.

Há outras pessoas interessantes, mesmo que não concorde com elas em algumas coisas. Espero que na Assembleia da República alguém dê novidades!

Mas Penamacor tem uma história ligada à resistência. Aqui esteve uma companhia disciplinar. Gente que esteve na luta contra o Estado Novo foi, sem qualquer processo, fazer o serviço militar em Penamacor, em condições difíceis.

Houve presos célebres aqui, como Álvaro Cunhal. Muitos outros, sem quase saber porquê, aqui estiveram também. Por exemplo, o meu sogro. Quando, em 1949, com 18 anos apoiou a candidatura do General Norton de Matos, mal sabia ele que haveria de ir parar a Penamacor, sem qualquer julgamento ou acusação, e ter, até ao 25 de Abril, uma ficha na PIDE e uma interdição para qualquer possível emprego no estado.

Alguns acordaram tarde, outros fazem o jogo.

Alguns acordaram tarde.

Há mais de dois anos que se discute o problema da carreira e a avaliação dos professores. Eis que agora, depois de um longo silêncio comprometedor, o(a) rosto do PSD se decide a falar, ela que até já foi ministra da Educação.

Agora, vem também o Alberto da Madeira, como sempre, a falar da “palhaçada”, a cassete do costume, o pretenso anti-sistema que melhor favorece o sistema. Decidiu avaliar todos os professores por decreto, como se isso resolvesse alguma coisa. Quase parece estar conluiado com a ministra da Educação. Deu-lhe, não fosse a descredibilidade em que caíram, um pretenso argumento em favor do governo: se até na Madeira avaliam por decreto, então nós devemos continuar a "distinguir os maus dos bons".

Entretanto, andam por aí umas gaiatices de atirar ovos. Logo o secretário de estado vem insinuar que isto está orquestrado. Não diz, porque seria desastroso, que é alguma associação de pais deles, o que teria alguma remota lógica, visto que os pais são educadores. Insinua que há uma qualquer conspiração, à espera que todos compreendam quem são os maus da fita.
Dá jeito ser-se vítima quando já ninguém acredita.

Ora, a questão é se esta(s) carreira(s) é (são)ou não legítima(s), se esta avaliação é ou não boa e eficaz para o sistema de ensino, no respeito pelos direitos e liberdades.

Pouco que me interessam oportunistas, muito menos “palhaçadas” e ovos, só para omeletas e bifes.
O que interessa é ter Razão.

Argumentos

Comecei uma discussão sobre a questão da avaliação dos professores com uma pessoa conhecida, que tem sido um dos últimos a defender a posição da ministra da Educação. Não divulgo o nome por uma questão ética: é correspondência privada.

Estranho é que, à falta de argumentos, apareça este: "Há uma diferença entre nós. É que V/ defende os interesse do seu grupo profissional (se não pessoais). Eu não tenho nenhum interesse pessoal nem profissional envolvido na minha posição. E isso faz toda a diferença. O interesse próprio, seja de uma pessoa, seja de 120 000, não dá razão..."

O que é que isto quer dizer? Só por se estar numa determinada profissão todo o argumento está inquinado, deixa de ter validade? Exclui-se à partida o argumento porque determinada pessoa é, à partida, suspeito?
Só os de fora é que podem referir-se ao assunto? Mas se dão opinião vinculada a uma política como é que estão de fora do problema?

Para mim, trata-se apenas de falta de argumentos.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A opinião de Manuel Alegre

Confesso que me chocou profundamente a inflexibilidade da Ministra e o modo como se referiu à manifestação, por ela considerada como forma de intimidação ou chantagem, numa linguagem imprópria de um titular da pasta da educação e incompatível com uma cultura democrática. Confesso ainda que, tendo nascido em 1936 e tendo passado a vida a lutar pela liberdade de expressão e contra o medo, estou farto de pulsões e tiques autoritários, assim como de aqueles que não têm dúvidas, nunca se enganam, e pensam que podem tudo contra todos.O Governo redefiniu a reforma da educação como uma prioridade estratégica. Mas como reformar a educação, sem ou contra os professores? Em meu entender, não é possível passar do laxismo anterior a um excesso de burocracia conjugada com facilitismo. Governar para as estatísticas não é reformar. A falta da exigência da Escola Pública põe em causa a igualdade de oportunidades. Por outro lado, tudo se discute menos o essencial: os programas e os conteúdos do ensino. A Escola Pública e as Universidades têm de formar cidadãos e não apenas quadros para as necessidades empresariais. No momento em que começa a assistir-se no mundo a uma mudança de paradigma, esta é a questão essencial. É preciso apostar na qualificação como um recurso estratégico na economia do conhecimento, através da aquisição de níveis de preparação e competências alargados e diversificados. Não é possível avançar na democratização e na qualificação do sistema escolar se não se valorizar a Escola Pública, o enraizamento local de cada escola, a participação de todos os interessados na sua administração, a autonomia e responsabilidade de cada escola na aplicação do currículo nacional, a educação dos adultos, a autonomia das universidades e politécnicos.Não aceito a tentativa de secundarizar e diminuir o papel do Estado no desenvolvimento educacional do nosso país. Sou a favor da gestão democrática das escolas, com participação dos professores, dos estudantes, dos pais, das autarquias. Defendo um forte financiamento público e um razoável valor de propinas, no ensino superior, acompanhado de apoio social correctivo sempre que necessário. E sou a favor do aumento da escolaridade obrigatória para doze anos. Devem ser criadas condições universais de acesso à escolaridade obrigatória, nomeadamente através de transporte público gratuito e fornecimento de alimentação. O abandono escolar precoce deve ser combatido nas suas causas sociais, culturais e materiais.Não se pode reformar a educação tapando os ouvidos aos protestos e às críticas. É preciso saber ouvir e dialogar. É preciso perceber que, mesmo que se tenha uma parte da razão, não é possível ter a razão toda contra tudo e contra todos. Tal não é possível em Democracia.

Editorial da Revista Opshttp://www.opiniaosocialista.org/u_numero.htm

Sublinhados nossos

terça-feira, 11 de novembro de 2008

No pasa nada

É estranho, bastante estranho, para mais vindo de alguém com formação em Sociologia, vir dizer em público que não conhece nenhuma escola que tenha suspendido a avaliação.
É estranho, muito estranho que um ex-vereador intermitente de Penamacor, eleito pelo PP e agora arauto da modernidade, vir dizer que foi apenas mais uma manifestação.

É muito estranho não verem nada.
Faz lembrar aquela história do embaixador de Portugal em Espanha que, no dia em que começou a Guerra Civil, enviou um telegrama a dizer que não se passava nada.

Mas se não vêem nada o que é que lá estão a fazer?

Lamentável

Bosch, Jardim das Delícias

Lamentável
Hoje a ministra teria sido objecto de alguns apupos e ovos que sujaram o automóvel ministerial. Logo surgiu o primeiro-ministro a sublinhar que é lamentável.
É. Não se deve atirar ovos a ninguém, nem sequer a representantes de um governo quase falido.

Mas de quem é a culpa? Parece que é de alguns alunos. Certamente têm pais e mães que os educam e que são responsáveis civil e criminalmente por eles. Peça-se responsabilidades aos pais deles ou quando muito à CONFAP, na pessoa do senhor Albino Almeida que se apresenta como pai eterno e universal. Esses é que devem explicar o que aconteceu e não outros.

O ovo representa a vida, é certamente um desperdício atirar ovos a quem já nada tem a fazer na vida política.

Gostaria que o primeiro-ministro também achasse lamentável certas declarações e situações de ministros como Pinho, Lino e outros. Mas para quê exigir tanto em fim de estação?

Há coisas mais importantes. E não menos importante é o dia a dia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O dia 24 de Agosto e a Liberdade

Escrevia Almeida Garrett em 1820, em apoio da Revolução Liberal, ele que participou nela e que teve que mais tarde exilar-se em Inglaterra.

Já temos uma Pátria, que nos havia roubado o despotismo: a timidez [,] a covardia, e a ignorância, que o tinham criado, que me prostravam com vil idolatria ante as obras das suas mãos, acabaram. A última hora da tirania soou; o fanatismo, que ocupava a face da terra, desapareceu; o sol da liberdade brilhou no nosso horizonte, e as derradeiras trevas do despotismo foram, dissipadas por seus raios, sepultar-se nos infernos.

