quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Argumentos
Estranho é que, à falta de argumentos, apareça este: "Há uma diferença entre nós. É que V/ defende os interesse do seu grupo profissional (se não pessoais). Eu não tenho nenhum interesse pessoal nem profissional envolvido na minha posição. E isso faz toda a diferença. O interesse próprio, seja de uma pessoa, seja de 120 000, não dá razão..."
O que é que isto quer dizer? Só por se estar numa determinada profissão todo o argumento está inquinado, deixa de ter validade? Exclui-se à partida o argumento porque determinada pessoa é, à partida, suspeito?
Só os de fora é que podem referir-se ao assunto? Mas se dão opinião vinculada a uma política como é que estão de fora do problema?
Para mim, trata-se apenas de falta de argumentos.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
A opinião de Manuel Alegre
Editorial da Revista Opshttp://www.opiniaosocialista.org/u_numero.htm
Sublinhados nossos
terça-feira, 11 de novembro de 2008
No pasa nada
É estranho, muito estranho que um ex-vereador intermitente de Penamacor, eleito pelo PP e agora arauto da modernidade, vir dizer que foi apenas mais uma manifestação.
É muito estranho não verem nada.
Faz lembrar aquela história do embaixador de Portugal em Espanha que, no dia em que começou a Guerra Civil, enviou um telegrama a dizer que não se passava nada.
Mas se não vêem nada o que é que lá estão a fazer?
Lamentável
Lamentável
Hoje a ministra teria sido objecto de alguns apupos e ovos que sujaram o automóvel ministerial. Logo surgiu o primeiro-ministro a sublinhar que é lamentável.
É. Não se deve atirar ovos a ninguém, nem sequer a representantes de um governo quase falido.
Mas de quem é a culpa? Parece que é de alguns alunos. Certamente têm pais e mães que os educam e que são responsáveis civil e criminalmente por eles. Peça-se responsabilidades aos pais deles ou quando muito à CONFAP, na pessoa do senhor Albino Almeida que se apresenta como pai eterno e universal. Esses é que devem explicar o que aconteceu e não outros.
O ovo representa a vida, é certamente um desperdício atirar ovos a quem já nada tem a fazer na vida política.
Gostaria que o primeiro-ministro também achasse lamentável certas declarações e situações de ministros como Pinho, Lino e outros. Mas para quê exigir tanto em fim de estação?
Há coisas mais importantes. E não menos importante é o dia a dia.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
O dia 24 de Agosto e a Liberdade
Já temos uma Pátria, que nos havia roubado o despotismo: a timidez [,] a covardia, e a ignorância, que o tinham criado, que me prostravam com vil idolatria ante as obras das suas mãos, acabaram. A última hora da tirania soou; o fanatismo, que ocupava a face da terra, desapareceu; o sol da liberdade brilhou no nosso horizonte, e as derradeiras trevas do despotismo foram, dissipadas por seus raios, sepultar-se nos infernos.
Qual era de entre nós, que se não pudesse chamar oprimido? Qual há de entre nós, que se não possa chamar liberdade? Qual foi o Português, que não gemeu, que não chorou ao som dos ferros? Qual é o Português, que não folgará com a liberdade? Nenhum por certo: os netos de Moniz, de Nun'Álvares, de Gama, de Castro, de Pacheco, e de Albuquerque, são os que sempre foram- Portugueses
Escravos ontem, hoje livres; ontem autómatos da tirania, hoje homens; ontem miseráveis colonos, hoje cidadãos; qual seria o vil (não digo bem), qual seria o infeliz que não louve, que não bendiga o braço heróico que nos quebrou os ferros, os lábios denodados que ousaram primeiro entoar o doce nome Liberdade?
Mas se almas há ainda tão abjectas, se corações tão pusilânimes, tão acanhados espíritos, tão baixos ânimos, tão envilecidos peitos, tão desprezíveis homens, que são esquecidos que são cidadãos, de que são homens, de que são Portugueses, ousam duvidar um momento da legitimidade, com que a mais nobre [,] a mais ilustre porção desta cidade clamou por uma constituição política, reuniu as suas forças para fim tão glorioso [...], se alguns timoratos e duvidosos, receiam e tremem; eis aqui quando um homem de bem, quando um Português, que o é, deve, acendendo o facho da filosofia, e das letras, fazer servir as suas luzes, e ilustrar a sua pátria, sacrificar-lhe as suas vigílias, mostrar que é cidadão.
