terça-feira, 21 de outubro de 2008

Anedotas

Não sou muito dado a contar anedotas mas agora lembrei-me de uma antiga de um presidente do Brasil nos tempos da ditadura.

Dizia ele:
Quando eu cheguei a presidente, o Brasil estava a um passo do abismo. Mas comigo deu um passo em frente.

Goya. Saturno comendo os seus filhos.

Saturno, Cronos, devora os filhos.
É o tempo, mas após estes tempos outros tempos hão-de vir.

Entrevista com a ministra da Educação III

Vários professores referem-se à escola como parques de estacionamento. Muitos criticam as funções que hoje se lhes exigem e não são de natureza pedagógica...

Felizmente, temos muitos professores que reconhecem, aceitam, querem e consideram que estas são formas de valorizar a escola.

E muitos que se queixam das centenas de papéis que têm de preencher.

Os professores e a escola têm autonomia para avaliar os papéis e a carga burocrática. Quais são os papéis dispensáveis? Se a escola considerar que há papéis dispensáveis, os papéis que protegem o professor, que protegem o aluno, que protegem os pais, que adopte procedimentos mais simples.

Comentário: Tem razão. Afinal quem inventou o papel foram os chineses.
Novidade: Afinal os professores apoiam a ministra. A sua fonte de informação deve ser a mesma dos professores com 4 horas.

Entrevista com a ministra da Educação II

Conheço um adolescente de 14 anos, que estuda na Escola Secundária de Palmela. Tem 36 horas lectivas semanais: aulas de Ciências da Natureza, Físico-Química, Educação Física, Educação Visual, Francês, Inglês, Geografia e História, Língua Portuguesa, Matemática, Expressão Plástica, Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica e Introdução às Tecnologias de Informação e Comunicação. Tem aulas todos os dias das 8 às 18 horas, excepto durante duas manhãs. Acha normal que uma criança de 14 anos tenha este horário escolar?

E o que é que retirava?

Não sei. A senhora é que é a ministra da Educação.

Mas o que é que retirava? Retira o Inglês ou as línguas estrangeiras? A Matemática? O Português?

Para não iludirmos a pergunta, o que pretendo saber é se acha adequada esta carga horária para uma criança de 14 anos.

Mas qual é a alternativa? Quais são as práticas internacionais? É retirar? É encolher a escola? E o que é que resta aos alunos se se encolher a escola?

Comentário 1: Não resta nada. A ministra está cá para os salvar e a todos nós. Antes eram todos uns tristes.
Comentário2: O entrevistador que responda às perguntas e que arranje soluções.

Entrevista com a ministra da Educação

Porque é que há uma corrida dos professores à reforma ­ 700 só no próximo mês?

O aumento da idade de reforma e a alteração do estatuto de carreira do docente acarretaram, sobretudo para os professores em fim de carreira, uma mudança. Alguns iam à escola quatro horas por semana. Foi preciso dizer aos professores que as outras horas de trabalho, que o País paga, são precisas nas escolas, que os alunos precisam delas.Imagine um professor que ia oito horas à escola e que, de repente, passa a estar lá 25! Pessoas que acumulavam nos colégios privados, deixaram de poder acumular. Isto é dramático? Do ponto de vista do sistema, não é dramático. Hoje, o País tem milhares de jovens diplomados a querer entrar no sistema de ensino.

Entrevista da ministra da Educação à Visão
in http://aeiou.visao.pt/Actualidade/Portugal/Pages/EntrevistaaMinistradaEducacao.aspx


Comentário: Não há comentários.
A partir de hoje deixo de usar o termo senhora ministra para usar só ministra. Sempre entendi que senhora era alguém que se dava ao respeito, como se dizia antigamente.
O respeito que lhe tenho, por estas e outras graças, é o mesmo que tenho por Manuel Pinho, Mário Lino ou Santana Lopes ou por José Sousa.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Eleições nos Açores