Qual era de entre nós, que se não pudesse chamar oprimido? Qual há de entre nós, que se não possa chamar liberdade? Qual foi o Português, que não gemeu, que não chorou ao som dos ferros? Qual é o Português, que não folgará com a liberdade? Nenhum por certo: os netos de Moniz, de Nun'Álvares, de Gama, de Castro, de Pacheco, e de Albuquerque, são os que sempre foram- Portugueses

Escravos ontem, hoje livres; ontem autómatos da tirania, hoje homens; ontem miseráveis colonos, hoje cidadãos; qual seria o vil (não digo bem), qual seria o infeliz que não louve, que não bendiga o braço heróico que nos quebrou os ferros, os lábios denodados que ousaram primeiro entoar o doce nome Liberdade?

Mas se almas há ainda tão abjectas, se corações tão pusilânimes, tão acanhados espíritos, tão baixos ânimos, tão envilecidos peitos, tão desprezíveis homens, que são esquecidos que são cidadãos, de que são homens, de que são Portugueses, ousam duvidar um momento da legitimidade, com que a mais nobre [,] a mais ilustre porção desta cidade clamou por uma constituição política, reuniu as suas forças para fim tão glorioso [...], se alguns timoratos e duvidosos, receiam e tremem; eis aqui quando um homem de bem, quando um Português, que o é, deve, acendendo o facho da filosofia, e das letras, fazer servir as suas luzes, e ilustrar a sua pátria, sacrificar-lhe as suas vigílias, mostrar que é cidadão.

Constituição Portuguesa de 1822

in http://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/const822.html

CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA DE 1822
Preâmbulo
[...]
As Cortes Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, intimamente convencidas de que as desgraças públicas, que tanto a têm oprimido e ainda oprimem, tiveram sua origem no desprezo dos direitos do cidadão, e no esquecimento das leis fundamentais da Monarquia; e havendo outrossim considerado que somente pelo restabelecimento destas leis, ampliadas e reformadas, pode conseguir-se a prosperidade da mesma Nação e precaver-se que ela não torne a cair no abismo, de que a salvou a heróica virtude de seus filhos; decretam a seguinte Constituição Política, a fim de segurar os direitos de cada um, e o bem geral de todos os Portugueses.


Está na altura de a Assembleia da República dignificar a política educativa e chamar os responsáveis.

Em 1776 nos EUA

IN CONGRESS, JULY 4, 1776

The unanimous Declaration of the thirteen united States of America

When in the Course of human events it becomes necessary for one people to dissolve the political bands which have connected them with another and to assume among the powers of the earth, the separate and equal station to which the Laws of Nature and of Nature's God entitle them, a decent respect to the opinions of mankind requires that they should declare the causes which impel them to the separation.

We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness. — That to secure these rights, Governments are instituted among Men, deriving their just powers from the consent of the governed, — That whenever any Form of Government becomes destructive of these ends, it is the Right of the People to alter or to abolish it, and to institute new Government, laying its foundation on such principles and organizing its powers in such form, as to them shall seem most likely to effect their Safety and Happiness. [...]

Esta semana é decisiva



As basófias de algumas pessoas, minimizando a manifestação de professores, valem o que valem. Já são poucos, muito poucos os idiotas do costume, os que não vêm nada além dos seus preconceitos e sectarismo arrogante.

A ministra já está praticamente sozinha na sua arenga. Bem pode dar entrevistas a dizer que os professores que pedem a reforma são os que só trabalhavam 8 horas e que há muitos professores que concordam com esta avaliação e que não se impressiona com mega-manifestações. Não se impressiona ela, mas preocupam-se os cidadãos em Portugal, que são os que interessam e que estão preocupados com a mediocridade e irresponsabilidade desta política. O dinheiro dos contribuintes não pode ser desbaratado pela incúria e teimosia. O descrédito é inegável e o seu poder está a diminuir drasticamente. Já ninguém acredita no que diz, nem na sua equipa de aplicadores autistas de projectos imprescindíveis e sem alternativa, interpretados em terceira mão, como se fossem descobertas inovadoras.

Há quem diga que de gente imprescindível estão os cemitérios cheios. E está mais que provado que este ministério, como está, com o que não deixa fazer (ensinar), só serve para empatar o ensino.
Há sempre alternativas e esta equipa ministerial já estragou muita coisa e já não está lá a fazer nada, a não ser estragos.
A Assembleia da República e o Presidente da República têm que actuar.

Os professores não podem esperar só por uma greve para as calendas de Janeiro. E não basta pedir a suspensão. É preciso que todos e cada um se vinculem a uma tomada de posição consequente.

Há que fazer já, como nesta escola:

a Assembleia-geral de Professores da Escola Secundária Eça de Queirós, da Póvoa de Varzim, reunida em 4 de Novembro de 2008, toma a decisão de SUSPENDER A SUA PARTICIPAÇÃO EM TODA E QUALQUER INICIATIVA RELACIONADA COM A AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO do Pessoal Docente, criada pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro e demais legislação subsidiária, pela defesa da qualidade do ensino e do prestígio da escola pública.

domingo, 9 de novembro de 2008

MADREDEUS


Ontem fui ouvir a música dos MADREDEUS e a Banda Cósmica.
Há uma fusão de sons da música clássica, portuguesa, africana e brasileira, rock ... que vale a pena ouvir com tempo.
E novas vozes que encantam.
O concerto foi no Teatro Ibérico. Este teatro ocupa o espaço da antiga igreja barroca do convento, uma prova que a arte barroca condiz e é espectáculo.
É pena que a igreja não esteja recuperada. Até há quem a queira transformar em garagem do Instituto de Formação Profissional, ao lado. Espero que isso não passe de uma piada.

Manifestação de dia 8 de Novembro
















Decisão do Plenário no Terreiro do Paço, com cerca de 120000 professores:
«Agir para que, em cada uma das suas escolas, todos os professores se comprometam com a decisão de suspender a avaliação de desempenho e recusem concretizar qualquer actividade que conduza à instalação ou desenvolvimento do modelo imposto pelo ME, tornando pública a sua decisão»

O direito à resistência existe


O direito à resistência existe, e é legal há muito tempo.

Há textos (quase todos) que no original têm mais força.
Em 1789 escrevia-se assim:

Déclaration des droits de l'Homme et du Citoyen de 1789

Préambule

Adoptée par l'Assemblée constituante du 20 au 26 août 1789, acceptée par le roi le 5 octobre 1789
Les représentants du peuple français, constitués en Assemblée nationale, considérant que l'ignorance, l'oubli ou le mépris des droits de l'homme sont les seules causes des malheurs publics et de la corruption dês gouvernements, ont résolu d'exposer, dans une Déclaration solennelle, les droits naturels, inaliénables et sacrés de l'homme, afin que cette Déclaration, constamment présente à tous les membres du corps social, leur rappelle sans cesse leurs droits et leurs devoirs ; afin que les actes du
pouvoir législatif, et ceux du pouvoir exécutif pouvant à chaque instant être comparés avec le but de toute institution politique, en soient plus respectés ; afin que les réclamations des citoyens, fondées désormais sur des principes simples et incontestables, tournent toujours au maintien de la Constitution et au bonheur de tous.

Article II − Le but de toute association politique est la conservation des droits naturels et imprescriptibles de l'homme. Ces droits sont la liberté, la propriété, la sûreté, et la résistance à l'oppression.
[…]
Article XI − La libre communication des pensées et des opinions est un des droits les plus précieux de l'homme : tout citoyen peut donc parler, écrire, imprimer librement, sauf à répondre de l'abus de cette liberté, dans les cas déterminés par la loi.
[…]
Article XV − La société a le droit de demander compte à tout agent public de son administration.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Este quadro de Goya faz-me lembrar alguém que manda mas que já está em fim de época.

