segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Senhora de Aires. Viana do Alentejo




Imagens da Senhora de Aires.
A romaria é bastante antiga, ligada aos caminhos da transumância.
No tempo de D. João V reformou-se a igreja. É o barroco no seu esplendor.
No interior o baldaquino faz lembrar, em menor escala, o da catedral de S. Pedro, em Roma.


Sísifo e o absurdo

Sísifo de Ticiano

Sísifo foi condenado a empurrar uma pedra até ao cimo da montanha. Quando estava perto, a pedra rolava e ele tinha que voltar a fazer sempre o mesmo.

Segundo Camus o absurdo exige revolta.

domingo, 26 de outubro de 2008

Cresce o número de escolas a contestar este modelo de avaliação


Recebi uma lista de escolas que já aprovaram moções ou tomaram atitudes colectivas a contestar este modelo e este processo de avaliação. São elas:


Agrupamento de Escolas de Alvide (Cascais), Escola Secundária de Montemor-o-Novo, Escola Secundária D.Manuel Martins (Setúbal), Escola Secundária do Monte da Caparica, Agrupamento de Escolas de Maceira, Agrupamento de Escolas D. Carlos I,Escola Secundária/3 Raínha Santa Isabel, Estremoz, Agrupamento de Escolas José Maria dos Santos, Pinhal, Novo Escola Secundária/3 de Barcelinhos, Escola Secundária Augusto Gomes Matosinhos, Agrupamento de Escolas de Ovar, Escola de Eugénio de Castro (Coimbra), Escola Secundária D.João II (Setúbal), Professores de Chaves, Agrupamento de Ourique, Agrupamento de Escolas de Aradas (Aveiro), Escola Secundária Jaime Magalhães Lima (Aveiro), Agrupamento de Armação de Pêra, Escola Alice Gouveia (Coimbra), Escola Secundária da Amadora, Agrupamento Vertical Clara de Resende (Porto), Escola de Arraiolos, Escola Secundária Dr. Júlio Martins (Chaves), Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares, Agrupamento de Escolas de Vouzela, Agrupamento de Escolas do Forte da Casa, Escola Secundária Camilo Castelo Branco (Vila Real), Escola Secundária da Amora, Escola EB 2,3 Dr. Rui Grácio, Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão, Escola Manuel da Fonseca de Santiago do Cacém, Escola Martins de Freitas –Coimbra (pedido de suspensão deste modelo de avaliação), Processo de avaliação parado na Ferreira Dias (Cacém), Agrupamento de escolas de Oliveirinha.


E, ou me engano muito, a tendência vai ser para aumentar em progressão geométrica.

É tempo de a ministra pensar um pouco nisto.

Mas afinal o que é que queria? Queria provar que isto é um povo de gente submissa que aceita tudo?

Todo este afogamento em papéis e reuniões, perda de direitos, bloqueio de carreiras, tentativas de impôr o silêncio, desnorteamento, estava no programa de governo?


O que é querem?

Primeiro bloqueiam a carreira da maior parte. Depois põem as pessoas como Tântalo cheio de sede e fome, rodeado de água e frutos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A revolta do quotidiano

Há pouco decidi fazer outra coisa: Voltar a outro quotidiano e não andar sempre a pensar em papéis e no que os outros decidem:
Vou ler mais um capítulo do livro de Hannah Arendt: As origens do totalitarismo.

A literacia. "Para além da Branca de Neve"

Dia 23 de Outubro, em Évora:
II Seminário FORBEV – “PARA ALÉM DA BRANCA DE NEVE: Literacia(s) e aprendizagem na biblioteca escolar”
ver em http://www.evora.net/bpe/inicial5.htm

O tema é fundamental por duas razões essenciais:

- A primeira, e mais importante, é a necessidade de ler, de analisar, sintetizar, produzir novos textos, dar um passo mais além, espantar-se com as coisas que se lêem, mudar o rumo.

- A segunda, é que não basta ler "estórias"; há que interpretar o mundo, compreender os problemas das ciências, excitar a curiosidade sobre tudo.

Lá estaremos.


PS. Ainda há uma terceira, a longo prazo. Se o pessoal começar a ler, a reflectir ... há muito mais probabilidades de termos ministros, primeiros-ministros, deputados, empresários ... que sejam um pouco melhores do que esta gente que manda arrogantemente em nós.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A ilusão da Internet

Prefiro não ser optimista nem pessimista. Mas costumo fazer um exercício para ver as coisas de maneiras diferentes. Nisso, dou razão aos processos da Igreja Católica em relação à causa dos santos (a questão dos resultados não interessa agora). Inventou-se o advogado do diabo, aquele que aponta todos os pecados da pessoa antes da canonização esperada. É preciso tentar ver as coisas por outro ponto de vista.

A difusão, a discussão (menor do que parece) pela internet pode tornar-se uma ilusão. Recebo todos os dias mensagens sobre a situação dos professores, frequentemente repetidas. O que me parece é que se funciona muito em círculos quase fechados. Os que enviam são quase os mesmos que recebem. E, às tantas, funcionam com códigos menos acessíveis a outros.

Sente-se a ilusão que toda a gente está a ouvir.
Duvido!

Há que demonstrar a outros os factos, as razões, utilizar diferentes formas de levar as mensagens, mostrar que os problemas não são só deste grupo específico, mas que interessam a mais gente e que todos, ou quase todos, podem pagar as consequências do irracionalismo.

A internet é um meio, é mais um meio eficaz e fundamental nos nossos dias, mas necessita de ser alargada. Mas também há outros, chamados tradicionais. É preciso que funcione o diálogo, que o problema seja visto como necessário e urgente para todos ou quase.

E é, ou não fosse a educação um dos problemas fundamentais dos nossos dias. Não sou eu que o digo, não são só os discursos dos governos, são a OCDE, a ONU e, diga-se, quem acha que se deve resolver problemas para além da passividade e dos preconceitos.

Novo blogue da Biblioteca da Esc. Sec. Severim de Faria

Texto inicial do blogue http://fariaconversas.blogspot.com/

Finalmente começámos este blogue. Estamos em fase de experiência e queremos sugestões e, sobretudo, participação. Está aberto a todos os membros da comunidade escolar que queiram escrever textos sobre livros, filmes, música … Queremos uma biblioteca viva em que os leitores digam o que pensam sobre esta ou aquela história, sobre um teatro que viram ou de que fizeram parte, um texto seu que gostariam que fosse mais conhecido ou comentado, uma experiência científica que os tenha levado a pensar mudar as coisas, reflexões sobre o mundo ou esta cidade, factos que pensem dever ser divulgados.

O mais importante é construir. Por isso pedimos que escrevam com o vosso próprio estilo, mesmo que achem que outros escrevem melhor. Certamente serão mais apreciados assim, porque se exprimem com autenticidade e com o colorido próprio de cada um. Quem sabe o que poderá sair daqui, que novas vozes se farão ouvir nos próximos tempos?

As regras são mínimas, passam sobretudo pelo respeito pelos outros, pela forma de estar de cada um, no respeito pela diferença de opiniões, pelas normas de convivência em democracia.