Constituição Portuguesa de 1822
in http://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/const822.htmlCONSTITUIÇÃO PORTUGUESA DE 1822
Preâmbulo
[...]
As Cortes Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, intimamente convencidas de que as desgraças públicas, que tanto a têm oprimido e ainda oprimem, tiveram sua origem no desprezo dos direitos do cidadão, e no esquecimento das leis fundamentais da Monarquia; e havendo outrossim considerado que somente pelo restabelecimento destas leis, ampliadas e reformadas, pode conseguir-se a prosperidade da mesma Nação e precaver-se que ela não torne a cair no abismo, de que a salvou a heróica virtude de seus filhos; decretam a seguinte Constituição Política, a fim de segurar os direitos de cada um, e o bem geral de todos os Portugueses.
Em 1776 nos EUA
The unanimous Declaration of the thirteen united States of America
When in the Course of human events it becomes necessary for one people to dissolve the political bands which have connected them with another and to assume among the powers of the earth, the separate and equal station to which the Laws of Nature and of Nature's God entitle them, a decent respect to the opinions of mankind requires that they should declare the causes which impel them to the separation.
We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness. — That to secure these rights, Governments are instituted among Men, deriving their just powers from the consent of the governed, — That whenever any Form of Government becomes destructive of these ends, it is the Right of the People to alter or to abolish it, and to institute new Government, laying its foundation on such principles and organizing its powers in such form, as to them shall seem most likely to effect their Safety and Happiness. [...]
Esta semana é decisiva
A ministra já está praticamente sozinha na sua arenga. Bem pode dar entrevistas a dizer que os professores que pedem a reforma são os que só trabalhavam 8 horas e que há muitos professores que concordam com esta avaliação e que não se impressiona com mega-manifestações. Não se impressiona ela, mas preocupam-se os cidadãos em Portugal, que são os que interessam e que estão preocupados com a mediocridade e irresponsabilidade desta política. O dinheiro dos contribuintes não pode ser desbaratado pela incúria e teimosia. O descrédito é inegável e o seu poder está a diminuir drasticamente. Já ninguém acredita no que diz, nem na sua equipa de aplicadores autistas de projectos imprescindíveis e sem alternativa, interpretados em terceira mão, como se fossem descobertas inovadoras.
Há quem diga que de gente imprescindível estão os cemitérios cheios. E está mais que provado que este ministério, como está, com o que não deixa fazer (ensinar), só serve para empatar o ensino.
Há sempre alternativas e esta equipa ministerial já estragou muita coisa e já não está lá a fazer nada, a não ser estragos.
A Assembleia da República e o Presidente da República têm que actuar.
Os professores não podem esperar só por uma greve para as calendas de Janeiro. E não basta pedir a suspensão. É preciso que todos e cada um se vinculem a uma tomada de posição consequente.
Há que fazer já, como nesta escola:
a Assembleia-geral de Professores da Escola Secundária Eça de Queirós, da Póvoa de Varzim, reunida em 4 de Novembro de 2008, toma a decisão de SUSPENDER A SUA PARTICIPAÇÃO EM TODA E QUALQUER INICIATIVA RELACIONADA COM A AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO do Pessoal Docente, criada pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro e demais legislação subsidiária, pela defesa da qualidade do ensino e do prestígio da escola pública.
domingo, 9 de novembro de 2008
MADREDEUS

Manifestação de dia 8 de Novembro
O direito à resistência existe

Há textos (quase todos) que no original têm mais força.
Em 1789 escrevia-se assim:
Déclaration des droits de l'Homme et du Citoyen de 1789
Préambule
Adoptée par l'Assemblée constituante du 20 au 26 août 1789, acceptée par le roi le 5 octobre 1789
Les représentants du peuple français, constitués en Assemblée nationale, considérant que l'ignorance, l'oubli ou le mépris des droits de l'homme sont les seules causes des malheurs publics et de la corruption dês gouvernements, ont résolu d'exposer, dans une Déclaration solennelle, les droits naturels, inaliénables et sacrés de l'homme, afin que cette Déclaration, constamment présente à tous les membres du corps social, leur rappelle sans cesse leurs droits et leurs devoirs ; afin que les actes du
pouvoir législatif, et ceux du pouvoir exécutif pouvant à chaque instant être comparés avec le but de toute institution politique, en soient plus respectés ; afin que les réclamations des citoyens, fondées désormais sur des principes simples et incontestables, tournent toujours au maintien de la Constitution et au bonheur de tous.