Centenas de moções aprovadas

Na Escola Secundária Gabriel Pereira, em Évora, foi assim:
(extractos)
[...}

O abaixo‑assinado veio confirmar a existência, de facto, desse sentimento comum à larga maioria do corpo docente da Escola, expresso através das 128 assinaturas num universo de 148 professores.
Assim, perante uma tal constatação, o Conselho Pedagógico da Escola Secundária Gabriel Pereira considera da máxima importância, até mesmo urgência, a suspensão do actual modelo de avaliação do pessoal docente, questionando aquilo que a seguir sucintamente se aponta:
1. Os critérios que orientaram o concurso de acesso a professor titular criaram, na realidade, situações diversas de injustiça na diferenciação entre professor titular e professor.
2. A dimensão burocrática do actual modelo de avaliação que tende a transformar a escola numa espécie de empresa gerida por objectivos, onde a quantidade (de carácter estatístico) prevalece sobre a qualidade.
3. A integração, neste modelo de avaliação, de itens como o (in)sucesso dos alunos e o abandono escolar, indicadores que ultrapassam a área na qual se inscreve a actividade pedagógica propriamente dita, responsabilizando desadequada e injustamente os professores.
4. O facto de se estar perante um modelo que não é igualitário e tem em conta os resultados obtidos na avaliação externa quando nem todos os docentes leccionam disciplinas sujeitas a exames nacionais.
5. A não previsão do tempo verdadeiramente necessário, a integrar no horário efectivo dos docentes, para o cumprimento de tarefas impostas pelo actual modelo de avaliação, quer no que diz respeito ao docente avaliador quer no que diz respeito ao docente avaliado.
6. O desequilíbrio entre a avaliação dos coordenadores (que também são docentes) feita, este ano lectivo, exclusivamente pelo Conselho Executivo, e a avaliação dos outros docentes avaliadores ou não.
7. O descrédito e desvalorização da componente científica da didáctica específica de cada disciplina implícitos na avaliação realizada por docentes não pertencentes ao mesmo grupo disciplinar.
8. Possibilidade de conflito de interesses dado que a quota atribuída para as menções de Excelente e Muito Bom tem reflexos na atribuição de pontos, no posicionamento dos docentes no grupo disciplinar e no acesso ao topo da carreira.
9. A falta de qualidade e credibilidade das Acções de Formação promovidas pelo Ministério da Educação na área de «Avaliação de Desempenho dos Docentes».

[...]
Este novo modelo de avaliação revela-se, pelo contrário, desintegrador, redutor, gerador de conflitos, desmotivador e desumanizante. A implementação de um novo modelo de avaliação deverá passar por uma primeira etapa de experimentação, francamente aberta a ajustamentos e alterações num processo que deverá revelar‑se dinâmico e construtivo na valorização profissional dos docentes.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

We shall not be moved

CHORUS
We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
Just like a tree that's standing by the water
We shall not be moved

We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
The union is behind us,
We shall not be moved

We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We're fighting for our freedom,
We shall not be moved

We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We're fighting for our children,
We shall not be moved

We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We'll building a mighty union,
We shall not be moved

We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
Black and white together,
We shall not be moved

We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
Young and old together,
We shall not be moved

YES, WE CAN

Manifestação gigantesca de professores obriga a nova alteração de percurso
Concentração e plenário nacional no Terreiro do Paço, com manifestação para o Marquês de Pombal


14.30 horas: Concentração no Terreiro do Paço
15.00 horas: Plenário Nacional de Professores
16.00 horas: Manifestação Nacional que passará por Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade e Marquês de Pombal
17.30 horas: Aprovação da Resolução da Manifestação e encerramento da iniciativa
Tendo em consideração a previsível dimensão do Plenário e da Manifestação Nacional de Professores marcados para o dia 8 de Novembro, tendo como indicadores a mobilização que existe nas escolas e o número de autocarros que ultrapassa os utilizados em 8 de Março de 2008 (cerca de 600 em Março de 2008; já se atingiram os 700 a dois dias de 8 de Novembro de 2008), o local de concentração e o percurso da manifestação tiveram de ser novamente alterados.
Todos ao Terreiro do Paço!
in http://www.fenprof.pt/

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Chegou a hora!

Esta semana é fundamental.
Está na hora de tomar posições.
Já dezenas de escolas, e o número está a aumentar, tomaram posição em relação a este modelo de avaliação. Há que aumentar o número e mostrar que os professores não podem vergar em relação ao irracionalismo, à invasão da privacidade, à perda de direitos, à disparidade de critérios, à arbitrariedade.

Como poderemos ser professores se nos humilharmos todos os dias?
Como poderemos ser professores se deixarmos que a arbitrariedade acabe com o que de melhor tem o nosso sistema de ensino?

Vamos a esta.
E se for preciso, e será certamente, vamos dia 15.

Não dá é para escolher só esta ou aquela data.
É preciso concentrar esforços.

sábado, 1 de novembro de 2008

Manifestação dia 8 de Novembro

TODOS NO DIA 8 DE NOVEMBRO

EM UNIDADE, OS PROFESSORES SERÃO MAIS FORTES PARA DERROTAREM A POLÍTICA EDUCATIVA DO GOVERNO

A FENPROF saúda o facto de ter sido possível chegar a acordo com três movimentos (APEDE, MUP e PROMOVA) no sentido de se realizar apenas uma grande iniciativa nacional de Professores - Plenário seguido de Manifestação, com trajecto ainda a definir - no dia 8 de Novembro. A FENPROF regista o tom construtivo e de procura de consensos e soluções que caracterizou a reunião do dia 29 de Outubro, sem prejuízo das diferenças de opinião e de análise críticas de parte a parte.
A FENPROF tudo fará para manter em aberto todas as vias de diálogo com a certeza de que a unidade de todos os professores e educadores num momento particularmente difícil assim o exige.
O Secretariado Nacional da FENPROF.

Visitas de estudo

Rua de Monsaraz
Visitas de estudo



Com todo este enredo destes “alumbrados” que mandam, estão cada vez mais em causa as visitas de estudo. E a contradição é evidente: os programas das disciplinas aconselham a fazer dezenas de visitas de estudo, o dinheiro para pagá-las só aparece do bolso de alguns, que não do Estado, e os professores são cada vez mais penalizados por fazê-las, por causa deste estatuto que foi decidido mas não discutido, por causa destas inúmeras regulamentações e interpretações a que estamos sujeitos e por causa destas mentalidades anteriores à segunda metade do século XVIII. E destas avaliações penalizadoras , sem eficácia e sem sentido.

Agora, se algum professor fizer uma visita de estudo, tem que deixar planos e repor aulas para os alunos de outras turmas. Imagine-se o que é fazer um intercâmbio com escolas estrangeiras, coisas normais em qualquer país europeu, coisas normais noutros países que assim vão aproveitando os subsídios europeus que nós, dirigidos por gente que se acha inteligente a si própria, desperdiçamos a favor dos outros. Ainda por cima num país que esteve tão isolado durante tanto tempo e que precisa desesperadamente de ter gente mais conhecedora e mais aberta.

É o provincianismo suburbano que manda em nós. Nem são rurais, que aliás desprezam, nem têm consciência do que é ter acesso a uma cidadania.

Há quem não faça, ou não queira fazer ideia, do que é organizar uma visita de estudo. A preparação necessária, a planificação (não a do papel para mostrar) dos tempos, dos lugares, das necessidades, dos objectivos, dos meios, transportes e outros, dos contactos, do conhecimento prévio do terreno, dos orçamentos, das imprevisibilidades, etc. E o estar naquele, ou naqueles dias, com uma atenção permanente e o resolver dificuldades inesperadas

Também não conhecem o gozo de verem gente nova espantada com as coisas que há no mundo!

Há quem não faça ideia da falta de oportunidades dos alunos de conhecerem isto ou aquilo. Não é só uma questão de dinheiro. Quantos alunos não dizem que já foram a Lisboa mas afinal só conhecem os hipermercados. Não terão direito a conhecer outras coisas? Ou será que conhecer arte, música, património etc. estará só destinado àqueles que já pertencem à elite?

Se perguntarmos a ex-alunos do que é que se lembram da escola, passados uns anos do que é que se lembram? Recordam-se de um ou outro professor que os influenciaram, têm saudades dos intervalos e dos colegas, lembram-se também de alguns maus momentos. E lembram-se das visitas de estudo em que aprenderam alguma coisa.

Por favor. Que haja algum bom senso, mesmo que não haja visão e, já agora, um pouco de cultura.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Foi assim e há-de ser.








Não há machado que corte

Livre (não há machado que corte)

Música: Manuel Freire
Letra: Carlos de Oliveira
Intérprete: Manuel Freire

Não há machado que corte
a raiz ao pensamento

não há morte para o vento
não há morte

Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida
sem razão seria a vida
sem razão

Nada apaga a luz que vive
num amor num pensamento
porque é livre como o vento
porque é livre

Em Évora também é assim

A Escola Secundária André de Gouveia já tomou posição.