Enviem os textos para bibliofaria@gmail.com e verão que após os vossos, outros mais hão-de vir.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Anedotas

Não sou muito dado a contar anedotas mas agora lembrei-me de uma antiga de um presidente do Brasil nos tempos da ditadura.

Dizia ele:
Quando eu cheguei a presidente, o Brasil estava a um passo do abismo. Mas comigo deu um passo em frente.

Goya. Saturno comendo os seus filhos.

Saturno, Cronos, devora os filhos.
É o tempo, mas após estes tempos outros tempos hão-de vir.

Entrevista com a ministra da Educação III

Vários professores referem-se à escola como parques de estacionamento. Muitos criticam as funções que hoje se lhes exigem e não são de natureza pedagógica...

Felizmente, temos muitos professores que reconhecem, aceitam, querem e consideram que estas são formas de valorizar a escola.

E muitos que se queixam das centenas de papéis que têm de preencher.

Os professores e a escola têm autonomia para avaliar os papéis e a carga burocrática. Quais são os papéis dispensáveis? Se a escola considerar que há papéis dispensáveis, os papéis que protegem o professor, que protegem o aluno, que protegem os pais, que adopte procedimentos mais simples.

Comentário: Tem razão. Afinal quem inventou o papel foram os chineses.
Novidade: Afinal os professores apoiam a ministra. A sua fonte de informação deve ser a mesma dos professores com 4 horas.

Entrevista com a ministra da Educação II

Conheço um adolescente de 14 anos, que estuda na Escola Secundária de Palmela. Tem 36 horas lectivas semanais: aulas de Ciências da Natureza, Físico-Química, Educação Física, Educação Visual, Francês, Inglês, Geografia e História, Língua Portuguesa, Matemática, Expressão Plástica, Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica e Introdução às Tecnologias de Informação e Comunicação. Tem aulas todos os dias das 8 às 18 horas, excepto durante duas manhãs. Acha normal que uma criança de 14 anos tenha este horário escolar?

E o que é que retirava?

Não sei. A senhora é que é a ministra da Educação.

Mas o que é que retirava? Retira o Inglês ou as línguas estrangeiras? A Matemática? O Português?

Para não iludirmos a pergunta, o que pretendo saber é se acha adequada esta carga horária para uma criança de 14 anos.

Mas qual é a alternativa? Quais são as práticas internacionais? É retirar? É encolher a escola? E o que é que resta aos alunos se se encolher a escola?

Comentário 1: Não resta nada. A ministra está cá para os salvar e a todos nós. Antes eram todos uns tristes.
Comentário2: O entrevistador que responda às perguntas e que arranje soluções.

Entrevista com a ministra da Educação

Porque é que há uma corrida dos professores à reforma ­ 700 só no próximo mês?

O aumento da idade de reforma e a alteração do estatuto de carreira do docente acarretaram, sobretudo para os professores em fim de carreira, uma mudança. Alguns iam à escola quatro horas por semana. Foi preciso dizer aos professores que as outras horas de trabalho, que o País paga, são precisas nas escolas, que os alunos precisam delas.Imagine um professor que ia oito horas à escola e que, de repente, passa a estar lá 25! Pessoas que acumulavam nos colégios privados, deixaram de poder acumular. Isto é dramático? Do ponto de vista do sistema, não é dramático. Hoje, o País tem milhares de jovens diplomados a querer entrar no sistema de ensino.

Entrevista da ministra da Educação à Visão
in http://aeiou.visao.pt/Actualidade/Portugal/Pages/EntrevistaaMinistradaEducacao.aspx


Comentário: Não há comentários.
A partir de hoje deixo de usar o termo senhora ministra para usar só ministra. Sempre entendi que senhora era alguém que se dava ao respeito, como se dizia antigamente.
O respeito que lhe tenho, por estas e outras graças, é o mesmo que tenho por Manuel Pinho, Mário Lino ou Santana Lopes ou por José Sousa.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Eleições nos Açores

Já tenho aqui demonstrado que nada tenho a ver com a direita, mesmo que ela apareça travestida em partidos da Internacional Socialista.
Mas desta vez quero saudar o meu amigo Paulo Estêvão, eleito pelo PPM como deputado na Ilha do Corvo. É um homem de causas, persistente, capaz de sacrificar carreiras mais fáceis em nome de princípios éticos.
Não é fácil a alguém que vem de Serpa viver na ilha mais longínqua do país, frequentemente isolada pelas intempéries, e conquistar a confiança dos seus habitantes, contra o bipartidarismo instalado que leva normalmente a alianças espúrias. É trabalho de muito tempo, de conquista da das populações, com propostas concretas que revelam autenticidade e coerência de quem está disposto a dar o seu melhor pela Res Publica.

As siglas

Das inúmeras mensagens que tenho recebido sobre a avaliação dos professores, reparei nesta, pelo abuso de siglas que limitam a compreensão pois, na minha opinião, obrigam os incautos a recorrer a vários códigos, até decifrarem totalmente a mensagem ou então "ficam a ver navios". Quase que prefiro a linguagem dos telemóveis que tem a vantagem de se aproximar da oralidade.
Vejamos:

Adivinha-se o simplex para evitar o descalabro:
DGRHE cria equipas de apoio à avaliação. A ministra reunida com as equipas de apoio, no dia 17/10, admite simplificar o processoFoi na sexta-feira passada, dia 17/10. A ministra reuniu, em Lisboa, com duas dezenas de membros das recentemente criadas 'equipas de apoio à avaliação de desempenho'. São 22 professores, quase todos directores ou ex-directores de CFAEs, que integram as equipas de apoio criadas pela DGRHE com a função de darem formação aos PCEs e avaliadores e acompanharem os processos de avaliação de desempenho nos agrupamentos onde houver mais dificuldades ou o processo estiver paralisado. São uma espécie de 'INEM' ...

Na minha modesta opinião haveria que ter mais respeito pelo leitor (português, brasileiro, angolano ... estrangeiro que aprende português, leitores de vários níveis de língua etc.).

domingo, 19 de outubro de 2008

O Latim

O português é uma língua latina. Vários escritores e estudiosos ao longo dos séculos até escreveram que era a mais próxima do latim. O latim foi durante séculos a língua erudita europeia e muitos portugueses a usaram nos seus escritos. Évora, por exemplo teve latinistas consagrados, como André de Resende, até mulheres como Publia Hortensia de Castro e uma universidade em que também se escrevia em latim.
Considerou-se durante muito tempo que aprender latim melhorava a expressão no português e ainda hoje essa ideia não é contestada. Os alemães que têm uma língua germânica também acham que o latim é útil no ensino secundário. E há ainda muitos outros.

Hoje, em nome do curto prazo e do achar que está fora de moda, esquece-se a matriz da língua.
Mas na Finlândia, onde se fala uma língua que nada tem a ver com a herança latina escreve-se e ouve-se rádio em latim.