Já tenho aqui demonstrado que nada tenho a ver com a direita, mesmo que ela apareça travestida em partidos da Internacional Socialista.
Mas desta vez quero saudar o meu amigo Paulo Estêvão, eleito pelo PPM como deputado na Ilha do Corvo. É um homem de causas, persistente, capaz de sacrificar carreiras mais fáceis em nome de princípios éticos.
Não é fácil a alguém que vem de Serpa viver na ilha mais longínqua do país, frequentemente isolada pelas intempéries, e conquistar a confiança dos seus habitantes, contra o bipartidarismo instalado que leva normalmente a alianças espúrias. É trabalho de muito tempo, de conquista da das populações, com propostas concretas que revelam autenticidade e coerência de quem está disposto a dar o seu melhor pela Res Publica.

As siglas

Das inúmeras mensagens que tenho recebido sobre a avaliação dos professores, reparei nesta, pelo abuso de siglas que limitam a compreensão pois, na minha opinião, obrigam os incautos a recorrer a vários códigos, até decifrarem totalmente a mensagem ou então "ficam a ver navios". Quase que prefiro a linguagem dos telemóveis que tem a vantagem de se aproximar da oralidade.
Vejamos:

Adivinha-se o simplex para evitar o descalabro:
DGRHE cria equipas de apoio à avaliação. A ministra reunida com as equipas de apoio, no dia 17/10, admite simplificar o processoFoi na sexta-feira passada, dia 17/10. A ministra reuniu, em Lisboa, com duas dezenas de membros das recentemente criadas 'equipas de apoio à avaliação de desempenho'. São 22 professores, quase todos directores ou ex-directores de CFAEs, que integram as equipas de apoio criadas pela DGRHE com a função de darem formação aos PCEs e avaliadores e acompanharem os processos de avaliação de desempenho nos agrupamentos onde houver mais dificuldades ou o processo estiver paralisado. São uma espécie de 'INEM' ...

Na minha modesta opinião haveria que ter mais respeito pelo leitor (português, brasileiro, angolano ... estrangeiro que aprende português, leitores de vários níveis de língua etc.).

domingo, 19 de outubro de 2008

O Latim

O português é uma língua latina. Vários escritores e estudiosos ao longo dos séculos até escreveram que era a mais próxima do latim. O latim foi durante séculos a língua erudita europeia e muitos portugueses a usaram nos seus escritos. Évora, por exemplo teve latinistas consagrados, como André de Resende, até mulheres como Publia Hortensia de Castro e uma universidade em que também se escrevia em latim.
Considerou-se durante muito tempo que aprender latim melhorava a expressão no português e ainda hoje essa ideia não é contestada. Os alemães que têm uma língua germânica também acham que o latim é útil no ensino secundário. E há ainda muitos outros.

Hoje, em nome do curto prazo e do achar que está fora de moda, esquece-se a matriz da língua.
Mas na Finlândia, onde se fala uma língua que nada tem a ver com a herança latina escreve-se e ouve-se rádio em latim.

Dá para ouvir e ler notícia actuais em:
http://www.yleradio1.fi/nuntii/audi/

PS. A Finlândia é dos países com maior desenvolvimento social no mundo, com um sistema educativo dos melhores. Talvez por isso

A chuva e os topónimos

Ontem houve inundações em Sete Rios, Lisboa. Não é a primeira vez e outras virão. Encheram a zona de cimento e impermeabilizaram os solos. Depois a água ou corre por onde costumava ou inunda devido às barreiras artificiais que se foram fazendo em nome de um determinado progresso.
Por vezes, bastava reflectir sobre os topónimos antigos. Até à segunda metade do século XIX as pessoas davam nomes muito concretos às coisas e às ruas. Sete Rios, significa que é uma zona com muita água, com várias linhas de água. Os antigos sabiam disso, alguns no nosso tempo desprezaram.
Mas há muitas mais só em Lisboa: Arroios, são ribeiros (note-se também o plural), Areeiro, está associado a areias dos cursos de água, Alcântara, significa ponte e portanto uma passagem por cima de uma ribeira, que está encanada e rebenta de vez em quando.