Na Escola Secundária de Severim de Faria a maioria dos professores também assinou este texto:

MOÇÃO A FAVOR DA SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO NOVO MODELO DE AVALIAÇÃO

Exmoº Senhor Presidente do Conselho Pedagógico
da Escola Secundária de Severim de Faria,

Constatam os docentes deste estabelecimento de ensino que o Modelo de Avaliação proposto pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008, a que todos estamos sujeitos durante este ano lectivo, prova ser um modelo, acima de tudo, inexequível, burocratizado e gerador não da qualidade que se deseja, mas de inevitáveis conflitos entre pares, não contribuindo para um melhor funcionamento da Escola, para a sua estabilidade ou para o sucesso dos alunos, mas sim para a sua descredibilização e degradação.
Este Modelo de Avaliação, penalizador para todos os seus intervenientes também não foi criado, a nosso ver, com o objectivo de melhorar as práticas docentes, mas para influenciar o resultado escolar dos alunos: o docente é directamente responsabilizado pelo sucesso ou insucesso dos alunos e da Escola quando, de facto, as avaliações são apenas propostas em Conselho de Turma, órgão que decide a avaliação final de cada aluno.
Outro dos objectivos deste Modelo é o de preencher ou esvaziar lugares, em cotas previamente estabelecidas, no que respeita a classificações mais elevadas, servindo interesses economicistas. O regime de quotas impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, gerando nas escolas situações de injustiça e parcialidade, devido aos “acertos” impostos pela existência de percentagens máximas para atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito Bom, estipuladas pelo Despacho n.º 20131/2008, e que reflectem claramente o objectivo economicista de um Modelo não formativo, mas classificativo e limitador da progressão na carreira. E como serão atribuídos os Muito Bons e Excelentes quando o Modelo não é equitativo e não tem em consideração as diferentes variantes e variáveis a que o docente está sujeito em cada ano lectivo? De acordo com a legislação sobre matéria de concursos que se prepara para ser implementada, os professores em situações futuras de concurso, poderão vir a ser prejudicados, visto que a referida legislação pretende adulterar a graduação profissional dos professores através da introdução desta nova variável, a classificação obtida na avaliação de desempenho.
Sendo um Modelo complexo, complicado e confuso que rouba cada vez mais tempo à preparação efectiva do trabalho lectivo, à reflexão necessária à ponderação de tantos aspectos que não são “contáveis” nem “contabilizáveis” na relação pedagógica com os alunos, são várias as questões que se nos colocam, que o tornam injusto e impraticável, não valorizando, mas penalizando, de facto, o trabalho dos docentes.
Não se questiona a necessidade da avaliação do desempenho e considera-se de grande importância que esta questão seja debatida, a nível nacional, por todos os seus intervenientes na busca de um Modelo justo e amplamente discutido e aceite pelos docentes.
Questiona-se, sim, que a avaliação de desempenho e a progressão na carreira dos docentes seja baseada em itens, como o abandono escolar (directamente ligado ao background sócio-económico e familiar do aluno), o sucesso alcançado (sem ter em consideração que cada aluno e turma têm as suas especificidades) e a avaliação final dos alunos (da responsabilidade do Conselho de turma e não do docente em si) .
Questiona-se, também, o tipo de avaliação preconizada, isto é, entre pares. Qualquer especialista em avaliação aponta, como princípio básico, que NUNCA a avaliação deve ser efectuada por pares, pois é geradora de conflitos e de mal-estar entre colegas, de uma carga maior de parcialidade, podendo criar desigualdades e injustiças entre avaliados:
- a maioria dos avaliadores não recebeu formação adequada para avaliar os seus pares, não tem qualquer experiência a esse nível, não vai ser avaliado, como previsto, por um inspector, existindo também a situação de vários avaliadores serem de grupos disciplinares diferentes dos avaliados, não ficando garantida a equidade e justiça necessárias a um processo de avaliação;
- a avaliação dos professores vai ser realizada por outros professores, parte pessoalmente interessada na avaliação dos seus colegas. Se existem quotas para as classificações mais elevadas, que garantia de isenção e justiça nos pode merecer a avaliação feita? As observações de aulas e apreciação de materiais apresentados não serão feitas com base na amizade/inimizade pessoal? Quantos “ajustes de contas” se realizarão ao abrigo deste modelo de avaliação?
Não esquecer que, fruto dos critérios estabelecidos no primeiro Concurso de Acesso a Professor Titular, a carreira foi dividida em dois patamares, a dos “professores titulares” e a dos “professores”, valorizando-se apenas a ocupação de cargos nos últimos sete anos, independentemente de qualquer avaliação da sua competência pedagógica, científica ou técnica e certificação da mesma. Ficaram de fora muitos professores com currículos altamente qualificados, com anos de trabalho dedicado ao serviço da educação e com investimento na sua formação pessoal, gerando nas escolas muitas injustiças. Criaram-se nas escolas situações incríveis como, por exemplo, alguns avaliadores possuírem formação científico-pedagógica e académica inferior à dos avaliados.
Questiona-se, ainda, a quantidade e variedade de reuniões, planos, relatórios, grelhas, dossiers, portefólios e todo um conjunto de documentos que burocratizam todo o processo e afastam os professores da função científico-pedagógica inerente à sua profissão, para além de lhes aumentar descontroladamente a carga horária que fica muito acima das trinta e cinco horas semanais de trabalho.
Questiona-se essa carga horária, não apenas no número de horas previsto para o trabalho individual, que é manifestamente insuficiente face à quantidade de tarefas que se exige, desde a planificação às estratégias, à elaboração e correcção de todo o tipo de testes, à reformulação do trabalho, mas também às horas previstas para os avaliadores planificarem, acompanharem, observarem, reflectirem, avaliarem (quarenta e cinco minutos por semana) e serem, ainda, coordenadores de Departamento, Directores de Turma, Membros da Comissão de Avaliação, participarem no Conselho Pedagógico ou noutras comissões, para além de serem, também, docentes das suas turmas, com todo o trabalho a isso inerente. E que dizer do facto da delegação de competências estar agora dependente da publicação do orçamento de estado…?

Estas e muitas outras questões, que estão subjacentes a este Modelo, levam a que os docentes desta Escola estejam solidários e concordantes num sentimento comum de desagrado e total discordância do mesmo, decidindo solicitar ao Conselho Pedagógico:

1 – uma tomada pública de posição contra o Modelo de Avaliação preconizado pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008;
2 – que exija ao Ministério da Educação a suspensão imediata de toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação preconizada por este modelo, enquanto todas as limitações, arbitrariedades, incoerências e injustiças que enfermam o referido modelo de avaliação não forem clarificadas e corrigidas por parte do ME, ainda que, no presente ano lectivo, o modelo se encontre, apenas, em regime de experimentação, por não lhe reconhecerem qualquer efeito positivo sobre a qualidade da educação e do desempenho profissional dos seus agentes;
3 – que se cumpra rigorosamente o horário de trabalho fixado por lei, respeitando também escrupulosamente, as suas diferentes componentes;
4 – a ampla divulgação desta Moção a favor da Suspensão da aplicação do Modelo de Avaliação.

Escola Secundária de Severim de Faria, 24 de Outubro de 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A falsa avaliação por pares

Diz a ministra da Educação que a avaliação dos professores é uma avaliação por pares.
Só é na aparência!

A partir do momento em que se dividiu artificialmente a carreira em duas, criando uma carreira de professores titulares e outra de professores, os que eram pares deixaram de o ser institucionalmente.

Para mais ninguém acredita nos fundamentos dessa divisão em duas carreiras. Não está legitimada face às funções de um professor, dada a arbitrariedade de se contar apenas com os cargos exercidos nos últimos sete anos.

Ainda por cima, com as quotas para a classificação de Muito Bom e Excelente, que permitem uma mais "rápida" progressão na carreira, exceptuando os que estão no último escalão que não ganham nada, fomenta-se a concorrência directa entre avaliadores e avaliados, pois apenas alguns na mesma escola podem ter as classificações mais altas.

E, como se pode falar em avaliação por pares, quando alguém de um grupo de recrutamento avalia outros de outro grupo? Referindo casos concretos (não estando em causa a pessoa), como é que um professor de Educação Tecnológica, com uma formação de base em Técnicas Agrícolas, avalia um professor de Matemática? Ou um professor de Economia que avalia professores de Filosofia? Ou um de Educação Física que avalia outro de Educação Visual?

Só na cabeça de alguns é que isto pode ser avaliação por pares.
Valerá a pena mudar o dicionário?
Não seria preferível mudar de governo? Ou, pelo menos, escolher alguém com bom senso?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Senhora de Aires. Viana do Alentejo




Imagens da Senhora de Aires.
A romaria é bastante antiga, ligada aos caminhos da transumância.
No tempo de D. João V reformou-se a igreja. É o barroco no seu esplendor.
No interior o baldaquino faz lembrar, em menor escala, o da catedral de S. Pedro, em Roma.


Sísifo e o absurdo

Sísifo de Ticiano

Sísifo foi condenado a empurrar uma pedra até ao cimo da montanha. Quando estava perto, a pedra rolava e ele tinha que voltar a fazer sempre o mesmo.