Dá para ouvir e ler notícia actuais em:
http://www.yleradio1.fi/nuntii/audi/

PS. A Finlândia é dos países com maior desenvolvimento social no mundo, com um sistema educativo dos melhores. Talvez por isso

A chuva e os topónimos

Ontem houve inundações em Sete Rios, Lisboa. Não é a primeira vez e outras virão. Encheram a zona de cimento e impermeabilizaram os solos. Depois a água ou corre por onde costumava ou inunda devido às barreiras artificiais que se foram fazendo em nome de um determinado progresso.
Por vezes, bastava reflectir sobre os topónimos antigos. Até à segunda metade do século XIX as pessoas davam nomes muito concretos às coisas e às ruas. Sete Rios, significa que é uma zona com muita água, com várias linhas de água. Os antigos sabiam disso, alguns no nosso tempo desprezaram.
Mas há muitas mais só em Lisboa: Arroios, são ribeiros (note-se também o plural), Areeiro, está associado a areias dos cursos de água, Alcântara, significa ponte e portanto uma passagem por cima de uma ribeira, que está encanada e rebenta de vez em quando.

As reuniões

Tenho algumas saudades de certas reuniões.

Daquelas reuniões de estudantes, as RGAs, no pós-25 de Abril, que para os que lá não estiveram ou só ouviram falar em terceira mão, foram uma balda ou uma inutilidade.
Há quem nem imagine a organização necessária. Com tanta gente em movimento, tantos projectos, tantas partidos e grupos, tantas discussões, tantas "bocas", era preciso ter regras claras de participação, medir o tempo útil. Nessas reuniões decidia-se tanta coisa!

Outra experiência muito interessante que tive foi na Assembleia Municipal de Arraiolos. A maior parte dos membros tinha a instrução mínima, eleitos ou presidentes das juntas de freguesia. Quando um falava, os outros ouviam sem interrupções. E havia opiniões diferentes, mesmo dentro do mesmo partido. Sabiam (sabem) falar e escutar sem mudar de assunto constantemente.

Hoje participo em reuniões em que há constantes interrupções e, sobretudo, mudanças de assunto que nada têm a ver com a ordem de trabalhos, repetições do que já foi dito, concentração em pormenores sem se discutir o essencial ... enfim, decisões que poderiam ser tomadas numa hora e que se arrastam por horas infinitas.

E já não falo daqueles que nunca lêem os documentos previamente e que depois intervêm constantemente aos bochechos, porque só os lêem aos bocados na hora, sem terem reflectido primeiro ou daqueles que só apresentam os documentos de muitas páginas na própria reunião, obrigando as pessoas a tomarem atenção aos que falam e a lerem apressadamente ao mesmo tempo essas propostas.

Um desgaste!
E quando uma pessoa diz que é preciso respeitar a ordem de trabalhos ainda é considerado como um chato, que certas pessoas têm que se fazer ouvir sempre, mesmo que nada acrescentem.

É difícil fazer perceber a alguns que os tempos que correm não dão para andar a perder tempo. Ou será que acham que os outros têm que ter um horário de 50 ou 60 horas, ou mais ainda?

O discurso anti-sindical

Há quem diga coisas destas: que os sindicatos são os maiores adversários; que não se deve ser sindicalizado; para quê pagar quotas para eles (será que se entendem por eles, uns indivíduos que nem são professores, que vivem à custa dos outros)? Admiram-se de haver gente sindicalizada e até parece que quem é sindicalizado anda fora da onda, ou até é está contra a corrente.

Há quem agradeça. Não só a ministra, mas quem foi a favor do novo código de trabalho, quem não quer parceiros para discutir problemas concretos, quem está a favor da desregulamentação total, dos contratos individuais sem negociação colectiva. Por que não havendo sindicatos, o que é que há? E o que é que existe de permanente, para o dia a dia?

Creio que em muitos casos este discurso resulta da emoção do momento. Compreendo-o, mas há que reflectir.
Mas o sindicato já deveria ter ouvido as pessoas. Já se deveria ter actuado. E o não actuar leva à descrença. Os motivos são demasiado fortes para algum silêncio que tem existido. Já quase ninguém aguenta um Setembro e um Outubro como estes.

Aborrece-me este discurso sobre os sindicatos, em geral. Para já não são todos iguais nem têm a mesma representatividade. No caso dos professores há a FENPROF e a FNE, que têm dezenas de milhares de sócios, e um sem número de organizações que de sindicato apenas têm o nome. Alguns até serviram para umas borlas, isto é para indivíduos terem dispensa de serviço a meio tempo ou a tempo inteiro, embora não representassem ninguém. Eram úteis para o poder porque assinavam como sindicatos, embora não tivessem qualquer poder real.

Esquecem-se alguns que a luta pela existência e até legalização de sindicatos é centenária e que muita gente pagou por isso. O campo de concentração do Tarrafal foi criado com sindicalistas da greve geral de 1934 e marinheiros que se revoltaram. Já antes outros tinham ido parar a Timor e outras colónias. Mesmo depois, muita gente foi despedida, perderam direitos, foram presos etc. Não se conseguiria uma manifestação de 100000 professores se não houvesse organização e lutas anteriores. Aliás, para quem tenha alguma experiência em relação a movimentos de massas sabe que é muito fácil infiltrarem-se movimentos provocatórios que levam à excitação, desorganização e intervenção da polícia. Quem viveu o período pós-25 de Abril sabe o cuidado que se tinha nessas manifestações porque facilmente a extrema-direita ou certa extrema-esquerda (o MRPP, muitos deles hoje no poder), poderia manipular grupos mais ou menos espontâneos .

Faço algumas perguntas legítimas (não me venham dizer que sou do contra e não as posso fazer): quem convocou uma manifestação para dia 15? Quem representa essa organização (quantos associados)? Como se transportam dezenas de milhares de pessoas? Como vai ser organizada a manifestação? O que se propõe?E que legitimidade têm alguns para acharem que ninguém deve ligar aos sindicatos? Discutiram o estatuto antes de ele ser aprovado? Fizeram greves e manifestações nessa altura? Foram àquelas manifestações com cinco mil professores, a outras com dez mil ou só foram à última? E depois o que fizeram?

Eu, por mim, tenho críticas a fazer em relação a sindicatos (a um, porque há outros que nada têm a ver comigo). Mas sou sindicalizado. É lá que tenho que estar. Parto do princípio que os sindicatos não são os outros: somos nós. E nós é que temos o direito e o dever de os fazer representar-nos. E estas coisas não podem ser por um só dia. Acabar com sindicatos é ficar sujeito a movumentos, embora bem intencionados, que vão e vêm.

Por isso vou a uma manifestação que tenha objectivos definidos. Que seja para vencer e não sair de lá pior ainda. E irei a outras.

O problema é o governo, não são os sindicatos.

Ps. Não estou aqui propriamente para ser simpático e acrescento ainda outras: por que é que alguns votaram no PS? Os militantes do PS não discutiram problemas de educação antes deste governo? Se são militantes e não concordam o que é que lá estão a fazer? Porque não derrubam esta gente?

E os daquele partido que agora tem uma dirigente que lhe dá para estar calada? Até nova demonstração, parece-me que não é porque não saiba falar, visto que até já foi ministra da Educação, mas porque concorda com o que este governo faz.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Delos. A ilha de Apolo




13 de Outubro em Fátima

in Página de Ilustração Portuguesa, 29 de outubro de 1917, mostrando as pessoas a observar o milagre. http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Milagre_do_Sol

Outro país reverenciando o Sol.
Eu prefiro Apolo.