Article II − Le but de toute association politique est la conservation des droits naturels et imprescriptibles de l'homme. Ces droits sont la liberté, la propriété, la sûreté, et la résistance à l'oppression.
[…]
Article XI − La libre communication des pensées et des opinions est un des droits les plus précieux de l'homme : tout citoyen peut donc parler, écrire, imprimer librement, sauf à répondre de l'abus de cette liberté, dans les cas déterminés par la loi.
[…]
Article XV − La société a le droit de demander compte à tout agent public de son administration.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Centenas de moções aprovadas
(extractos)
[...}
O abaixo‑assinado veio confirmar a existência, de facto, desse sentimento comum à larga maioria do corpo docente da Escola, expresso através das 128 assinaturas num universo de 148 professores.
Assim, perante uma tal constatação, o Conselho Pedagógico da Escola Secundária Gabriel Pereira considera da máxima importância, até mesmo urgência, a suspensão do actual modelo de avaliação do pessoal docente, questionando aquilo que a seguir sucintamente se aponta:
1. Os critérios que orientaram o concurso de acesso a professor titular criaram, na realidade, situações diversas de injustiça na diferenciação entre professor titular e professor.
2. A dimensão burocrática do actual modelo de avaliação que tende a transformar a escola numa espécie de empresa gerida por objectivos, onde a quantidade (de carácter estatístico) prevalece sobre a qualidade.
3. A integração, neste modelo de avaliação, de itens como o (in)sucesso dos alunos e o abandono escolar, indicadores que ultrapassam a área na qual se inscreve a actividade pedagógica propriamente dita, responsabilizando desadequada e injustamente os professores.
4. O facto de se estar perante um modelo que não é igualitário e tem em conta os resultados obtidos na avaliação externa quando nem todos os docentes leccionam disciplinas sujeitas a exames nacionais.
5. A não previsão do tempo verdadeiramente necessário, a integrar no horário efectivo dos docentes, para o cumprimento de tarefas impostas pelo actual modelo de avaliação, quer no que diz respeito ao docente avaliador quer no que diz respeito ao docente avaliado.
6. O desequilíbrio entre a avaliação dos coordenadores (que também são docentes) feita, este ano lectivo, exclusivamente pelo Conselho Executivo, e a avaliação dos outros docentes avaliadores ou não.
7. O descrédito e desvalorização da componente científica da didáctica específica de cada disciplina implícitos na avaliação realizada por docentes não pertencentes ao mesmo grupo disciplinar.
8. Possibilidade de conflito de interesses dado que a quota atribuída para as menções de Excelente e Muito Bom tem reflexos na atribuição de pontos, no posicionamento dos docentes no grupo disciplinar e no acesso ao topo da carreira.
9. A falta de qualidade e credibilidade das Acções de Formação promovidas pelo Ministério da Educação na área de «Avaliação de Desempenho dos Docentes».
[...]
Este novo modelo de avaliação revela-se, pelo contrário, desintegrador, redutor, gerador de conflitos, desmotivador e desumanizante. A implementação de um novo modelo de avaliação deverá passar por uma primeira etapa de experimentação, francamente aberta a ajustamentos e alterações num processo que deverá revelar‑se dinâmico e construtivo na valorização profissional dos docentes.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
We shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
Just like a tree that's standing by the water
We shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
The union is behind us,
We shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We're fighting for our freedom,
We shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We're fighting for our children,
We shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We'll building a mighty union,
We shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
Black and white together,
We shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
We shall not, we shall not be moved
Young and old together,
We shall not be moved
YES, WE CAN
Concentração e plenário nacional no Terreiro do Paço, com manifestação para o Marquês de Pombal
14.30 horas: Concentração no Terreiro do Paço
15.00 horas: Plenário Nacional de Professores
16.00 horas: Manifestação Nacional que passará por Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade e Marquês de Pombal
17.30 horas: Aprovação da Resolução da Manifestação e encerramento da iniciativa
Tendo em consideração a previsível dimensão do Plenário e da Manifestação Nacional de Professores marcados para o dia 8 de Novembro, tendo como indicadores a mobilização que existe nas escolas e o número de autocarros que ultrapassa os utilizados em 8 de Março de 2008 (cerca de 600 em Março de 2008; já se atingiram os 700 a dois dias de 8 de Novembro de 2008), o local de concentração e o percurso da manifestação tiveram de ser novamente alterados.