As reuniões

Tenho algumas saudades de certas reuniões.

Daquelas reuniões de estudantes, as RGAs, no pós-25 de Abril, que para os que lá não estiveram ou só ouviram falar em terceira mão, foram uma balda ou uma inutilidade.
Há quem nem imagine a organização necessária. Com tanta gente em movimento, tantos projectos, tantas partidos e grupos, tantas discussões, tantas "bocas", era preciso ter regras claras de participação, medir o tempo útil. Nessas reuniões decidia-se tanta coisa!

Outra experiência muito interessante que tive foi na Assembleia Municipal de Arraiolos. A maior parte dos membros tinha a instrução mínima, eleitos ou presidentes das juntas de freguesia. Quando um falava, os outros ouviam sem interrupções. E havia opiniões diferentes, mesmo dentro do mesmo partido. Sabiam (sabem) falar e escutar sem mudar de assunto constantemente.

Hoje participo em reuniões em que há constantes interrupções e, sobretudo, mudanças de assunto que nada têm a ver com a ordem de trabalhos, repetições do que já foi dito, concentração em pormenores sem se discutir o essencial ... enfim, decisões que poderiam ser tomadas numa hora e que se arrastam por horas infinitas.

E já não falo daqueles que nunca lêem os documentos previamente e que depois intervêm constantemente aos bochechos, porque só os lêem aos bocados na hora, sem terem reflectido primeiro ou daqueles que só apresentam os documentos de muitas páginas na própria reunião, obrigando as pessoas a tomarem atenção aos que falam e a lerem apressadamente ao mesmo tempo essas propostas.

Um desgaste!
E quando uma pessoa diz que é preciso respeitar a ordem de trabalhos ainda é considerado como um chato, que certas pessoas têm que se fazer ouvir sempre, mesmo que nada acrescentem.

É difícil fazer perceber a alguns que os tempos que correm não dão para andar a perder tempo. Ou será que acham que os outros têm que ter um horário de 50 ou 60 horas, ou mais ainda?

O discurso anti-sindical

Há quem diga coisas destas: que os sindicatos são os maiores adversários; que não se deve ser sindicalizado; para quê pagar quotas para eles (será que se entendem por eles, uns indivíduos que nem são professores, que vivem à custa dos outros)? Admiram-se de haver gente sindicalizada e até parece que quem é sindicalizado anda fora da onda, ou até é está contra a corrente.

Há quem agradeça. Não só a ministra, mas quem foi a favor do novo código de trabalho, quem não quer parceiros para discutir problemas concretos, quem está a favor da desregulamentação total, dos contratos individuais sem negociação colectiva. Por que não havendo sindicatos, o que é que há? E o que é que existe de permanente, para o dia a dia?

Creio que em muitos casos este discurso resulta da emoção do momento. Compreendo-o, mas há que reflectir.
Mas o sindicato já deveria ter ouvido as pessoas. Já se deveria ter actuado. E o não actuar leva à descrença. Os motivos são demasiado fortes para algum silêncio que tem existido. Já quase ninguém aguenta um Setembro e um Outubro como estes.

Aborrece-me este discurso sobre os sindicatos, em geral. Para já não são todos iguais nem têm a mesma representatividade. No caso dos professores há a FENPROF e a FNE, que têm dezenas de milhares de sócios, e um sem número de organizações que de sindicato apenas têm o nome. Alguns até serviram para umas borlas, isto é para indivíduos terem dispensa de serviço a meio tempo ou a tempo inteiro, embora não representassem ninguém. Eram úteis para o poder porque assinavam como sindicatos, embora não tivessem qualquer poder real.