Rodes. Lembranças de tempos em que as culturas coexistiam








Igrejas católicas da Ordem dos Hospitalários, mesquitas com minaretes, igrejas ortodoxas, casas de judeus, muçulmanos e cristãos.
Acima e mais antigo, Apolo, o deus do Sol e da Razão.
Era assim o Mediterrâneo.




Os preconceitos desta pretensa elite que manda

Os que mandam neste país quiseram resolver o deficit com contas de mercearia, salvo os homens das mercearias de esquina ou do largo que fazem um bem público. A questão que puseram foi a de cortar. Cortar em quê? Nos suspeitos do costume da ideologia liberal ou neo-liberal: saúde, educação, reformas … Não acuso só o governo, mas sobretudo, como também esta União Europeia que proclamava há pouco tempo “o menos estado” e que agora nacionaliza bancos que há pouco tempo tinham lucros exorbitantes, agora injectados com dinheiro dos contribuintes - os que pagam todos os deficits.

Mas, para além disso, essa autoproposta elite tem uma desconfiança em relação a quem ensina. Uns, porque acharam que os filhos das criadas não deveriam aprender mais nem ter um lugar superior ao filho do patrão; outros, porque desprezaram sempre os livros, a investigação, até a participação; outros ainda porque acham que são eles os detentores da cultura, o que é uma forma aparentemente sofisticada de reproduzir a ideia que os filhos das criadas não podem pensar e agir. Alguns pensaram até que eram mais modernos que os outros e sentiram-se no direito de achar que todos os outros são estúpidos. Conluiaram-se nesse desprezo e nessa tentação autoritária que tem raízes longas neste país e vá de “bota abaixo em relação aos professores.

Não quiseram avaliar a situação. Eles sabem mais, sabem tudo e vá de resolver tudo drasticamente. Ouviram falar que o professor do filho de um vizinho faltava muito, conhecem uma antiga colega de faculdade que tinha menos horas, deram aulas um ano e faltavam muito, pensando que todos eram também assim oportunistas, foram um dia a uma reunião de pais e o professor não resolveu uma qualquer situação, leram apressadamente umas estatísticas desactualizadas e está feita a opinião.

Nunca terão pensado que um professor precisa de ler, que precisa também de tempo para preparar aulas diferentes que ponham os alunos a pensar e a investigar um pouco. Não quiseram saber de quem estava na profissão a fazer de conta. Quiseram obrigar todos a serem investigados até ao pormenor, quiseram controlar tudo.

Estão a secar a fonte.
Querem secar a fonte!

O que se passa actualmente nas escolas é kafkiano, um arremedo de surrealismo ( que era uma arte libertária), um desgaste e uma inutilidade permanente. Para quê?

É preciso avaliar ou antes culpabilizar, intimidar quotidianamente, a partir de modelos pré-formatados? Coscuvilhar tudo? Em que é que isto melhora?

Querem comparar-nos com outros estados da União Europeia? Pois bem, nada se passa assim, nem por sombras, e também têm os seus defeitos. Talvez porque não tiveram esses hábitos de uma Inquisição de 300 anos, esses hábitos pidescos de 48 anos, essa tentação de mandar até à intimidade.

Eu não quero mudar de país. O que gostaria é que essa gentinha que manda fosse fazer um estágio a qualquer lado (mesmo que nós pagássemos, o que já estamos habituados) e começasse, o que não é fácil para eles, a pensar um pouco racionalmente.

Estes são os herdeiros daqueles que nos deixaram a miséria social e intelectual salazarista. Mesmo travestidos de modernos e eficazes (?) e com viagens às Caraíbas, ao Quénia e a outras partes, onde os empregados lhes servem as bebidas e os pobres que cheiram mal ficam higienicamente fora de vistas.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O sentido de oportunidade


Imagens do museu de Faro
Quando estava em discussão formal o novo estatuto dos professores havia muita gente que tinha mais que fazer. Estava preto no branco que iriam existir duas carreiras e a maior parte ficaria impedido de chegar ao topo. Outros muitos direitos foram perdidos.
As primeiras greves contra o estatuto tiveram uma adesão relativa. Fizeram-se manifestações, primeiro com 5000, depois 10000. Só depois de o caldo estar totalmente entornado vieram 100000, recorde único na Europa. Depois muitos contentaram-se com um memorando de acordo.
Agora, os professores não sabem o que fazer à vida. Reuniões atrás de reuniões, reuniões sem sentido e sem controle do tempo.
Afinal há quem goste de fazer grelhas. Há quem goste de reuniões de 5 horas e mais outras tantas para não decidir quase nada. Há quem goste de convocar reuniões de protesto e desconvocá-las à última hora sem explicações.
Será que não dá para ver que já quase ninguém aguenta este ambiente e que é hora de agir em conjunto, depois de tanto tempo perdido?
Ou de lamuriar?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Reuniões em escolas

Amanhã vai realizar-se uma reunião geral na Escola Secundária Severim de Faria para discutir os problemas de avaliação de professores. Como outras noutras escolas e em muitas que hão-de vir.

Os professores não sabem para onde se virar. Reuniões e mais reuniões, preenchimento de múltiplos documentos, pressões enormes para acabar com o insucesso educativo de forma administrativa, desorientação geral sobre critérios, com demissão e pressão do ministério, modelos unidimensionais, castração da criatividade em relação ao essencial, submissão ao autoritarismo desnorteado...

Irresponsabilidade de um governo que está seriamente a comprometer o futuro da educação, a corromper o seu próprio programa e ideologia (qual será?).

A independência do Kosovo

Não é um precedente mas é grave.
Na mitologia sérvia o Kosovo é o berço da nação. As limpezas étnicas são antigas: existiram com a Grande Guerra e a 2ª Guerra Mundial. Tito, em nome da união jugoslava preferiu que os sérvios expulsos não regressassem.
Recentemente o problema enquadra-se na desintegração da Jugoslávia, imediatamente apoiada por alguns países europeus, entre os quais a Alemanha que assim vai reconstituindo o seu domínio, agora económico.
Há uns anos fomos bombardeados pelas valas comuns de milhões de kosovares. Nem o Kosovo tem tantos milhões de habitantes nem apareceram essas supostas provas. Bombardearam-nos a seguir que também com os judeus tinha acontecido o mesmo na Alemanha nazi. Como se fosse tudo o mesmo, como se o facto de outros não terem acreditado perante evidências, justificasse a obrigação de acreditarmos no que as agências hoje dizem.
O facto é que houve limpezas étnicas e transferências de populações. Hoje há muito menos sérvios do que havia e tem havido colonizações de albaneses vindos da Albânia. Tolerou-se e promoveu-se a actuação de um partido nacionalista e fascista como o UÇK. Diz-se que a Albânia é hoje um estado falhado dominado por máfias. O Kosovo é terreno ainda mais propício.
É isto que Portugal reconhece agora também. Contra as decisões das Nações Unidas reconhece-se um estado que só sobrevive com ajudas prontamente arrecadadas por grupos onde só chega a lei do mais forte, com exclusão das “raças” dos outros.
Vamos também reconhecer a Irlanda do Norte, o País Basco, a Córsega, Chipre Turco, etc. etc.?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Anda qualquer coisa no ar que vai descer à terra.