Todos ao Terreiro do Paço!
in http://www.fenprof.pt/
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Chegou a hora!
Esta semana é fundamental.Está na hora de tomar posições.
Já dezenas de escolas, e o número está a aumentar, tomaram posição em relação a este modelo de avaliação. Há que aumentar o número e mostrar que os professores não podem vergar em relação ao irracionalismo, à invasão da privacidade, à perda de direitos, à disparidade de critérios, à arbitrariedade.
Como poderemos ser professores se nos humilharmos todos os dias?
Como poderemos ser professores se deixarmos que a arbitrariedade acabe com o que de melhor tem o nosso sistema de ensino?
Vamos a esta.
E se for preciso, e será certamente, vamos dia 15.
Não dá é para escolher só esta ou aquela data.
É preciso concentrar esforços.
domingo, 2 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Manifestação dia 8 de Novembro
EM UNIDADE, OS PROFESSORES SERÃO MAIS FORTES PARA DERROTAREM A POLÍTICA EDUCATIVA DO GOVERNO
A FENPROF saúda o facto de ter sido possível chegar a acordo com três movimentos (APEDE, MUP e PROMOVA) no sentido de se realizar apenas uma grande iniciativa nacional de Professores - Plenário seguido de Manifestação, com trajecto ainda a definir - no dia 8 de Novembro. A FENPROF regista o tom construtivo e de procura de consensos e soluções que caracterizou a reunião do dia 29 de Outubro, sem prejuízo das diferenças de opinião e de análise críticas de parte a parte.
A FENPROF tudo fará para manter em aberto todas as vias de diálogo com a certeza de que a unidade de todos os professores e educadores num momento particularmente difícil assim o exige.
O Secretariado Nacional da FENPROF.
Visitas de estudo
Com todo este enredo destes “alumbrados” que mandam, estão cada vez mais em causa as visitas de estudo. E a contradição é evidente: os programas das disciplinas aconselham a fazer dezenas de visitas de estudo, o dinheiro para pagá-las só aparece do bolso de alguns, que não do Estado, e os professores são cada vez mais penalizados por fazê-las, por causa deste estatuto que foi decidido mas não discutido, por causa destas inúmeras regulamentações e interpretações a que estamos sujeitos e por causa destas mentalidades anteriores à segunda metade do século XVIII. E destas avaliações penalizadoras , sem eficácia e sem sentido.
Agora, se algum professor fizer uma visita de estudo, tem que deixar planos e repor aulas para os alunos de outras turmas. Imagine-se o que é fazer um intercâmbio com escolas estrangeiras, coisas normais em qualquer país europeu, coisas normais noutros países que assim vão aproveitando os subsídios europeus que nós, dirigidos por gente que se acha inteligente a si própria, desperdiçamos a favor dos outros. Ainda por cima num país que esteve tão isolado durante tanto tempo e que precisa desesperadamente de ter gente mais conhecedora e mais aberta.
É o provincianismo suburbano que manda em nós. Nem são rurais, que aliás desprezam, nem têm consciência do que é ter acesso a uma cidadania.
Há quem não faça, ou não queira fazer ideia, do que é organizar uma visita de estudo. A preparação necessária, a planificação (não a do papel para mostrar) dos tempos, dos lugares, das necessidades, dos objectivos, dos meios, transportes e outros, dos contactos, do conhecimento prévio do terreno, dos orçamentos, das imprevisibilidades, etc. E o estar naquele, ou naqueles dias, com uma atenção permanente e o resolver dificuldades inesperadas
Também não conhecem o gozo de verem gente nova espantada com as coisas que há no mundo!
Há quem não faça ideia da falta de oportunidades dos alunos de conhecerem isto ou aquilo. Não é só uma questão de dinheiro. Quantos alunos não dizem que já foram a Lisboa mas afinal só conhecem os hipermercados. Não terão direito a conhecer outras coisas? Ou será que conhecer arte, música, património etc. estará só destinado àqueles que já pertencem à elite?
Se perguntarmos a ex-alunos do que é que se lembram da escola, passados uns anos do que é que se lembram? Recordam-se de um ou outro professor que os influenciaram, têm saudades dos intervalos e dos colegas, lembram-se também de alguns maus momentos. E lembram-se das visitas de estudo em que aprenderam alguma coisa.
Por favor. Que haja algum bom senso, mesmo que não haja visão e, já agora, um pouco de cultura.