Esquecem-se alguns que a luta pela existência e até legalização de sindicatos é centenária e que muita gente pagou por isso. O campo de concentração do Tarrafal foi criado com sindicalistas da greve geral de 1934 e marinheiros que se revoltaram. Já antes outros tinham ido parar a Timor e outras colónias. Mesmo depois, muita gente foi despedida, perderam direitos, foram presos etc. Não se conseguiria uma manifestação de 100000 professores se não houvesse organização e lutas anteriores. Aliás, para quem tenha alguma experiência em relação a movimentos de massas sabe que é muito fácil infiltrarem-se movimentos provocatórios que levam à excitação, desorganização e intervenção da polícia. Quem viveu o período pós-25 de Abril sabe o cuidado que se tinha nessas manifestações porque facilmente a extrema-direita ou certa extrema-esquerda (o MRPP, muitos deles hoje no poder), poderia manipular grupos mais ou menos espontâneos .

Faço algumas perguntas legítimas (não me venham dizer que sou do contra e não as posso fazer): quem convocou uma manifestação para dia 15? Quem representa essa organização (quantos associados)? Como se transportam dezenas de milhares de pessoas? Como vai ser organizada a manifestação? O que se propõe?E que legitimidade têm alguns para acharem que ninguém deve ligar aos sindicatos? Discutiram o estatuto antes de ele ser aprovado? Fizeram greves e manifestações nessa altura? Foram àquelas manifestações com cinco mil professores, a outras com dez mil ou só foram à última? E depois o que fizeram?

Eu, por mim, tenho críticas a fazer em relação a sindicatos (a um, porque há outros que nada têm a ver comigo). Mas sou sindicalizado. É lá que tenho que estar. Parto do princípio que os sindicatos não são os outros: somos nós. E nós é que temos o direito e o dever de os fazer representar-nos. E estas coisas não podem ser por um só dia. Acabar com sindicatos é ficar sujeito a movumentos, embora bem intencionados, que vão e vêm.

Por isso vou a uma manifestação que tenha objectivos definidos. Que seja para vencer e não sair de lá pior ainda. E irei a outras.

O problema é o governo, não são os sindicatos.

Ps. Não estou aqui propriamente para ser simpático e acrescento ainda outras: por que é que alguns votaram no PS? Os militantes do PS não discutiram problemas de educação antes deste governo? Se são militantes e não concordam o que é que lá estão a fazer? Porque não derrubam esta gente?

E os daquele partido que agora tem uma dirigente que lhe dá para estar calada? Até nova demonstração, parece-me que não é porque não saiba falar, visto que até já foi ministra da Educação, mas porque concorda com o que este governo faz.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Delos. A ilha de Apolo




13 de Outubro em Fátima

in Página de Ilustração Portuguesa, 29 de outubro de 1917, mostrando as pessoas a observar o milagre. http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Milagre_do_Sol

Outro país reverenciando o Sol.
Eu prefiro Apolo.

Rodes. Lembranças de tempos em que as culturas coexistiam








Igrejas católicas da Ordem dos Hospitalários, mesquitas com minaretes, igrejas ortodoxas, casas de judeus, muçulmanos e cristãos.
Acima e mais antigo, Apolo, o deus do Sol e da Razão.
Era assim o Mediterrâneo.




Os preconceitos desta pretensa elite que manda

Os que mandam neste país quiseram resolver o deficit com contas de mercearia, salvo os homens das mercearias de esquina ou do largo que fazem um bem público. A questão que puseram foi a de cortar. Cortar em quê? Nos suspeitos do costume da ideologia liberal ou neo-liberal: saúde, educação, reformas … Não acuso só o governo, mas sobretudo, como também esta União Europeia que proclamava há pouco tempo “o menos estado” e que agora nacionaliza bancos que há pouco tempo tinham lucros exorbitantes, agora injectados com dinheiro dos contribuintes - os que pagam todos os deficits.