Pensa o senhor primeiro-ministro e a senhora ministra da Educação que tudo está resolvido nas escolas?
O ministério da Educação continua a meter os pés pelas mãos em relação à avaliação dos professores. Os prazos mudam quando calha, as exigências são cada vez maiores, as tarefas inúmeras.

Trataram e continuam a tratar os professores como serviçais e como incapazes de ler e reflectir, coisas inerentes à profissão. Conseguiram fazer com que a maioria verificasse que tem a carreira bloqueada durante muitos anos e que ninguém ganhasse com este novo estatuto. Aumentaram os horários de trabalho a todos, as burocracias inúteis. Promovem-se agora os que inventam grelhas exaustivas, os portefólios de imensas páginas e separadores, em que os professores têm que estar sempre disponíveis e a dizer Amém, em qualquer dia do ano, seja aos domingos e dias santos, seja de manhã ou à noite, porque as reuniões, as planificações, os planos, os planos que hão-de vir, os planos para recuperação dos alunos faltosos, as avaliações extraordinárias e contínuas para estes, o ter que provar tudo, o instilar da culpa pelo abandono e pelos resultados, o mostrar tudo a todos os que vão detractando toda a a actividade docente, o ter que andar a provar tudo o que se faz, o fazer objectivos individuais cada um à sua maneira, a incongruência das medidas ...

Há que preparar aulas e dar aulas, não é? E há que dormir de vez em quando. Não se pode condenar uma classe inteira a tomar xanax até à habituação.

Acho que isto vai rebentar outra vez. E quando se começa um processo, em que quem está encurralado não tem outra saída senão revoltar-se, nunca se sabe onde isto vai acabar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Os professores, as grelhas e a avaliação

Todos os dias recebo grelhas sobre a avaliação dos professores. Já estou um pouco farto! Para quê esta excitação? A ministra e o primeiro-ministro que manda nela já fizeram o essencial em relação aos professores: estabeleceram-se duas carreiras e impediu-se que a maior parte subissem de acordo com o estatuto que tinham e a expectativa de há muitos anos, o que, diga-se de passagem, continua a pôr em causa a boa fé do estado, aumentaram-se os horários, mandou-se gente para o desemprego, reduziram-se os custos.

Agora, o que interessa ao governo são os resultados escolares e a diminuição do abandono. E pouco mais. Ou antes, que as quotas sejam cumpridas, que administrativamente haja uns muito bons e uns raros excelentes, para que só possam progredir uns tantos. De resto, e agora que nos vamos aproximando de eleições, até convém que quase todos tenham a classificação de bom. Fica bem até num estado que gosta de se apresentar como paternalista. Nem conviria a ninguém que houvesse muitas classificações negativas. Portanto, cuidado com as grelhas, que não se arranje lenha para queimar inutilmente ou promover alguns esclarecidos de última hora.
Por isso, custa a perceber-se porque é que em algumas escolas se anda num tremendo afã em relação a objectivos e grelhas. Há mais que fazer, há que dar aulas, ler uns livros, fazer reuniões curtas e eficazes e deixar as burocracias para quem as inventou, baixar a velocidade em relação a tarefas inúteis e perguntar aos burocratas e aos seguidistas o porquê das coisas. Até porque no regime democrático quem manda é também obrigado a responder e a explicar.

E… já agora. Que não se vote nestes nem à direita. Há sempre alternativas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Conceição de Tavira




Conceição de Tavira.
Um outro Algarve bem perto da praia. Portal manuelino.
A ordem de Santiago de Espada bem presente.

Curso de bibliotecas escolares

Este fim de semana comecei um curso sobre bibliotecas escolares na ESE de Beja, que vai durar dois semestres. Não me dá para subir na carreira pois não há degrau para subir, mas sempre se aprendem uma coisas.
O programa e o ambiente parecem-me interessantes. As sessões são presenciais e a maioria pela plataforma moodle.

Votar à esquerda ou à direita. Votar à direita porquê?

Tenho recebido constantemente umas mensagens em que se apela aos professores para não votarem no PS e votarem à direita ou à esquerda (as razões são um rol conhecido que só pode envergonhar quem tomou as medidas e que despreza e educação).

Como sempre, convém ver o significado das palavras, o contexto e a história destas. O PS, o PSD, o CDS, o PCP, o Bloco de Esquerda já não são o mesmo que há uns anos. O PS, o PSD, o CDS falavam em “socialismo democrático” (sim, o CDS também) em 1975. O PS quando foi fundado, até era um pouco revolucionário. O homem que “meteu o socialismo na gaveta”, Mário Soares, hoje está mais à esquerda do PS e até diz que a NATO não tem sentido. O PC também mudou e o Bloco de Esquerda acabou com a linguagem maoísta e/ou trotsquista, dedicando-se a causas concretas, sem pretensão de mudar o mundo de uma vez (já ninguém pensa nisso e o PC também não).

A direita está na prática do neo-liberalismo, envolvendo partidos social-democratas (internacionalmente social-democracia pode ter outro significado). Mas mesmo esta ideologia neo-liberal recua ou deixa de ser coerente com a ideia que o mercado e Deus (o que é o mesmo, “in God We Trust”, dizem as notas do dólar norte-americano) resolve tudo, e que os que perdem, a culpa é deles porque não foram eleitos para ganharem o Céu . Nos EUA nacionalizam-se bancos, mesmo que se critique e que se tentem golpes de estado na Venezuela e Bolívia.
Mas votar à direita porquê? A direita tradicional em Portugal (falo do regime até 1974 e dos seus saudosistas), conseguiu que Portugal fosse o país da Europa com mais analfabetos, com menos pessoas com o ensino secundário e por aí adiante. Os professores(as) do ensino primário estavam sujeitos a inspecções constantes e os do ensino secundário, a maioria nem ganhava as férias, estavam sempre à disposição da autoridade do reitor nomeado. Hoje estudam cerca de 20 vezes mais pessoas que em 1973.

A outra direita (sem rumo ou travestida) já esteve, e continuamente, no poder. Também nos deixou o deficit e as despesas, sabe-se lá aonde, também fugiu para as festas e para Bruxelas.
E, é bom que a memória não seja curta, também congelou os salários e bate palmas em relação a muitas medidas que levam a que o investimento na Educação seja menor, mesmo com todas as reduções salariais (os congelamentos forçados) e o aumento do horário de trabalho dos professores (até ao absurdo das tarefas burocraticamente exigidas).

Portanto, votar à direita não. Até porque nem sabemos o que é que eles querem.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Constituição. Em vigor

Constituição da República Portuguesa
PARTE I - Direitos e deveres fundamentais
TÍTULO II - Direitos, liberdades e garantias
CAPÍTULO IIIDireitos, liberdades e garantias dos trabalhadores

Artigo 53.º(Segurança no emprego)
É garantida aos trabalhadores a segurança no emprego, sendo proibidos os despedimentos sem justa causa ou por motivos políticos ou ideológicos.