Segundo Camus o absurdo exige revolta.

domingo, 26 de outubro de 2008

Cresce o número de escolas a contestar este modelo de avaliação


Recebi uma lista de escolas que já aprovaram moções ou tomaram atitudes colectivas a contestar este modelo e este processo de avaliação. São elas:


Agrupamento de Escolas de Alvide (Cascais), Escola Secundária de Montemor-o-Novo, Escola Secundária D.Manuel Martins (Setúbal), Escola Secundária do Monte da Caparica, Agrupamento de Escolas de Maceira, Agrupamento de Escolas D. Carlos I,Escola Secundária/3 Raínha Santa Isabel, Estremoz, Agrupamento de Escolas José Maria dos Santos, Pinhal, Novo Escola Secundária/3 de Barcelinhos, Escola Secundária Augusto Gomes Matosinhos, Agrupamento de Escolas de Ovar, Escola de Eugénio de Castro (Coimbra), Escola Secundária D.João II (Setúbal), Professores de Chaves, Agrupamento de Ourique, Agrupamento de Escolas de Aradas (Aveiro), Escola Secundária Jaime Magalhães Lima (Aveiro), Agrupamento de Armação de Pêra, Escola Alice Gouveia (Coimbra), Escola Secundária da Amadora, Agrupamento Vertical Clara de Resende (Porto), Escola de Arraiolos, Escola Secundária Dr. Júlio Martins (Chaves), Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares, Agrupamento de Escolas de Vouzela, Agrupamento de Escolas do Forte da Casa, Escola Secundária Camilo Castelo Branco (Vila Real), Escola Secundária da Amora, Escola EB 2,3 Dr. Rui Grácio, Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão, Escola Manuel da Fonseca de Santiago do Cacém, Escola Martins de Freitas –Coimbra (pedido de suspensão deste modelo de avaliação), Processo de avaliação parado na Ferreira Dias (Cacém), Agrupamento de escolas de Oliveirinha.


E, ou me engano muito, a tendência vai ser para aumentar em progressão geométrica.

É tempo de a ministra pensar um pouco nisto.

Mas afinal o que é que queria? Queria provar que isto é um povo de gente submissa que aceita tudo?

Todo este afogamento em papéis e reuniões, perda de direitos, bloqueio de carreiras, tentativas de impôr o silêncio, desnorteamento, estava no programa de governo?


O que é querem?

Primeiro bloqueiam a carreira da maior parte. Depois põem as pessoas como Tântalo cheio de sede e fome, rodeado de água e frutos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A revolta do quotidiano

Há pouco decidi fazer outra coisa: Voltar a outro quotidiano e não andar sempre a pensar em papéis e no que os outros decidem:
Vou ler mais um capítulo do livro de Hannah Arendt: As origens do totalitarismo.

A literacia. "Para além da Branca de Neve"

Dia 23 de Outubro, em Évora:
II Seminário FORBEV – “PARA ALÉM DA BRANCA DE NEVE: Literacia(s) e aprendizagem na biblioteca escolar”
ver em http://www.evora.net/bpe/inicial5.htm

O tema é fundamental por duas razões essenciais:

- A primeira, e mais importante, é a necessidade de ler, de analisar, sintetizar, produzir novos textos, dar um passo mais além, espantar-se com as coisas que se lêem, mudar o rumo.

- A segunda, é que não basta ler "estórias"; há que interpretar o mundo, compreender os problemas das ciências, excitar a curiosidade sobre tudo.

Lá estaremos.


PS. Ainda há uma terceira, a longo prazo. Se o pessoal começar a ler, a reflectir ... há muito mais probabilidades de termos ministros, primeiros-ministros, deputados, empresários ... que sejam um pouco melhores do que esta gente que manda arrogantemente em nós.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A ilusão da Internet

Prefiro não ser optimista nem pessimista. Mas costumo fazer um exercício para ver as coisas de maneiras diferentes. Nisso, dou razão aos processos da Igreja Católica em relação à causa dos santos (a questão dos resultados não interessa agora). Inventou-se o advogado do diabo, aquele que aponta todos os pecados da pessoa antes da canonização esperada. É preciso tentar ver as coisas por outro ponto de vista.

A difusão, a discussão (menor do que parece) pela internet pode tornar-se uma ilusão. Recebo todos os dias mensagens sobre a situação dos professores, frequentemente repetidas. O que me parece é que se funciona muito em círculos quase fechados. Os que enviam são quase os mesmos que recebem. E, às tantas, funcionam com códigos menos acessíveis a outros.

Sente-se a ilusão que toda a gente está a ouvir.
Duvido!

Há que demonstrar a outros os factos, as razões, utilizar diferentes formas de levar as mensagens, mostrar que os problemas não são só deste grupo específico, mas que interessam a mais gente e que todos, ou quase todos, podem pagar as consequências do irracionalismo.

A internet é um meio, é mais um meio eficaz e fundamental nos nossos dias, mas necessita de ser alargada. Mas também há outros, chamados tradicionais. É preciso que funcione o diálogo, que o problema seja visto como necessário e urgente para todos ou quase.

E é, ou não fosse a educação um dos problemas fundamentais dos nossos dias. Não sou eu que o digo, não são só os discursos dos governos, são a OCDE, a ONU e, diga-se, quem acha que se deve resolver problemas para além da passividade e dos preconceitos.

Novo blogue da Biblioteca da Esc. Sec. Severim de Faria

Texto inicial do blogue http://fariaconversas.blogspot.com/

Finalmente começámos este blogue. Estamos em fase de experiência e queremos sugestões e, sobretudo, participação. Está aberto a todos os membros da comunidade escolar que queiram escrever textos sobre livros, filmes, música … Queremos uma biblioteca viva em que os leitores digam o que pensam sobre esta ou aquela história, sobre um teatro que viram ou de que fizeram parte, um texto seu que gostariam que fosse mais conhecido ou comentado, uma experiência científica que os tenha levado a pensar mudar as coisas, reflexões sobre o mundo ou esta cidade, factos que pensem dever ser divulgados.

O mais importante é construir. Por isso pedimos que escrevam com o vosso próprio estilo, mesmo que achem que outros escrevem melhor. Certamente serão mais apreciados assim, porque se exprimem com autenticidade e com o colorido próprio de cada um. Quem sabe o que poderá sair daqui, que novas vozes se farão ouvir nos próximos tempos?

As regras são mínimas, passam sobretudo pelo respeito pelos outros, pela forma de estar de cada um, no respeito pela diferença de opiniões, pelas normas de convivência em democracia.

Enviem os textos para bibliofaria@gmail.com e verão que após os vossos, outros mais hão-de vir.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Anedotas

Não sou muito dado a contar anedotas mas agora lembrei-me de uma antiga de um presidente do Brasil nos tempos da ditadura.

Dizia ele:
Quando eu cheguei a presidente, o Brasil estava a um passo do abismo. Mas comigo deu um passo em frente.

Goya. Saturno comendo os seus filhos.

Saturno, Cronos, devora os filhos.
É o tempo, mas após estes tempos outros tempos hão-de vir.

Entrevista com a ministra da Educação III

Vários professores referem-se à escola como parques de estacionamento. Muitos criticam as funções que hoje se lhes exigem e não são de natureza pedagógica...

Felizmente, temos muitos professores que reconhecem, aceitam, querem e consideram que estas são formas de valorizar a escola.

E muitos que se queixam das centenas de papéis que têm de preencher.

Os professores e a escola têm autonomia para avaliar os papéis e a carga burocrática. Quais são os papéis dispensáveis? Se a escola considerar que há papéis dispensáveis, os papéis que protegem o professor, que protegem o aluno, que protegem os pais, que adopte procedimentos mais simples.

Comentário: Tem razão. Afinal quem inventou o papel foram os chineses.
Novidade: Afinal os professores apoiam a ministra. A sua fonte de informação deve ser a mesma dos professores com 4 horas.

Entrevista com a ministra da Educação II

Conheço um adolescente de 14 anos, que estuda na Escola Secundária de Palmela. Tem 36 horas lectivas semanais: aulas de Ciências da Natureza, Físico-Química, Educação Física, Educação Visual, Francês, Inglês, Geografia e História, Língua Portuguesa, Matemática, Expressão Plástica, Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica e Introdução às Tecnologias de Informação e Comunicação. Tem aulas todos os dias das 8 às 18 horas, excepto durante duas manhãs. Acha normal que uma criança de 14 anos tenha este horário escolar?

E o que é que retirava?

Não sei. A senhora é que é a ministra da Educação.

Mas o que é que retirava? Retira o Inglês ou as línguas estrangeiras? A Matemática? O Português?

Para não iludirmos a pergunta, o que pretendo saber é se acha adequada esta carga horária para uma criança de 14 anos.