Mas, para além disso, essa autoproposta elite tem uma desconfiança em relação a quem ensina. Uns, porque acharam que os filhos das criadas não deveriam aprender mais nem ter um lugar superior ao filho do patrão; outros, porque desprezaram sempre os livros, a investigação, até a participação; outros ainda porque acham que são eles os detentores da cultura, o que é uma forma aparentemente sofisticada de reproduzir a ideia que os filhos das criadas não podem pensar e agir. Alguns pensaram até que eram mais modernos que os outros e sentiram-se no direito de achar que todos os outros são estúpidos. Conluiaram-se nesse desprezo e nessa tentação autoritária que tem raízes longas neste país e vá de “bota abaixo em relação aos professores.

Não quiseram avaliar a situação. Eles sabem mais, sabem tudo e vá de resolver tudo drasticamente. Ouviram falar que o professor do filho de um vizinho faltava muito, conhecem uma antiga colega de faculdade que tinha menos horas, deram aulas um ano e faltavam muito, pensando que todos eram também assim oportunistas, foram um dia a uma reunião de pais e o professor não resolveu uma qualquer situação, leram apressadamente umas estatísticas desactualizadas e está feita a opinião.

Nunca terão pensado que um professor precisa de ler, que precisa também de tempo para preparar aulas diferentes que ponham os alunos a pensar e a investigar um pouco. Não quiseram saber de quem estava na profissão a fazer de conta. Quiseram obrigar todos a serem investigados até ao pormenor, quiseram controlar tudo.

Estão a secar a fonte.
Querem secar a fonte!

O que se passa actualmente nas escolas é kafkiano, um arremedo de surrealismo ( que era uma arte libertária), um desgaste e uma inutilidade permanente. Para quê?

É preciso avaliar ou antes culpabilizar, intimidar quotidianamente, a partir de modelos pré-formatados? Coscuvilhar tudo? Em que é que isto melhora?

Querem comparar-nos com outros estados da União Europeia? Pois bem, nada se passa assim, nem por sombras, e também têm os seus defeitos. Talvez porque não tiveram esses hábitos de uma Inquisição de 300 anos, esses hábitos pidescos de 48 anos, essa tentação de mandar até à intimidade.

Eu não quero mudar de país. O que gostaria é que essa gentinha que manda fosse fazer um estágio a qualquer lado (mesmo que nós pagássemos, o que já estamos habituados) e começasse, o que não é fácil para eles, a pensar um pouco racionalmente.

Estes são os herdeiros daqueles que nos deixaram a miséria social e intelectual salazarista. Mesmo travestidos de modernos e eficazes (?) e com viagens às Caraíbas, ao Quénia e a outras partes, onde os empregados lhes servem as bebidas e os pobres que cheiram mal ficam higienicamente fora de vistas.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O sentido de oportunidade


Imagens do museu de Faro
Quando estava em discussão formal o novo estatuto dos professores havia muita gente que tinha mais que fazer. Estava preto no branco que iriam existir duas carreiras e a maior parte ficaria impedido de chegar ao topo. Outros muitos direitos foram perdidos.
As primeiras greves contra o estatuto tiveram uma adesão relativa. Fizeram-se manifestações, primeiro com 5000, depois 10000. Só depois de o caldo estar totalmente entornado vieram 100000, recorde único na Europa. Depois muitos contentaram-se com um memorando de acordo.
Agora, os professores não sabem o que fazer à vida. Reuniões atrás de reuniões, reuniões sem sentido e sem controle do tempo.
Afinal há quem goste de fazer grelhas. Há quem goste de reuniões de 5 horas e mais outras tantas para não decidir quase nada. Há quem goste de convocar reuniões de protesto e desconvocá-las à última hora sem explicações.
Será que não dá para ver que já quase ninguém aguenta este ambiente e que é hora de agir em conjunto, depois de tanto tempo perdido?
Ou de lamuriar?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Reuniões em escolas

Amanhã vai realizar-se uma reunião geral na Escola Secundária Severim de Faria para discutir os problemas de avaliação de professores. Como outras noutras escolas e em muitas que hão-de vir.