Código de Trabalho

Amanhã vai ser votado o Código de Trabalho que afecta simplesmente a maioria da população portuguesa.
Vamos ver quem são os responsáveis pela liberalização dos despedimentos e precariedade.
Abster, como parece que vai também fazer o PSD, é o mesmo que votar a favor.
Pode haver surpresas, mesmo no partido do governo. Perdoem-me a expressão, mas o que está na Constituição é o contrário: o governo só existe porque há deputados e cada deputado é responsável individualmente; foi eleito pelos eleitores e não pelo partido. O governo é que é fiscalizado pela Assembleia da República e não o contrário.
Vamos ver quem é que tomou posição e quem foi o seguidista. Porque os efeitos vão sentir-se no dia a dia e por muito tempo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Mistificações e "jornalismo".

Fui alertado pelo meu amigo Fernando Évora em relação a a alguns dados divulgados na Visão no suplemento intitulado “O Estado da Educação”, publicado como parte integrante da edição n.º 707 dessa revista, em 21 de Setembro de 2006.

Cita-se:
« número de horas exigido aos professores, nas escolas [portuguesas], é substancialmente inferior ao de outros países.
A um professor, em Portugal, no secundário, é exigido que passe cerca de 590 horas
por ano na escola, enquanto a um seu colega sueco se exige um total anual de 1360
horas. Aberrante?».

A informação ter-se-à baseado nas estatísticas da OCDE, Education at a Glance 2006
A publicação actual, Education at a Glance 2008, já aqui referida, indica como horas de trabalho na escola, 1360 para a Suécia e 1260 para Portugal, sendo que, em Portugal, no 1º ciclo corresponde a 860 horas lectivas (média da OCDE 812) e no ensino secundário 664 (média da OCDE 664). Para a Suécia não há actualmente este indicador mas, no mesmo quadro, é referido que, em ano anterior, é de 624, no 1º ciclo e 528 no ensino secundário; menos que em Portugal).

Portanto, há aqui uma mistificação deliberada: Os professores portugueses não passaram em dois anos de 590 horas para 1260. E, na Suécia, os dados dizem que não aumentaram as horas de trabalho, sendo que têm menos horas lectivas.

Essa mistificação passou, ao comparar coisas que até não são comparáveis. E não foi desmentida por uma revista que acha que é credível. E essa revista poderia ter simplesmente consultado a legislação portuguesa e informar-se junto das escolas. Mas é mais fácil propagandear preconceitos e mandar os métodos de investigação e a deontologia dar uma volta.

Mas põe-se ainda outra questão muito séria. Porque é que a OCDE tem, alegadamente, esta disparidade de dados, de 2006 para 2008? É certo que aparece um aumento de 1,2 (no que respeita ao ensino secundário, mas em relação às horas lectivas). Mas passar de 590 horas para 1260?

Só há uma explicação. Quem fornece os dados à OCDE é o governo português. Em 2006 incompetente ou deliberadamente misturou as horas lectivas com o trabalho total (que nem sequer é esse que agora se apresenta).
E com isto se fez política. Não! Propaganda com os "suspeitos do costume".

Haja Visão!!
Certamente pagaremos a factura.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Salários dos professores. Por hora lectiva com 15 anos de serviço.

Clicar na imagem. A tabela foi ordenada por ordem descendente no ensino secundário. Há países que não apresentam dados, como a Inglaterra, a Suíça ou o Japão.
Fonte: Table D3.1. (continued) Teachers' salaries (2006), Education at a Glance, OECD, 2008


Remuneração por hora lectiva com 15 anos de serviço.
A comparação mais legítima, parece-me que é a dos professores com 15 anos de serviço. Por um lado, porque quase não há professores no início de carreira (e aí os salários portugueses são muito baixos) e, por outro, com a divisão da carreira entre professores e professores titulares, a maioria não pode chegar ao último escalão da carreira, embora seja esse dado que o governo gosta de apresentar.
Os professores portugueses estão muito abaixo da média da União Europeia e da OCDE.

Comentário: há muitos jornalistas e comentadores que precisam de consultar estes dados.

sábado, 13 de setembro de 2008

O trabalho dos professores. Dados da OCDE




Clicar para aumentar as imagens.
Os professores portugueses leccionam mais horas que a média dos professores da União Europeia. De 1996 para 2006 aumentou o número de horas entre 10% (1º ciclo) e 20%, ao contrário de outros países.
Num ranking de 31 países os professores portugueses estão em 11º lugar.
Evidentemente não se contam aqui as inúmeras reuniões e burocracias que têm aumentado exponencialmente em Portugal nos últimos anos.

Educação. Dados da OCDE




Portugal (clicar para aumentar as imagens) é o país que tem menos adultos com o ensino secundário, a par da Turquia.
O investimento por estudante coloca-nos num "ranking" de 33 países em 22º.
Para recuperar o tempo perdido teria que se investir muito mais.
Há também factores que raramente são tidos em conta, como o preço dos equipamentos e construções. Não está provado (frequentemente é até o contrário) que o custo dos edifícios, computadores ou livros seja mais barato em Portugal que noutros países.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

As invasões francesas e a opressão local

Há uns anos estava a fazer um estudo sobre o poder local em Arraiolos e deparei com umas actas de 1807 e 1808, com umas requisições e obrigações, escritas em português, emanadas de um general e nobre português, mas em nome de "Sua Magestade Imperial e Rey de Italia". Tratava-se simplesmente de Napoleão e de tropas portuguesas às suas ordens, aliás com a anuência da regência (de D. João), que já vivia no Rio de Janeiro. Essas tropas portuguesas (uma parte do exército foi dissolvido), combateram, como Legião Portuguesa, em toda a Europa e até na campanha da Rússia. Alguns quando voltaram a Portugal eram sistematicamente suspeitos ( e quantos não foram enforcados), apesar de quase toda a gente ter sido obrigada, até pela coroa portuguesa, a obedecer aos franceses.
Para a época, o exército francês era o mais bem organizado e o mais rápido nas suas movimentações. Mas esta rapidez fazia-se à custa das populações locais que ficavam sem nada. Foi essa força que os russos transformaram em fraqueza ao incendiarem os seus campos agrícolas e até a sua capital, deixando os franceses à fome e frio.
Segue parte do texto; em itálico extractos de actas da Câmara de Arraiolos, com grafia actualizada:

As autoridades portuguesas começam por colaborar com os invasores em 1807, aliás por ordem do príncipe regente, mas estes, apesar de se assumirem como protectores, em breve começam a fazer requisições, aquartelamentos de tropas (francesas e também espanholas), impostos extraordinários...

Por ordem do Marquês de Alorna, futuro comandante da Legião Portuguesa, a Câmara de Arraiolos executa as suas determinações :

[...] em cumprimento das Ordens de Exmº Snr. Marquês de Alorna, Tenente General, que Governa as Armas desta Província; ... se nomeassem doze Cabos, a cada um dos quais fosse encarregado apresentar uma carreta com dois bois que pudesse carregar vinte e cinco arrobas ... E do mesmo modo se nomeará três homens para apresentar as três bestas maiores que se pudesse, devendo-se estas avaliar no dia vinte e cinco, porque no dia vinte e oito pela manhã se devem entregar na Vila de Estremoz.