Mas qual é a alternativa? Quais são as práticas internacionais? É retirar? É encolher a escola? E o que é que resta aos alunos se se encolher a escola?

Comentário 1: Não resta nada. A ministra está cá para os salvar e a todos nós. Antes eram todos uns tristes.
Comentário2: O entrevistador que responda às perguntas e que arranje soluções.

Entrevista com a ministra da Educação

Porque é que há uma corrida dos professores à reforma ­ 700 só no próximo mês?

O aumento da idade de reforma e a alteração do estatuto de carreira do docente acarretaram, sobretudo para os professores em fim de carreira, uma mudança. Alguns iam à escola quatro horas por semana. Foi preciso dizer aos professores que as outras horas de trabalho, que o País paga, são precisas nas escolas, que os alunos precisam delas.Imagine um professor que ia oito horas à escola e que, de repente, passa a estar lá 25! Pessoas que acumulavam nos colégios privados, deixaram de poder acumular. Isto é dramático? Do ponto de vista do sistema, não é dramático. Hoje, o País tem milhares de jovens diplomados a querer entrar no sistema de ensino.

Entrevista da ministra da Educação à Visão
in http://aeiou.visao.pt/Actualidade/Portugal/Pages/EntrevistaaMinistradaEducacao.aspx


Comentário: Não há comentários.
A partir de hoje deixo de usar o termo senhora ministra para usar só ministra. Sempre entendi que senhora era alguém que se dava ao respeito, como se dizia antigamente.
O respeito que lhe tenho, por estas e outras graças, é o mesmo que tenho por Manuel Pinho, Mário Lino ou Santana Lopes ou por José Sousa.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Eleições nos Açores

Já tenho aqui demonstrado que nada tenho a ver com a direita, mesmo que ela apareça travestida em partidos da Internacional Socialista.
Mas desta vez quero saudar o meu amigo Paulo Estêvão, eleito pelo PPM como deputado na Ilha do Corvo. É um homem de causas, persistente, capaz de sacrificar carreiras mais fáceis em nome de princípios éticos.
Não é fácil a alguém que vem de Serpa viver na ilha mais longínqua do país, frequentemente isolada pelas intempéries, e conquistar a confiança dos seus habitantes, contra o bipartidarismo instalado que leva normalmente a alianças espúrias. É trabalho de muito tempo, de conquista da das populações, com propostas concretas que revelam autenticidade e coerência de quem está disposto a dar o seu melhor pela Res Publica.

As siglas

Das inúmeras mensagens que tenho recebido sobre a avaliação dos professores, reparei nesta, pelo abuso de siglas que limitam a compreensão pois, na minha opinião, obrigam os incautos a recorrer a vários códigos, até decifrarem totalmente a mensagem ou então "ficam a ver navios". Quase que prefiro a linguagem dos telemóveis que tem a vantagem de se aproximar da oralidade.
Vejamos:

Adivinha-se o simplex para evitar o descalabro:
DGRHE cria equipas de apoio à avaliação. A ministra reunida com as equipas de apoio, no dia 17/10, admite simplificar o processoFoi na sexta-feira passada, dia 17/10. A ministra reuniu, em Lisboa, com duas dezenas de membros das recentemente criadas 'equipas de apoio à avaliação de desempenho'. São 22 professores, quase todos directores ou ex-directores de CFAEs, que integram as equipas de apoio criadas pela DGRHE com a função de darem formação aos PCEs e avaliadores e acompanharem os processos de avaliação de desempenho nos agrupamentos onde houver mais dificuldades ou o processo estiver paralisado. São uma espécie de 'INEM' ...

Na minha modesta opinião haveria que ter mais respeito pelo leitor (português, brasileiro, angolano ... estrangeiro que aprende português, leitores de vários níveis de língua etc.).

domingo, 19 de outubro de 2008

O Latim

O português é uma língua latina. Vários escritores e estudiosos ao longo dos séculos até escreveram que era a mais próxima do latim. O latim foi durante séculos a língua erudita europeia e muitos portugueses a usaram nos seus escritos. Évora, por exemplo teve latinistas consagrados, como André de Resende, até mulheres como Publia Hortensia de Castro e uma universidade em que também se escrevia em latim.
Considerou-se durante muito tempo que aprender latim melhorava a expressão no português e ainda hoje essa ideia não é contestada. Os alemães que têm uma língua germânica também acham que o latim é útil no ensino secundário. E há ainda muitos outros.

Hoje, em nome do curto prazo e do achar que está fora de moda, esquece-se a matriz da língua.
Mas na Finlândia, onde se fala uma língua que nada tem a ver com a herança latina escreve-se e ouve-se rádio em latim.

Dá para ouvir e ler notícia actuais em:
http://www.yleradio1.fi/nuntii/audi/

PS. A Finlândia é dos países com maior desenvolvimento social no mundo, com um sistema educativo dos melhores. Talvez por isso

A chuva e os topónimos

Ontem houve inundações em Sete Rios, Lisboa. Não é a primeira vez e outras virão. Encheram a zona de cimento e impermeabilizaram os solos. Depois a água ou corre por onde costumava ou inunda devido às barreiras artificiais que se foram fazendo em nome de um determinado progresso.
Por vezes, bastava reflectir sobre os topónimos antigos. Até à segunda metade do século XIX as pessoas davam nomes muito concretos às coisas e às ruas. Sete Rios, significa que é uma zona com muita água, com várias linhas de água. Os antigos sabiam disso, alguns no nosso tempo desprezaram.
Mas há muitas mais só em Lisboa: Arroios, são ribeiros (note-se também o plural), Areeiro, está associado a areias dos cursos de água, Alcântara, significa ponte e portanto uma passagem por cima de uma ribeira, que está encanada e rebenta de vez em quando.

As reuniões

Tenho algumas saudades de certas reuniões.

Daquelas reuniões de estudantes, as RGAs, no pós-25 de Abril, que para os que lá não estiveram ou só ouviram falar em terceira mão, foram uma balda ou uma inutilidade.
Há quem nem imagine a organização necessária. Com tanta gente em movimento, tantos projectos, tantas partidos e grupos, tantas discussões, tantas "bocas", era preciso ter regras claras de participação, medir o tempo útil. Nessas reuniões decidia-se tanta coisa!

Outra experiência muito interessante que tive foi na Assembleia Municipal de Arraiolos. A maior parte dos membros tinha a instrução mínima, eleitos ou presidentes das juntas de freguesia. Quando um falava, os outros ouviam sem interrupções. E havia opiniões diferentes, mesmo dentro do mesmo partido. Sabiam (sabem) falar e escutar sem mudar de assunto constantemente.

Hoje participo em reuniões em que há constantes interrupções e, sobretudo, mudanças de assunto que nada têm a ver com a ordem de trabalhos, repetições do que já foi dito, concentração em pormenores sem se discutir o essencial ... enfim, decisões que poderiam ser tomadas numa hora e que se arrastam por horas infinitas.

E já não falo daqueles que nunca lêem os documentos previamente e que depois intervêm constantemente aos bochechos, porque só os lêem aos bocados na hora, sem terem reflectido primeiro ou daqueles que só apresentam os documentos de muitas páginas na própria reunião, obrigando as pessoas a tomarem atenção aos que falam e a lerem apressadamente ao mesmo tempo essas propostas.

Um desgaste!
E quando uma pessoa diz que é preciso respeitar a ordem de trabalhos ainda é considerado como um chato, que certas pessoas têm que se fazer ouvir sempre, mesmo que nada acrescentem.

É difícil fazer perceber a alguns que os tempos que correm não dão para andar a perder tempo. Ou será que acham que os outros têm que ter um horário de 50 ou 60 horas, ou mais ainda?

O discurso anti-sindical

Há quem diga coisas destas: que os sindicatos são os maiores adversários; que não se deve ser sindicalizado; para quê pagar quotas para eles (será que se entendem por eles, uns indivíduos que nem são professores, que vivem à custa dos outros)? Admiram-se de haver gente sindicalizada e até parece que quem é sindicalizado anda fora da onda, ou até é está contra a corrente.

Há quem agradeça. Não só a ministra, mas quem foi a favor do novo código de trabalho, quem não quer parceiros para discutir problemas concretos, quem está a favor da desregulamentação total, dos contratos individuais sem negociação colectiva. Por que não havendo sindicatos, o que é que há? E o que é que existe de permanente, para o dia a dia?

Creio que em muitos casos este discurso resulta da emoção do momento. Compreendo-o, mas há que reflectir.
Mas o sindicato já deveria ter ouvido as pessoas. Já se deveria ter actuado. E o não actuar leva à descrença. Os motivos são demasiado fortes para algum silêncio que tem existido. Já quase ninguém aguenta um Setembro e um Outubro como estes.