Os professores não sabem para onde se virar. Reuniões e mais reuniões, preenchimento de múltiplos documentos, pressões enormes para acabar com o insucesso educativo de forma administrativa, desorientação geral sobre critérios, com demissão e pressão do ministério, modelos unidimensionais, castração da criatividade em relação ao essencial, submissão ao autoritarismo desnorteado...

Irresponsabilidade de um governo que está seriamente a comprometer o futuro da educação, a corromper o seu próprio programa e ideologia (qual será?).

A independência do Kosovo

Não é um precedente mas é grave.
Na mitologia sérvia o Kosovo é o berço da nação. As limpezas étnicas são antigas: existiram com a Grande Guerra e a 2ª Guerra Mundial. Tito, em nome da união jugoslava preferiu que os sérvios expulsos não regressassem.
Recentemente o problema enquadra-se na desintegração da Jugoslávia, imediatamente apoiada por alguns países europeus, entre os quais a Alemanha que assim vai reconstituindo o seu domínio, agora económico.
Há uns anos fomos bombardeados pelas valas comuns de milhões de kosovares. Nem o Kosovo tem tantos milhões de habitantes nem apareceram essas supostas provas. Bombardearam-nos a seguir que também com os judeus tinha acontecido o mesmo na Alemanha nazi. Como se fosse tudo o mesmo, como se o facto de outros não terem acreditado perante evidências, justificasse a obrigação de acreditarmos no que as agências hoje dizem.
O facto é que houve limpezas étnicas e transferências de populações. Hoje há muito menos sérvios do que havia e tem havido colonizações de albaneses vindos da Albânia. Tolerou-se e promoveu-se a actuação de um partido nacionalista e fascista como o UÇK. Diz-se que a Albânia é hoje um estado falhado dominado por máfias. O Kosovo é terreno ainda mais propício.
É isto que Portugal reconhece agora também. Contra as decisões das Nações Unidas reconhece-se um estado que só sobrevive com ajudas prontamente arrecadadas por grupos onde só chega a lei do mais forte, com exclusão das “raças” dos outros.
Vamos também reconhecer a Irlanda do Norte, o País Basco, a Córsega, Chipre Turco, etc. etc.?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Anda qualquer coisa no ar que vai descer à terra.

Pensa o senhor primeiro-ministro e a senhora ministra da Educação que tudo está resolvido nas escolas?
O ministério da Educação continua a meter os pés pelas mãos em relação à avaliação dos professores. Os prazos mudam quando calha, as exigências são cada vez maiores, as tarefas inúmeras.

Trataram e continuam a tratar os professores como serviçais e como incapazes de ler e reflectir, coisas inerentes à profissão. Conseguiram fazer com que a maioria verificasse que tem a carreira bloqueada durante muitos anos e que ninguém ganhasse com este novo estatuto. Aumentaram os horários de trabalho a todos, as burocracias inúteis. Promovem-se agora os que inventam grelhas exaustivas, os portefólios de imensas páginas e separadores, em que os professores têm que estar sempre disponíveis e a dizer Amém, em qualquer dia do ano, seja aos domingos e dias santos, seja de manhã ou à noite, porque as reuniões, as planificações, os planos, os planos que hão-de vir, os planos para recuperação dos alunos faltosos, as avaliações extraordinárias e contínuas para estes, o ter que provar tudo, o instilar da culpa pelo abandono e pelos resultados, o mostrar tudo a todos os que vão detractando toda a a actividade docente, o ter que andar a provar tudo o que se faz, o fazer objectivos individuais cada um à sua maneira, a incongruência das medidas ...

Há que preparar aulas e dar aulas, não é? E há que dormir de vez em quando. Não se pode condenar uma classe inteira a tomar xanax até à habituação.

Acho que isto vai rebentar outra vez. E quando se começa um processo, em que quem está encurralado não tem outra saída senão revoltar-se, nunca se sabe onde isto vai acabar.