Seguir-se-ão outras requisições ainda mais pesadas. Em 2 de Dezembro de 1807 a Vereação de Arraiolos vê-se obrigada a apoiar o exército invasor: “E logo se determinou que dêm todas as providencias para o bom agasalho das tropas do Imperador dos Franceses, e Rei de Itália e do Rei de Espanha que por esta terra transitem ...”

Além das requisições o exército francês impõe contribuições extraordinárias:

Nesta elegeram para comissários para Colectarem uma Contribuição extraordinária de guerra deitada [?] por ordem Imperial à Comarca da Cidade de Évora de Vinte e oito Contos de Réis para se destribuirem pelas terras agregadas à dita Comarca"

Chumbo Tecnológico

Recebi do meu primo Zé este texto que demostra a falta de respeito pelos cidadãos ao abrigo de pretextos tecnológicos, com exclusão de regras elementares de cidadania e até de bom senso

REGRESSO ÀS AULAS
(carta pública com conhecimento às entidades implicadas)
Fala-se por todo o lado do regresso às aulas e da diminuição do número de “chumbos” nos exames de Matemática, no ano lectivo anterior.
Eu, este ano, não vou regressar às aulas; “chumbei” no concurso para a contratação de professores para o ano lectivo de 2008/09.
Não! Não foi por motivo de avaliação; essa afinal não interveio na classificação dos professores contratados.
Tenho andado a contactar colegas de anos anteriores, a saber se e onde foram colocadas(os). Simultaneamente tenho vindo a ser contactado por outros(as) colegas e amigas(os) que não sabiam do meu caso e que ficaram boquiabertos com o sucedido.
Efectivamente, fui excluído, logo no início do concurso, em Abril, por regras protectoras de um programa informático medíocre e indiciadoras de desprezo e intolerância face ao erro, ainda que acidental.
Qualquer programa informático de comunicação de dados ou de preenchimento de formulários, tal como as declarações de impostos do Ministério das Finanças, (supostamente mais “frio” e insensível que o Ministério da Educação), alerta para incompatibilidades quer de valores, quer de dados (somas, percentagens mal calculadas, códigos postais ou números de identificação fiscal errados) e não aceita a submissão dos dados sem que se proceda à correcção da incoerência em causa. Se porventura algum erro subsistir, que não advenha da incompatibilidade dos dados introduzidos, é ainda possível de ser corrigido junto de uma Repartição de Finanças, ou obter resposta a uma exposição escrita.
Ao preencher o formulário de candidatura à contratação de professores e ao fazer uma releitura para verificação dos dados, o mecanismo de rotação do rato terá desviado (sem que me tenha apercebido) o código do grupo de docência a que me candidatava e que já tinha seleccionado, para um outro, para o qual não tenho habilitação profissional.
O programa não detectou a incompatibilidade entre os códigos (430 da habilitação – Economia – com o 400 – História - do grupo de docência a que, por erro acidental, estava a candidatar-me). Este tipo de erro ou engano, entre alguns outros, exclui do concurso os candidatos “infractores”, sem qualquer hipótese de recurso, para comodidade ou comodismo da instituição (Direcção Geral de Recursos Humanos de Educação).
Já um erro ou a hipótese de um engano, voluntário ou não, na introdução do tempo de serviço, a favor do candidato, por exemplo, se for detectado (porque pode não sê-lo), é passível de correcção na fase seguinte do concurso. Caso o engano, por qualquer motivo, não seja detectado no processo de validação, o candidato passará à frente de outros colegas mais graduados.
Nos exames nacionais ou de escola, dos alunos, se na resposta a uma questão o resultado final for incoerente com o raciocínio exposto, a resposta não é anulada. Também uma classificação inferior à esperada tem direito a recurso e a resposta.
Acontece que até à data não recebi resposta à exposição/requerimento enviada ao Director Geral dos Recursos Humanos de Educação, em carta registada com aviso de recepção, logo que fui informado da minha exclusão, pelo estabelecimento de ensino em que prestava serviço, em finais de Abril do corrente ano.
Poderiam argumentar que o Aviso de Abertura do Concurso explicitava os erros que implicavam a exclusão do candidato. Mas é isso mesmo que está mal; não é admissível, com tanta tecnologia disponível, permitir que tal debilidade do programa facilite o comodismo da instituição em prejuízo dos utentes.

Miratejo, 11 de Setembro de 2008
José Baeta Oliveira
Professor Profissionalizado

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Tavira. Telhados de tesouro


Telhados de tesouro (de quatro águas) em Tavira. Segundo Orlando Ribeiro são de influência indiana (goesa). Estas gentes noutros tempos circulavam por todo o lado. Tinham negócios no Norte de África ( e tal como os de lá também pirateavam), na Índia, no Brasil, andavam na pesca do bacalhau ... Os Corte Real que teriam descoberto a costa do Canadá eram de Tavira.
O rio (?) aqui chama-se Gilão. Mais a montante chamam-lhe Asseca. Numa placa na ponte da via do Infante aparece o nome rio Séqua. Quem ler esse nome pode pensar que é de origem latina. Simplesmente quem pôs a placa não ligou à população, presumindo talvez que fossem uns ignorantes analfabetos. Ora as pessoas têm razão: asseca, acéquia, é uma palavra de origem árabe que significa curso de água.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A extinção da Química e de outras disciplinas

A Química desapareceu no décimo segundo ano no distrito de Évora. A Física também está quase.
Os alunos que querem tirar cursos de Medicina, Farmácia, algumas engenharias optam por Psicologia ou outras disciplinas, porque o que interessa a curto prazo é a média.
A burocracia impede as opções. Se em cada escola houver apenas alguns alunos a optar por essas disciplinas, não havendo um número mínimo nenhuma escola poderá ter essa opção.

As universidades ou escondem a cabeça na areia ou optam pela facilidade de ter mais alunos (e financiamentos per capita).
É mais fácil dizer que os alunos não aprenderam certos conhecimentos no ensino secundário e "chumbá-los" no primeiro ano, do que exigir, em exames à entrada ou entrevistas estruturadas, que eles tenham certos conhecimentos e competências. E ainda por cima com licenciaturas de 3 anos! Querem competir com Cambridge ou até com certas universidades brasileiras? Esperem sentados!

O Grego desapareceu em quase todo o país, o Latim segue o caminho (qualquer dia temos que ir para a Finlândia para aprender a base das línguas latinas), a Filosofia está a entrar pelas ruas da amargura, "ninguém" quer saber da língua que mais gente fala na Europa comunitária (o alemão); a Literatura Portuguesa reduziu-se às funcionalidades da língua (cantigas de amigo para quê?).
O utilitarismo de curto prazo está na moda.
Salve-se o Plano Tecnológico que vai chegaando e ... a futura geração de dactilógrafos modernos!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sobre a política e religiões nas escolas

Hoje, embora não seja ainda obrigatório, é quase consensual que a escolaridade de um jovem seja o 12º ano, nos cursos científico-humanísticos (que têm em vista o prosseguimento de estudos no ensino superior) ou nos cursos tecnológicos (em extinção) ou ainda nos profissionais.