Aborrece-me este discurso sobre os sindicatos, em geral. Para já não são todos iguais nem têm a mesma representatividade. No caso dos professores há a FENPROF e a FNE, que têm dezenas de milhares de sócios, e um sem número de organizações que de sindicato apenas têm o nome. Alguns até serviram para umas borlas, isto é para indivíduos terem dispensa de serviço a meio tempo ou a tempo inteiro, embora não representassem ninguém. Eram úteis para o poder porque assinavam como sindicatos, embora não tivessem qualquer poder real.

Esquecem-se alguns que a luta pela existência e até legalização de sindicatos é centenária e que muita gente pagou por isso. O campo de concentração do Tarrafal foi criado com sindicalistas da greve geral de 1934 e marinheiros que se revoltaram. Já antes outros tinham ido parar a Timor e outras colónias. Mesmo depois, muita gente foi despedida, perderam direitos, foram presos etc. Não se conseguiria uma manifestação de 100000 professores se não houvesse organização e lutas anteriores. Aliás, para quem tenha alguma experiência em relação a movimentos de massas sabe que é muito fácil infiltrarem-se movimentos provocatórios que levam à excitação, desorganização e intervenção da polícia. Quem viveu o período pós-25 de Abril sabe o cuidado que se tinha nessas manifestações porque facilmente a extrema-direita ou certa extrema-esquerda (o MRPP, muitos deles hoje no poder), poderia manipular grupos mais ou menos espontâneos .

Faço algumas perguntas legítimas (não me venham dizer que sou do contra e não as posso fazer): quem convocou uma manifestação para dia 15? Quem representa essa organização (quantos associados)? Como se transportam dezenas de milhares de pessoas? Como vai ser organizada a manifestação? O que se propõe?E que legitimidade têm alguns para acharem que ninguém deve ligar aos sindicatos? Discutiram o estatuto antes de ele ser aprovado? Fizeram greves e manifestações nessa altura? Foram àquelas manifestações com cinco mil professores, a outras com dez mil ou só foram à última? E depois o que fizeram?

Eu, por mim, tenho críticas a fazer em relação a sindicatos (a um, porque há outros que nada têm a ver comigo). Mas sou sindicalizado. É lá que tenho que estar. Parto do princípio que os sindicatos não são os outros: somos nós. E nós é que temos o direito e o dever de os fazer representar-nos. E estas coisas não podem ser por um só dia. Acabar com sindicatos é ficar sujeito a movumentos, embora bem intencionados, que vão e vêm.

Por isso vou a uma manifestação que tenha objectivos definidos. Que seja para vencer e não sair de lá pior ainda. E irei a outras.

O problema é o governo, não são os sindicatos.

Ps. Não estou aqui propriamente para ser simpático e acrescento ainda outras: por que é que alguns votaram no PS? Os militantes do PS não discutiram problemas de educação antes deste governo? Se são militantes e não concordam o que é que lá estão a fazer? Porque não derrubam esta gente?

E os daquele partido que agora tem uma dirigente que lhe dá para estar calada? Até nova demonstração, parece-me que não é porque não saiba falar, visto que até já foi ministra da Educação, mas porque concorda com o que este governo faz.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Delos. A ilha de Apolo




13 de Outubro em Fátima

in Página de Ilustração Portuguesa, 29 de outubro de 1917, mostrando as pessoas a observar o milagre. http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Milagre_do_Sol

Outro país reverenciando o Sol.
Eu prefiro Apolo.

Rodes. Lembranças de tempos em que as culturas coexistiam








Igrejas católicas da Ordem dos Hospitalários, mesquitas com minaretes, igrejas ortodoxas, casas de judeus, muçulmanos e cristãos.
Acima e mais antigo, Apolo, o deus do Sol e da Razão.
Era assim o Mediterrâneo.




Os preconceitos desta pretensa elite que manda

Os que mandam neste país quiseram resolver o deficit com contas de mercearia, salvo os homens das mercearias de esquina ou do largo que fazem um bem público. A questão que puseram foi a de cortar. Cortar em quê? Nos suspeitos do costume da ideologia liberal ou neo-liberal: saúde, educação, reformas … Não acuso só o governo, mas sobretudo, como também esta União Europeia que proclamava há pouco tempo “o menos estado” e que agora nacionaliza bancos que há pouco tempo tinham lucros exorbitantes, agora injectados com dinheiro dos contribuintes - os que pagam todos os deficits.

Mas, para além disso, essa autoproposta elite tem uma desconfiança em relação a quem ensina. Uns, porque acharam que os filhos das criadas não deveriam aprender mais nem ter um lugar superior ao filho do patrão; outros, porque desprezaram sempre os livros, a investigação, até a participação; outros ainda porque acham que são eles os detentores da cultura, o que é uma forma aparentemente sofisticada de reproduzir a ideia que os filhos das criadas não podem pensar e agir. Alguns pensaram até que eram mais modernos que os outros e sentiram-se no direito de achar que todos os outros são estúpidos. Conluiaram-se nesse desprezo e nessa tentação autoritária que tem raízes longas neste país e vá de “bota abaixo em relação aos professores.

Não quiseram avaliar a situação. Eles sabem mais, sabem tudo e vá de resolver tudo drasticamente. Ouviram falar que o professor do filho de um vizinho faltava muito, conhecem uma antiga colega de faculdade que tinha menos horas, deram aulas um ano e faltavam muito, pensando que todos eram também assim oportunistas, foram um dia a uma reunião de pais e o professor não resolveu uma qualquer situação, leram apressadamente umas estatísticas desactualizadas e está feita a opinião.

Nunca terão pensado que um professor precisa de ler, que precisa também de tempo para preparar aulas diferentes que ponham os alunos a pensar e a investigar um pouco. Não quiseram saber de quem estava na profissão a fazer de conta. Quiseram obrigar todos a serem investigados até ao pormenor, quiseram controlar tudo.

Estão a secar a fonte.
Querem secar a fonte!

O que se passa actualmente nas escolas é kafkiano, um arremedo de surrealismo ( que era uma arte libertária), um desgaste e uma inutilidade permanente. Para quê?

É preciso avaliar ou antes culpabilizar, intimidar quotidianamente, a partir de modelos pré-formatados? Coscuvilhar tudo? Em que é que isto melhora?

Querem comparar-nos com outros estados da União Europeia? Pois bem, nada se passa assim, nem por sombras, e também têm os seus defeitos. Talvez porque não tiveram esses hábitos de uma Inquisição de 300 anos, esses hábitos pidescos de 48 anos, essa tentação de mandar até à intimidade.

Eu não quero mudar de país. O que gostaria é que essa gentinha que manda fosse fazer um estágio a qualquer lado (mesmo que nós pagássemos, o que já estamos habituados) e começasse, o que não é fácil para eles, a pensar um pouco racionalmente.

Estes são os herdeiros daqueles que nos deixaram a miséria social e intelectual salazarista. Mesmo travestidos de modernos e eficazes (?) e com viagens às Caraíbas, ao Quénia e a outras partes, onde os empregados lhes servem as bebidas e os pobres que cheiram mal ficam higienicamente fora de vistas.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O sentido de oportunidade


Imagens do museu de Faro
Quando estava em discussão formal o novo estatuto dos professores havia muita gente que tinha mais que fazer. Estava preto no branco que iriam existir duas carreiras e a maior parte ficaria impedido de chegar ao topo. Outros muitos direitos foram perdidos.
As primeiras greves contra o estatuto tiveram uma adesão relativa. Fizeram-se manifestações, primeiro com 5000, depois 10000. Só depois de o caldo estar totalmente entornado vieram 100000, recorde único na Europa. Depois muitos contentaram-se com um memorando de acordo.
Agora, os professores não sabem o que fazer à vida. Reuniões atrás de reuniões, reuniões sem sentido e sem controle do tempo.
Afinal há quem goste de fazer grelhas. Há quem goste de reuniões de 5 horas e mais outras tantas para não decidir quase nada. Há quem goste de convocar reuniões de protesto e desconvocá-las à última hora sem explicações.
Será que não dá para ver que já quase ninguém aguenta este ambiente e que é hora de agir em conjunto, depois de tanto tempo perdido?
Ou de lamuriar?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Reuniões em escolas

Amanhã vai realizar-se uma reunião geral na Escola Secundária Severim de Faria para discutir os problemas de avaliação de professores. Como outras noutras escolas e em muitas que hão-de vir.