Um estudante de 12º ano tem 17 ou 18 anos, atinge a maioridade legal no final deste ciclo de estudos ou está prestes a atingi-la. Pode votar e fazer outras coisas. Deve conhecer minimamente a sociedade onde vai poder participar de uma forma ou de outra. E, portanto, deve ter a possibilidade de escolher, mesmo que a sua escolha seja a recusa. O que não deveria acontecer é a situação de não ter conhecimentos nem instrumentos que não lhe dêem a oportunidade de ser cidadão de pleno direito. O Estado tem aí um papel essencial, através do sistema de ensino, não pela inculcação de valores (já passou a moda dos totalitarismos !?), mas pelo permitir e incentivar as pessoas a participar conscientemente.

Por isso, penso que é essencial os jovens conhecerem as ideologias e práticas políticas, actuais e também a sua história, a administração nacional, regional e local, os órgãos de soberania etc.
Já existe uma disciplina de Ciência Política no 12º ano. Mas é opção, tal como Psicologia, Direito, Física ou Química, o que torna difícil optar.

Não creio que fosse muito difícil incluir uma disciplina de Ciência Política ou Introdução à Política ou Educação Cívica, obrigatória no Ensino Secundário. Bastaria uma aula por semana.

O mesmo em relação às religiões. Quer se seja ateu, agnóstico, praticante ou não, não se pode ignorar o fenómeno religioso nem a sua importância na cultura. Também não se pode só deixar as religiões entregues à ignorância ou ao proselitismo. Um jovem deveria ter a possibilidade de conhecer os princípios e práticas religiosas das várias religiões e não apenas de uma única, para que possa compreender este mundo globalizado.

São escolhas possíveis. Com a ignorância apenas ganham a alienação, a indiferença e os fanatismos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Mértola e a memória islâmica



Após a reconquista, Mértola ficou sob o domínio da Ordem de Santiago, constituindo-se numa comenda. Os cavaleiros espatários impuseram o cristianismo romano e esforçaram-se por banir tudo o que fosse diferente da sua religião, nomeadamente da cultura e civilização islâmica.

No entanto, ainda no século XV encontramos em Mértola uma situação quase “escandalosa”, do ponto de vista da Ordem, em relação a práticas religiosas. Na visitação efectuada pela Ordem de Santiago em 1482, constata-se o estado em que se encontrava a Igreja Matriz que, para além da degradação ou ausência de alfaias litúrgicas, estava em parte sem cobertura. Mas, mais interessante, é o facto de os moradores ainda continuarem a rezar voltados para Meca, isto é, o altar mor estava no lugar do mirhab, a que o autor chama alcaram, situação com que o visitador não contemporiza.


12. Item achamos que os altares que aguora estam na dicta igreja, scilicet ho altar moor e onde está ho Sacramento nom estam em boom logar, pollo qual mandamos em virtude d'obidiencia ao comendador moor que mude o dicto altar moor onde estava ho alcaram que hé no meyo das naves da igrreja e hé pera onde nace o ssoll onde per dereito (Fl. 6r) deve d'estar. E o sacrario se porá dentro no oco da torre em cima do altar moor e huum retavolo em cima delle


Parece também que muitos moradores ou não assistiam ao ofício divino ou simplesmente ficavam em "palratórios" do lado de fora da Igreja.


22. Item mandamos ao dito priol ou cura que amoeste todos seus freguesses que aos domingos e festas principaees estêm a todo oficio devino dentro na igreja e nom fora em palrratorios, sô pena d'escomunhom
18. Item lhe mandamos que em cad'huum anno faça confessar e comungar todos seus frreguesses amoestando-os em suas estaçõees e os que comtumazes forem os denuncie e nom dires missa com elles e mandá-los-es em Rol a Dom Priol em cad'huum anno até Pinticoste pera averem correiçom e vos amandar a maneira que nelo tenhaes que seja a serviço de Deus e bem das suas almas .

in João Simas, O Rio e os Homens ... pág. 95

Jesus em Alcoutim











Igreja Matriz de Alcoutim.
Geralmente encontramos Cristo na cruz. Nesta igreja vemos Jesus em várias idades e como Salvador do Mundo.
A igreja é essencialmente de meados do século XVI e tem um número assinalável de imagens e colunas com capitéis variados.
A ordem de Santiago também mandou por aqui.





quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Almeida














Almeida foi uma importantissima praça militar. Fica na raia, num planalto de fácil entrada para quem vem de Espanha (Vilar Formoso, neste concelho, ainda é a principal fronteira). É terra antiga mas as impressionantes construções militares são sobretudo do tempo da Restauração e do século XVIII.
Aguentou as invasões francesas há duzentos anos. Só foi tomada pelo exército francês comandado por Massena porque explodiu o paiol.
Não fossem estas praças militares (como Elvas, Estremoz, Valença e outras) e a tenacidade dos exércitos e povos Portugal teria sido uma província de Espanha ou de França.
Poderão alguns pensar que talvez fosse melhor sermos espanhóis (e somos, no sentido etimológico do termo, não fosse a usurpação da palavra pelos nossos vizinhos). Mas o "Reino de Espanha" (e está por provar se a maioria são monárquicos), é um verdadeiro "saco de gatos", com nacionalistas espanhóis, catalães, bascos, galegos. . .
Não me parece que qualque governo espanhol poderia estar interessado em, ainda por cima, ter portugueses, que já deram sobejas provas ao longo da História, sobre o que poderia ser o pandemónio de uma Península Ibérica unificada.

Dos degredos e degradados




Ordenações Filipinas
Livro V
Titulo CXL

Mandamos que os delinquentes, que por suas culpas houverem de ser degradados para lugares certos, em que hajão de cumprir seus degredos, se degradem para o Brazil, ou para os lugares de Africa, ou para o Couto de Castro Marim, ou para as partes da India [...]


Notas: As Ordenações Filipinas (de Filipe I) foram publicadas nos finais do século XVI e estiveram em vigor até ao início do regime liberal em Portugal, no século XIX. No Brasil continuaram parcialmente em vigor até 1916.

Castro Marim, rodeada de sapais e, portanto, de mosquitos, comunicava com outras povoações pelo rio Guadiana ou, muito dificilmente, por caminhos da serra algarvia infestada de ladrões e outros perigos. Em frente estava Ayamonte e o "perigo espanhol".

Como havia falta de gentes, era couto de homiziados, isto é, davam-se privilégios a condenados noutras terras para aqui habitarem.

Barcos antigos


Barcos antigos em Vila Real de S. António.
Não seria de começar a pensar em fazer um museu das pescas, antes que os barcos apodreçam, que os edifícios das fábricas sejam demolidos, que as máquinas enferrugem ..., que a memória desapareça?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O desporto sem fronteiras


Travessia a nado entre Ayamonte e Vila Real de Santo António, no rio Guadiana, durante a maior maré cheia do ano.
Desportistas de várias idades, sexos e nacionalidades.
Sem televisões nem foguetes nem discussões sobre o sexo dos anjos e desculpas sobre qualquer coisa.
Vê-se também o Peninsular, um dos barcos que ligava as duas margens e que hoje faz viagens de Alcoutim a Tavira com excursões animadas (com sardinhas, febras e música "pimba"). E por que não!?