Os professores não sabem para onde se virar. Reuniões e mais reuniões, preenchimento de múltiplos documentos, pressões enormes para acabar com o insucesso educativo de forma administrativa, desorientação geral sobre critérios, com demissão e pressão do ministério, modelos unidimensionais, castração da criatividade em relação ao essencial, submissão ao autoritarismo desnorteado...

Irresponsabilidade de um governo que está seriamente a comprometer o futuro da educação, a corromper o seu próprio programa e ideologia (qual será?).

A independência do Kosovo

Não é um precedente mas é grave.
Na mitologia sérvia o Kosovo é o berço da nação. As limpezas étnicas são antigas: existiram com a Grande Guerra e a 2ª Guerra Mundial. Tito, em nome da união jugoslava preferiu que os sérvios expulsos não regressassem.
Recentemente o problema enquadra-se na desintegração da Jugoslávia, imediatamente apoiada por alguns países europeus, entre os quais a Alemanha que assim vai reconstituindo o seu domínio, agora económico.
Há uns anos fomos bombardeados pelas valas comuns de milhões de kosovares. Nem o Kosovo tem tantos milhões de habitantes nem apareceram essas supostas provas. Bombardearam-nos a seguir que também com os judeus tinha acontecido o mesmo na Alemanha nazi. Como se fosse tudo o mesmo, como se o facto de outros não terem acreditado perante evidências, justificasse a obrigação de acreditarmos no que as agências hoje dizem.
O facto é que houve limpezas étnicas e transferências de populações. Hoje há muito menos sérvios do que havia e tem havido colonizações de albaneses vindos da Albânia. Tolerou-se e promoveu-se a actuação de um partido nacionalista e fascista como o UÇK. Diz-se que a Albânia é hoje um estado falhado dominado por máfias. O Kosovo é terreno ainda mais propício.
É isto que Portugal reconhece agora também. Contra as decisões das Nações Unidas reconhece-se um estado que só sobrevive com ajudas prontamente arrecadadas por grupos onde só chega a lei do mais forte, com exclusão das “raças” dos outros.
Vamos também reconhecer a Irlanda do Norte, o País Basco, a Córsega, Chipre Turco, etc. etc.?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Anda qualquer coisa no ar que vai descer à terra.

Pensa o senhor primeiro-ministro e a senhora ministra da Educação que tudo está resolvido nas escolas?
O ministério da Educação continua a meter os pés pelas mãos em relação à avaliação dos professores. Os prazos mudam quando calha, as exigências são cada vez maiores, as tarefas inúmeras.

Trataram e continuam a tratar os professores como serviçais e como incapazes de ler e reflectir, coisas inerentes à profissão. Conseguiram fazer com que a maioria verificasse que tem a carreira bloqueada durante muitos anos e que ninguém ganhasse com este novo estatuto. Aumentaram os horários de trabalho a todos, as burocracias inúteis. Promovem-se agora os que inventam grelhas exaustivas, os portefólios de imensas páginas e separadores, em que os professores têm que estar sempre disponíveis e a dizer Amém, em qualquer dia do ano, seja aos domingos e dias santos, seja de manhã ou à noite, porque as reuniões, as planificações, os planos, os planos que hão-de vir, os planos para recuperação dos alunos faltosos, as avaliações extraordinárias e contínuas para estes, o ter que provar tudo, o instilar da culpa pelo abandono e pelos resultados, o mostrar tudo a todos os que vão detractando toda a a actividade docente, o ter que andar a provar tudo o que se faz, o fazer objectivos individuais cada um à sua maneira, a incongruência das medidas ...

Há que preparar aulas e dar aulas, não é? E há que dormir de vez em quando. Não se pode condenar uma classe inteira a tomar xanax até à habituação.

Acho que isto vai rebentar outra vez. E quando se começa um processo, em que quem está encurralado não tem outra saída senão revoltar-se, nunca se sabe onde isto vai acabar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Os professores, as grelhas e a avaliação

Todos os dias recebo grelhas sobre a avaliação dos professores. Já estou um pouco farto! Para quê esta excitação? A ministra e o primeiro-ministro que manda nela já fizeram o essencial em relação aos professores: estabeleceram-se duas carreiras e impediu-se que a maior parte subissem de acordo com o estatuto que tinham e a expectativa de há muitos anos, o que, diga-se de passagem, continua a pôr em causa a boa fé do estado, aumentaram-se os horários, mandou-se gente para o desemprego, reduziram-se os custos.

Agora, o que interessa ao governo são os resultados escolares e a diminuição do abandono. E pouco mais. Ou antes, que as quotas sejam cumpridas, que administrativamente haja uns muito bons e uns raros excelentes, para que só possam progredir uns tantos. De resto, e agora que nos vamos aproximando de eleições, até convém que quase todos tenham a classificação de bom. Fica bem até num estado que gosta de se apresentar como paternalista. Nem conviria a ninguém que houvesse muitas classificações negativas. Portanto, cuidado com as grelhas, que não se arranje lenha para queimar inutilmente ou promover alguns esclarecidos de última hora.
Por isso, custa a perceber-se porque é que em algumas escolas se anda num tremendo afã em relação a objectivos e grelhas. Há mais que fazer, há que dar aulas, ler uns livros, fazer reuniões curtas e eficazes e deixar as burocracias para quem as inventou, baixar a velocidade em relação a tarefas inúteis e perguntar aos burocratas e aos seguidistas o porquê das coisas. Até porque no regime democrático quem manda é também obrigado a responder e a explicar.

E… já agora. Que não se vote nestes nem à direita. Há sempre alternativas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Conceição de Tavira




Conceição de Tavira.
Um outro Algarve bem perto da praia. Portal manuelino.
A ordem de Santiago de Espada bem presente.

Curso de bibliotecas escolares

Este fim de semana comecei um curso sobre bibliotecas escolares na ESE de Beja, que vai durar dois semestres. Não me dá para subir na carreira pois não há degrau para subir, mas sempre se aprendem uma coisas.
O programa e o ambiente parecem-me interessantes. As sessões são presenciais e a maioria pela plataforma moodle.

Votar à esquerda ou à direita. Votar à direita porquê?

Tenho recebido constantemente umas mensagens em que se apela aos professores para não votarem no PS e votarem à direita ou à esquerda (as razões são um rol conhecido que só pode envergonhar quem tomou as medidas e que despreza e educação).

Como sempre, convém ver o significado das palavras, o contexto e a história destas. O PS, o PSD, o CDS, o PCP, o Bloco de Esquerda já não são o mesmo que há uns anos. O PS, o PSD, o CDS falavam em “socialismo democrático” (sim, o CDS também) em 1975. O PS quando foi fundado, até era um pouco revolucionário. O homem que “meteu o socialismo na gaveta”, Mário Soares, hoje está mais à esquerda do PS e até diz que a NATO não tem sentido. O PC também mudou e o Bloco de Esquerda acabou com a linguagem maoísta e/ou trotsquista, dedicando-se a causas concretas, sem pretensão de mudar o mundo de uma vez (já ninguém pensa nisso e o PC também não).

A direita está na prática do neo-liberalismo, envolvendo partidos social-democratas (internacionalmente social-democracia pode ter outro significado). Mas mesmo esta ideologia neo-liberal recua ou deixa de ser coerente com a ideia que o mercado e Deus (o que é o mesmo, “in God We Trust”, dizem as notas do dólar norte-americano) resolve tudo, e que os que perdem, a culpa é deles porque não foram eleitos para ganharem o Céu . Nos EUA nacionalizam-se bancos, mesmo que se critique e que se tentem golpes de estado na Venezuela e Bolívia.
Mas votar à direita porquê? A direita tradicional em Portugal (falo do regime até 1974 e dos seus saudosistas), conseguiu que Portugal fosse o país da Europa com mais analfabetos, com menos pessoas com o ensino secundário e por aí adiante. Os professores(as) do ensino primário estavam sujeitos a inspecções constantes e os do ensino secundário, a maioria nem ganhava as férias, estavam sempre à disposição da autoridade do reitor nomeado. Hoje estudam cerca de 20 vezes mais pessoas que em 1973.

A outra direita (sem rumo ou travestida) já esteve, e continuamente, no poder. Também nos deixou o deficit e as despesas, sabe-se lá aonde, também fugiu para as festas e para Bruxelas.
E, é bom que a memória não seja curta, também congelou os salários e bate palmas em relação a muitas medidas que levam a que o investimento na Educação seja menor, mesmo com todas as reduções salariais (os congelamentos forçados) e o aumento do horário de trabalho dos professores (até ao absurdo das tarefas burocraticamente exigidas).

Portanto, votar à direita não. Até porque nem sabemos o que é que eles querem.